São João da Corveira, concelho de Valpaços, celebrou, no passado fim de semana, mais uma edição daquela que é considerada a “mais antiga” feira de fumeiro do país.

A população cumpriu a tradição e aproveitou mais uma vez a ocasião para escoar os produtos confecionados ainda à moda antiga. Para além do fumeiro, produto estrela deste evento, os visitantes puderam também encontrar nos mais de 30 stands, no domingo, dia 2, mel, frutos secos, azeite, vinho, compotas, Folar de Valpaços, Bolo Podre, artesanato, entre outros.
“Como tem sido apanágio na feira, a cada ano ela cresce um bocadinho. Sentimo-nos recompensados pelo esforço. Temos mais cinco ou seis expositores do que tivemos no ano passado. Ontem, no tradicional baile de São Brás, não cabia aqui mais ninguém. Eu próprio fiquei admirado por ter aparecido tanta juventude”, referiu Hernâni Sousa, presidente da Junta de Freguesia de São João da Corveira.
O interesse em participar nesta feira tem vindo a crescer, mas devido às limitações do espaço alguns produtores tiveram de ser rejeitados.
Amílcar Almeida, presidente da Câmara Municipal de Valpaços, marcou, como já é hábito, presença neste evento, e reconheceu que o espaço já se tornou exíguo. No entanto, o autarca defende que não poderá ser construído um novo pavilhão enquanto o já existente, que fica deslocado do centro da aldeia, não for vendido: “O senhor presidente da Junta tem vontade, e pelo número de participantes que ano após ano esta feira tem vindo a ganhar, de querer construir um pavilhão. E o que a Câmara Municipal tem vindo a dar conta é que logo que a Junta de Freguesia consiga vender o pavilhão existente, e que está deslocado desta freguesia, esse montante reverterá para a construção de um outro pavilhão no centro desta freguesia. Quem sabe se não será aqui neste espaço ou noutro espaço mais central. Não podemos é estar a construir um quando de facto há ainda outro”.
O edil valpacense enalteceu a qualidade do fumeiro, não esquecendo os outros produtos do concelho: “Aqui ainda são os saberes ancestrais que fazem com que o nosso fumeiro seja o melhor. Eu costumo dizer que estas feiras, falemos da feira do fumeiro, do Folar, ou outras feiras que realizamos no concelho, são verdadeiras montras dos produtos da terra porque de um modo geral trazemos o que de melhor tem o nosso concelho. E, de facto, este tem imensas potencialidades. E é com base nesses produtos de excelente qualidade que nós fazemos com que se criem também oportunidades. Oportunidades de venda, oportunidades de promoção, não só dos produtos, mas também do concelho, dando-lhe visibilidade, não só nacional, mas também internacional. E é essa a nossa forma de estar”.
Para além da exposição e venda de produtos e do tradicional baile de São Brás, houve ainda no dia 1 um “Passeio pelo Património”. No domingo não faltaram a “Caça ao Javali de Salto”, a chega de bois e mais animação musical.
Esta feira conta com mais de 200 anos de existência e na sua origem estarão as ofertas que antigamente se faziam à Igreja para pedir proteção aos animais relativamente a doenças. Estes produtos passaram a ser vendidos em leilões, tendo-se juntado, mais tarde, outras pessoas que aproveitaram para vender também os seus produtos.
Hoje em dia quem vende nesta feira são essencialmente agricultores que procuram obter um rendimento extra através da venda de produtos derivados do porco.
A Feira de Fumeiro de São Brás tem a organização da Junta de Freguesia de São João da Corveira, da Câmara Municipal de Valpaços e de EHATB – Empreendimentos Hidroelétricos do Alto Tâmega e Barroso.

Maura Teixeira

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