O Boticas Parque – Natureza e Biodiversidade viu a maioria das suas atividades canceladas devido à COVID-19, sendo que acabou mesmo por encerrar, tendo reaberto, no passado dia 30 de maio, o Posto Aquícola, depois de dois meses encerrado. Para percebermos melhor como está o Boticas Parque a adaptar-se à nova realidade vivida por todos, falámos com Nuno Teixeira, responsável do parque. 

Ecos de Boticas: Devido à pandemia provocada pela COVID-19, o Boticas Parque – Natureza e Biodiversidade teve de cancelar um número significativo de atividade que já estavam programadas, acabando mesmo por encerrar, mais tarde. Quais foram as principais consequências desta situação?

Nuno Teixeira: Este ano prevíamos que fosse um grande ano em termos de atividades de animação turística desenvolvidas pela Associação Celtiberus. No que diz respeito ao Boticas Parque, estivemos encerrados de 10 de março a 30 de maio e fomos reabrindo algumas iniciativas progressivamente e com os devidos cuidados, sendo que analisámos, a cada 15 dias, novas medidas e não excluímos a possibilidade de alterar novamente o funcionamento para segurança de todos. Para se ter uma ideia, além das caminhadas canceladas, que no seu conjunto certamente juntariam várias centenas de pessoas, foram cancelados vários grupos que tinham agendado connosco visitas culturais e gastronómicas, quer ao parque, quer às aldeias do concelho. Tínhamos já agendado um festival de Turismo de Natureza que iria trazer uma nova dinâmica com imensas atividades e feira de produtos locais que ficou adiado para 2021. Certamente seria uma iniciativa que iria trazer muita dinâmica económica. Alterámos a data do Boticas Trail – Caminhos do Galaico para 18 de outubro e ainda esperamos que as condições o permitam fazer em segurança.

Não queremos arriscar e temos um plano para voltar a esta “nova normalidade” que todos ansiamos.

Resumindo, para uma equipa dinâmica sempre pronta a trabalhar, a incluir novos projetos e em atrair turismo a Boticas e incutir novas mentalidades sustentáveis e ecológicas, esta pandemia foi como colocar-nos dentro de um colete-de-forças. 

Durante o pico da pandemia, houve pessoas a tentar fazer marcações para o Alojamento do Boticas Parque, como forma de refúgio?

Não, muito pelo contrário. Tivemos o cancelamento de vários grupos agendados e das reservas de alojamento até agosto. Durante os meses de março, abril e maio foram canceladas todas as reservas, obrigatoriamente. Mas também se verificaram cancelamentos de junho, julho e agosto. Notou-se claramente o medo das pessoas e para nós era impensável deixar vir gente de fora para o nosso território. Segurança e responsabilidade estiveram sempre em primeiro lugar.

Agora já reaberto, como tem sido lidar com a reabertura de um Parque tão procurado pelas pessoas, nomeadamente o Parque de Pesca Desportiva, e com as condicionantes que são impostas pelas Autoridades de Saúde?

Em articulação com o Município de Boticas resolvemos abrir o Boticas Parque, pois já se verificava durante o mês de maio uma afluência enorme de pessoas, e reabrindo era uma forma de controlar melhor o que se por lá passava.

Fomos a primeira entidade da região a adquirir o selo Clean&Safe do turismo de Portugal, onde obtivemos diversas formações para poder lidar com a pandemia de acordo com as normas nacionais.

Progressivamente, começamos por abrir o Parque de Pesca Desportiva com redução de capacidade a 50%, obrigatoriedade de uso de máscara e desinfeção das mãos à entrada. Os novos condicionalismos não impedem ninguém de pescar, mas obrigam a algumas medidas de segurança e higienização. Aconselhamos que cada pessoa traga o seu material de pesca para evitar trocas de material.

Estes primeiros 15 dias foram um teste, vamos ajustar ainda algumas normas.

