A autarquia de Valpaços anunciou que “decidiu manter encerrada a piscina municipal durante o verão” e que “não promoverá o projeto Férias em Grande”, destinado às crianças e jovens, por considerar “não estarem reunidas as condições ideais de segurança”, como forma de prevenir a propagação da covid-19.

Ao contrário do que vem acontecendo ao longo dos últimos anos, a Câmara de Valpaços suspendeu o projeto Férias em Grande, iniciativa promovida de forma gratuita pela autarquia e que pretende ocupar o tempo livre das crianças e jovens do concelho, com idades entre os 6 e os 15 anos, durante os meses de verão. A última edição, 11ª, contou com a participação de cerca de 350 crianças em atividades que “aliam o desporto à aprendizagem de novos conhecimentos”.

Amílcar Almeida, presidente da Câmara de Valpaços, considera que apesar de não haver casos confirmados de covid-19 no concelho, não estão reunidas as melhores condições nem para realizar as “Férias em Grande” nem para abrir a piscina municipal ao público.

O programa “Férias em Grande” tem tido grande procura não só por parte das crianças do concelho, mas também pelas crianças que residem fora do concelho e que regressam nesta altura para junto dos avós e de outros familiares em Valpaços.

“Se tudo corresse bem, por mais que adotássemos os comportamentos e as regras que neste momento estão em uso, o distanciamento social, o uso da máscara, lavar regularmente as mãos, ninguém iria privilegiar o trabalho dos nossos funcionários. Mas se porventura corresse mal naturalmente que o culpado era o presidente da câmara”, refere Amílcar Almeida, lembrando que “no meio onde estamos inseridos, se o pai e a mãe trabalham, há sempre um avô, uma avó, um tio, uma tia, ou o filho mais velho para tomar conta dos irmãos”, não necessitando de estar “enjauladas na habitação” como acontece nos centros urbanos.

Com uma população maioritariamente envelhecida, a autarquia tem sensibilizado os seus habitantes para que respeitem as normas da autoridade de saúde e tem ainda promovido várias ações de limpeza e higienização para evitar a propagação da covid-19.

Emigrantes são bem-vindos ao concelho

Amílcar Almeida apontou ainda a chegada dos emigrantes dizendo que estes “são bem-vindos, porque são eles que mexem a nossa economia, e de que maneira, e continuam a ser importantes”. Porém, lembra, que todos têm de respeitar as regras da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A piscina municipal de Valpaços recebe diariamente, em média, cerca de 500 veraneantes. Este ano, e devido à covid-19, o espaço apenas poderia receber 100 pessoas. Para o autarca valpacense abrir as piscinas e permitir a entrada apenas a esse número de pessoas “seria prestar um mau serviço”: “E então os outros 400? E depois alguém que fosse ao bar ou à casa de banho teríamos de ter o cuidado acrescido de estar sempre a desinfetar no sentido de evitar as cadeias de contágio”.

Praias fluviais e ecovia do Rabaçal poderão ser a alternativa para muitos veraneantes

O autarca salienta a existência de outras opções para os veraneantes como é o caso das duas praias fluviais, a praia fluvial do rio Rabaçal e a praia fluvial do rio Torto, junto à localidade de Miradezes, que apesar do risco de contágio continuar a existir, as probabilidades são menores uma vez que os espaços são maiores e ao ar livre.
“Queremos dar o exemplo e não criar situações preocupantes que possam prejudicar a população. (…) Posso ser aplaudido por uns, criticado por outros, mas acima de tudo procurei ser ponderado e atender aos interesses da população, nomeadamente aos jovens e às crianças porque contraindo o vírus levavam-no para casa e poderíamos pôr em perigo a saúde pública deste concelho. O nosso trabalho neste momento é unir e não dividir, preocupando-nos com todos. Naturalmente que respeito a opinião do colega de Chaves e de Vila Pouca de Aguiar, julgo que foram os dois do Alto Tâmega que tomaram uma atitude diferente aos demais, mas não podemos correr riscos”, realçou o responsável.

Para além das praias fluviais, os visitantes têm ainda a oportunidade de conhecer o concelho através da Ecovia do Rabaçal, com 60 quilómetros, e que permite estar em contacto direto com a natureza, relaxar e desfrutar da companhia da família.

O município de Boticas também decidiu não reabrir as piscinas municipais descobertas por causa da pandemia.

Cátia Portela

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