As funcionárias da fábrica Touriya El-Bakkali, em Vale de Anta, Chaves, estão há mais de um mês acampadas à porta da empresa à espera de uma resposta por parte da direção.

São cerca de 30 as trabalhadoras que desde o dia 8 de setembro se mantêm dia e noite à porta da fábrica têxtil sediada em Vale de Anta. Das 8h30 às 17h30 estas mulheres estão no local para cumprir o seu horário de trabalho. À noite e aos fins de semana revezam-se em turnos para que possa estar sempre alguém a vigiar a fábrica impedindo assim a retirada das máquinas.

Inicialmente, o período de férias da fábrica começaria na segunda quinzena de agosto e terminava no dia 3 de setembro. Ainda antes de irem de férias, as funcionárias foram avisadas que este período teria sido alargado até ao dia 10 do mesmo mês. Já de férias, as mesmas foram informadas que apenas teriam de regressar à empresa no dia 17 de setembro e, nesse dia, se não houvesse trabalho iriam ter os papéis necessários para o desemprego. No dia 8 de setembro, ainda durante o período de férias, uma funcionária da fábrica estava a passar pelo local e reparou que as máquinas estavam todas alinhadas, acreditando que iriam ser retiradas. As trabalhadoras uniram-se e desde então que permanecem no local com mantas, cobertores, tendas, fogueiras improvisadas, mas sem qualquer justificação por parte da direção da empresa.

No passado dia 18 de setembro, a fábrica entregou o pedido de insolvência no tribunal, mas este não foi aceite por não haver justificação uma vez que a empresa não tinha quaisquer dívidas ao Estado nem às trabalhadoras. No entanto, até ao fecho desta edição, as funcionárias ainda não tinham recebido o ordenado correspondente ao mês de setembro.

Na passada segunda-feira, dia 8 de outubro, os deputados José Soeiro e Isabel Pires, do Bloco de Esquerda (BE), questionaram o Governo, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, acerca da situação laboral das funcionárias desta fábrica têxtil. Os deputados pretendem saber se o Governo tem acompanhado esta situação, se foram realizadas ações inspetivas à empresa, que medidas está o Governo a equacionar para impedir o encerramento da fábrica, e se foram atribuídas prestações sociais às trabalhadoras.
No documento apresentado pelo BE dá-se ainda conta da queixa-crime apresentada pelas funcionárias ao Ministério Público “com fundamento da situação de ‘lock out’”, isto é, a decisão unilateral do empregador de paralisação da empresa ou interdição aos trabalhadores ao seu local de trabalho.

Muitas das funcionárias têm idades a rondar os 50 anos e sentem-se receosas pelo futuro uma vez que estão numa zona onde as ofertas de emprego não abundam. Estas trabalhadoras dizem-se exaustas, mas afirmam que irão continuar até que a sua situação seja resolvida.

Entretanto, o jornal A Voz de Chaves soube, esta quinta-feira, dia 11, que as funcionárias da empresa receberam os papéis para a atribuição do subsídio de desemprego a que têm direito.

Esta fábrica têxtil existe há mais de uma década em Vale de Anta, tendo mudado de gerência no ano passado.

Maura Teixeira

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