Quais foram as normas que o Boticas Parque estabeleceu, para poder respeitar as diretrizes emanadas pela DGS e poder reabrir?

O Boticas Parque é um espaço ao ar livre onde as pessoas podem vir sempre, desde que as normas da DGS o permitam. Nesse sentido, fomos sempre atualizando e levantando as restrições de acordo com as normas. Neste momento, a desinfeção semanal do Parque é da responsabilidade do Município de Boticas, e nas atividades, nos bares e no alojamento é a Celtiberus que estabelece as regras.

Há a obrigatoriedade de utilização de máscara sempre que alguém se dirige a qualquer colaborador do Parque e para fazer atividades, tais como os passeios de caiaque, o aluguer de Bicicletas e o arborismo. No entanto, estamos a verificar um aumento significativo de pessoas em comparação com os anos anteriores e podemos a qualquer momento colocar algumas restrições, não podemos facilitar, mas também não podemos parar. O Boticas Parque é neste momento umas das maiores atrações turísticas do concelho e com isso um importante auxiliar à economia local, o que nos coloca pressão e responsabilidade em cima. Também é isso que nos faz crescer.

As pessoas têm procurado o Parque e mantido os devidos cuidados?

Estamos muito satisfeitos com o comportamento das pessoas que nos visitam e pelo respeito que vão mostrando pelo local e pelo nosso trabalho. Salvo raras exceções, tem tudo corrido bastante bem. Verificamos que temos tido visitas de pessoas do país inteiro e o respeito pela região é muito. Máscaras e desinfeção das mãos e distanciamento entre grupos que não coabitam tem sido notório. As pessoas sabem que Boticas não teve até à data casos de covid-19 e por isso sentem-se seguras e fazem tudo para que assim continue.

Existem planeamentos de futuras atividades?

Não! Tomámos a decisão de, para já, não promover grandes atividades ou atividades que atraiam muita gente, não queremos sentir o peso de ser promotores de ajuntamentos que possam possibilitar o contágio nesta fase. Caso venhamos a organizar algo será sempre para pequenos grupos, atividades especificas, como observação de aves, caminhada noturna ou outras iniciativas para grupos restritos. No entanto temos o compromisso, caso seja possível, de realizar o Boticas Trail com redução de vagas para metade, ou seja, quem já se inscreveu mantém a inscrição, e temos apenas mais 150 lugares das 400 vagas atuais, pois tínhamos lugar para 800 atletas que muito provavelmente esgotaria, tal como na edição anterior. No que diz respeito ao alojamento, a nossa capacidade é bastante reduzida e está praticamente esgotada até final de agosto. Há uma procura enorme pelo interior e, se soubermos aproveitar a oportunidade, a moda pode vir para ficar. Resta-nos ser responsáveis e pacientes, respeitar as normas e principalmente respeitar o próximo. Talvez hoje já possamos dizer que “vai ficar tudo bem” se formos responsáveis todos, sem exceção.

Qual o horário do Parque de Pesca?

Sobre o Parque de Pesca e Truticultura do Rio Beça apenas somos responsáveis pela parte lúdica e turística, que funciona aos fins de semana e, para já, das 10h às 12h e das 14h às 18h. O espaço é gerido pelo Município de Boticas e podemos informar que neste momento estão a aceitar encomendas para a restauração e abriram a venda ao publico durante a semana. Podem contactar diretamente através do número 276 410 207. Este espaço é cada vez mais procurado pela qualidade das trutas que resulta do trabalho afinco dos funcionários do Viveiro numa tarefa que não é fácil pois são animais sensíveis.

Grande parte da produção serve para repovoamento dos rios do concelho e o restante para a venda. Neste momento funciona também como centro de reprodução do mexilhão de rio, que embora ainda pouco conhecido é um trabalho de extrema importância para a conservação do Rio Beça.

Mariana Carvalhais Araújo

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