Os deputados do PSD do distrito de Vila Real enviaram na quinta-feira, dia 14, um documento à ministra da Saúde onde defendem a criação de uma Unidade de Cuidados Intermédios (UCIM) no Hospital de Chaves.

No documento, os deputados do Partido Social Democrata (PSD) referem que a criação desta nova unidade no Hospital de Chaves traria benefícios, tanto para os doentes como para a própria gestão e organização assistencial, com ganhos nos cuidados prestados, e enumeram: melhor estratificação da gravidade e instituição de um tratamento mais precoce com ganhos no domínio da prevenção dos danos; evitar atrasos na admissão dos doentes; maior disponibilidade de camas para doentes em estado crítico e alívio do recurso à unidade de cuidados intensivos. Além de permitir o downstaging de doentes dos Cuidados Intensivos para uma UCIM mais perto da sua área geográfica. Outra vantagem apontada pelos responsáveis é a criação de diferenciação e a retenção de profissionais de saúde, assim como se evitaria transportes desnecessários, para mais considerando que o transporte destes doentes implica o acompanhamento de um médico e de um enfermeiro, e acrescentaria uma nova valência, com importantes ganhos no tratamento de doentes.

No texto, os deputados eleitos pelo círculo de Vila Real lembram que o Hospital de Chaves, pertencente ao Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), integra a Rede de Urgências como Médico-Cirúrgica, tendo como área de abrangência os concelhos de Chaves, Montalegre, Boticas, Valpaços e algumas localidades do concelho de Vila Pouca de Aguiar e de Ribeira de Pena, num total de 94.143 habitantes.

“É de ter presente que, de acordo com a Rede Nacional de Especialidade Hospitalar e de Referenciação Intensiva, ‘deverá existir um SMI em todos os hospitais com Serviço de Urgência Polivalente ou Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica (…)’. Ora, a Unidade de Cuidados Intermédios mais próxima de Chaves encontra-se em Vila Real, distando mais 70 quilómetros da cidade de Chaves e inclusivamente de mais de 100 quilómetros relativamente a outras localidades servidas por essa Unidade”, esclarecem.

A área de influência do CHTMAD abrange cerca de meio milhão de habitantes, mas dispõe apenas de 12 camas de cuidados intensivos e de 12 camas de cuidados intermédios, e somente na sua Unidade de Vila Real, um número inferior até ao da realidade nacional. A UCIM consiste numa valência intermédia entre as Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) e a Enfermaria, e destina-se ao tratamento de doentes críticos que não preenchem os critérios de admissão numa UCI. Estes doentes necessitam de algum suporte técnico e monitorização contínua não exequível numa Enfermaria Geral.

Em 2012 o estudo “The Variability of critical Beds in Europe” concluiu que Portugal dispunha de 4,2 camas de cuidados intensivos por cada 100 mil habitantes, ratio que foi subindo ao longo da presente década, mas que se mantém ainda inferior ao necessário. Recentemente, a ministra da Saúde estimou um ratio de sete camas em cuidados intensivos em Portugal por 100 mil habitantes, um número muito inferior à média Europeia de 11,5 camas por cada 100 mil habitantes.

Por último, os deputados referem no documento que, segundo a Organização Mundial de Saúde, 14% dos infetados com covid-19 padecem de pneumonia, ficando inclusivamente 5% em estado crítico. “E é precisamente para este subgrupo de doentes em estado crítico que a UCIM poderia dar um apoio fundamental, aumentando a capacidade de resposta do CHTMAD”.

loading...
Share.

Deixe Comentário