Quinze dias depois dos motores se terem desligado no Campeonato Nacional de Motocross, já os pilotos portugueses estavam em Oliveira Santa Maria, bem perto de Vila Nova de Famalicão, para continuarem a sua temporada, agora no Supercross.

Hugo-Santos-Super-CrossDe entre os 24 pilotos da categoria Elite que estiveram presentes, um destacou-se acima de todos. Com o número (que é também o indicativo telefónico de Chaves), 276, o flaviense Hugo Santos demonstrou toda a sua boa forma.

Ainda os treinos cronometrados estavam a arrancar, com poucas voltas à pista concluídas, e já “El Toro” como é conhecido, vincava o seu tempo como o melhor. Foi a melhor forma de começar um sábado com muitas idas à pista, pois pouco depois as meias-finais também demonstraram a superioridade do flaviense.

Entre o final de época do Motocross e o início da temporada do Supercross, o ambiente foi de análise do campeonato terminado e de preparação para a competição que tem mais quatro etapas, depois da corrida em Oliveira Santa Maria. No “paddock”, Hugo Santos ia revendo amigos e recebendo os familiares e amigos que se deslocaram quer de Chaves quer de Barcelos para o ver correr. Ainda com uma entrevista para A Voz de Chaves pelo meio, o piloto flaviense conseguiu ter tempo para pulverizar a concorrência.

A popularidade de Hugo Santos é grande no panorama deste desporto motorizado. Isso ficou bem evidenciado quando os melhores dez pilotos do dia até à altura foram chamados para darem uma volta à pista isolados, havendo para os três mais rápidos um prémio patrocinado por uma bebida energética. À passagem do flaviense à pista, penúltimo a tentar a sua sorte, com um “tempo canhão” de 53 segundos, feito pela primeira vez naquele dia, a festa nas bancadas fez-se sentir. Cerca de 4 mil pessoas passaram no sábado, dia 13 de Julho, pela pista minhota e Hugo Santos foi fortemente aplaudido conforme ia vencendo as corridas.

Finais diferentes mas com o mesmo resultado

 

A noite ia caindo e isso significou o endurecer da corrida. Agora era a série e foi tempo de arrancar para as finais, importantes para a pontuação final desta primeira etapa e um teste para Hugo Santos, o alvo a abater, não só pelo que havia feito nesse dia mas também no campeonato de Motocross.

O principal concorrente, Hugo Basaúla, até saiu na frente do pelotão, mas Hugo Santos precisou apenas de duas voltas para ultrapassar o adversário. A partir daí, tornou-se um passeio, com um cavar de diferença para o segundo lugar.

Mais interessante acabou por ser a segunda e última final. Após a corrida dos mais pequenos, decidia-se tudo neste arranque do Supercross e Hugo Santos arrancou mal para a corrida, começando mesmo na oitava posição.

Evitando toques e quedas, o flaviense começou assim a sua recuperação, passando rapidamente para sexto e depois para quarto. No entanto, a luta pelo terceiro lugar demorou mais tempo que o esperado. Apesar de andar mais rápido que Sandro Peixe, Hugo Santos deixou a mota ir abaixo e teve de voltar à carga para chegar ao terceiro posto, depois ao segundo e num verdadeiro contra-relógio encostou-se à oitava volta a Hugo Basaúla, que liderava até então a corrida. No entanto, o ritmo do flaviense era superior e à 10ª volta Hugo Santos lidera pela primeira vez a segunda meia-final. Pouca sorte teve Basaúla, que depois de ser ultrapassado cai e perde mesmo o segundo lugar.

Feitas as contas, “El Toro” lidera as categorias Elite e SX1 com 50 pontos, fruto do primeiro lugar nas duas finais. Em SX1 tem seis pontos de vantagem para Basaúla e dez para Nélson Silva. Já em Elite são oito os pontos de vantagem para Sandro Peixe, de SX2, e Hugo Basúla. Mais uma jornada positiva para o flaviense, num ano de 2013 pleno de sucesso no Motocross e que arrancou da melhor forma no Supercross. A próxima corrida é na Poutena, dia 3 de Agosto.

 

Regresso aos triunfos numa aposta de sucesso

Hugo Santos voltou a subir ao lugar mais alto do pódio no Campeonato Nacional de Motocross em 2013, ao serviço da Batquipa KTM MXSurf Racing. Uma história de sucesso que começou esta temporada e tem pernas para andar.

“A relação nasceu este ano quando fui contactado por um amigo a dizer que o Hugo Santos não tinha mota. Achamos por bem convida-lo e ainda bem que o fizemos”, conta Joaquim Gil, responsável pela equipa onde compete o flaviense. Hugo Santos acrescenta que tudo aconteceu “depois de Paulo Alberto ter ido para o Brasil. Pediu-me para ficar a representar em Portugal os capacetes Bell. Aceitei mas avisei-o que não tinha equipa. Entretanto um amigo do Paulo Alberto vai deixa-lo ao aeroporto e contacta o Gil. Rapidamente acertamos tudo, porque tínhamos as mesmas motivações e vontade de vencer”.

Estava assim criada a parceria que levou aos títulos de Elite e MX1 em Motocross. Mas para Joaquim Gil, isso não foi o mais importante esta temporada. “Foi uma aposta ganha, não pelos títulos que tem conseguido, mas pela pessoa que se tem revelado, desde que tem estado connosco. Acima de tudo é uma excelente pessoa, e fico contente por voltar a ver o Hugo a ganhar, principalmente porque se encontrou novamente na vida. Isso é muito mais importante que o resto”, revela, considerando que em Portugal, estando bem o piloto flaviense, dificilmente é batido.

“El Toro” está agora concentrado no Campeonato Nacional de Supercross, onde motivação não faltará para o que resta da temporada. “Temos boas expectativas. Estamos motivados porque vimos das conquistas no Motocross. Tivemos 15 dias de paragem até à primeira prova, o que foi pouco, pois é necessário descansar, acertar motas, etc, mas temos treinado e vamos encarar o campeonato de forma humilde, prova a prova, corrida a corrida. Vamos tentar manter a nossa mota no lugar mais alto do pódio”, concluiu Hugo Santos.

A duas vozes, sincronizadas, quer Hugo Santos quer Joaquim Gil acreditam terem encontrado uma parceria de sucesso.

DC

 

 

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