O Grupo Cultural Aquae Flaviae dedicou a sua última edição ao mais alto galardão atribuído ao município de Chaves, o grau de “Oficial de Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.

O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves, abriu as suas portas na sexta-feira passada, dia 21, para o lançamento do número 58 da Revista Cultural Aquae Flaviae, que celebra o centenário da entrega da medalha de grau Oficial de Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito ao município flaviense.
A apresentação da obra contou com a presença do comandante do Regimento de Infantaria nº19, João Carlos Caldeira, que foi o responsável pela análise do avanço das tropas monárquicas no país e pela resistência militar encontrada na cidade (na época vila) de Chaves, que se manteve fiel aos ideais republicanos, em 1919.
Isolada do resto do país, e sem que o Governo tivesse acorrido com qualquer auxílio, Chaves viveu este período como uma pequena República Independente, a “República Livre de Chaves”, gloriosamente assim tratada pela Imprensa da Capital, depois de aniquilada a grave rebelião da Monarquia do Norte ou da Traulitânia.
A 24 de março de 1919 foi, oficialmente, atribuído este importante galardão à vila de Chaves, acontecimento que orgulhou os flavienses e que passado um século ainda perdura.
Esta edição encerra ainda a vida e obra de “valorosos flavienses”, como é caso de Luís Chaves, importantíssimo matemático, etnógrafo e arqueólogo, que realizou diversos trabalhos de investigação e que ainda hoje são consultados pelos mais conceituados especialistas. Também Dom Frei Inácio de São Caetano, arcebispo da igreja católica e inquisidor geral do século XVIII, ficou imortalizado nas páginas da revista flaviense. Este número é ainda preenchido com a publicação da demografia em Trás-os-Montes na primeira dinastia e do contributo de Portugal no Brasil, trabalhos realizados pelo Dr. José Timóteo Montalvão Machado. Por fim, a obra lança-se na descoberta das civilizações passadas que habitaram o território através de “A Ponte da Vila da Ponte”.
“É importantíssimo sabermos que Chaves tem tanta gente desta categoria. É este conjunto de trabalhos que está registado na nossa revista e que faz parte da nossa história”, disse a presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae, Isabel Viçoso.
O presidente da Câmara de Chaves elogiou a qualidade e o valor dos temas tratados e tornados públicos pela revista flaviense.


“É uma revista que orgulha os flavienses e que também orgulha o município de Chaves. É um prazer imenso ser presidente de câmara de um concelho que tem uma história tão relevantíssima e com vários ilustres representantes. Chaves tem estado sempre do lado certo da história. Esperemos que assim continue, ainda que achemos que estamos a ir no sentido contrário aos demais, porque esse é o lado certo dos cidadãos livres e democratas”, referiu Nuno Vaz.
Criada em 1983, a Revista Cultural Aquae Flaviae “tem mostrado e mostra que Chaves, assim como os territórios vizinhos são grandes”.
“Inicialmente a revista tinha apenas um punhado de colaboradores, hoje em dia já há várias pessoas que nos enviam artigos de diversos sítios. Este território é pequeno, com aldeias pequenas e pouca gente. No entanto, com a invasão dos primeiros povos, os castros encheram-se de gente. Em qualquer lado desta região é só escavar que encontramos uma história riquíssima, e esta história faz-se do território, de homens e dos outros homens que vão estudar o que os homens mais antigos fizeram”, concluiu a responsável.

Cátia Portela

 

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