Eng. Miguel Caetano

Eng. Miguel Caetano

A teoria do baixo carbono é a expressão usada na economia do século XXI e significa inovar processos produtivos e soluções tecnológicas que resultem em menor impacto sobre o clima do planeta.
Tem significativa relevância a busca de eficiência e alternativas energéticas, redução de emissões de gases de efeito de estufa e gestão de recursos em sustentabilidade.
Definitivamente, o que se pretende, segundo orientações governamentais, é a aprovação e implementação de instrumentos económicos que incentivem investimentos em atividades que permitam a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), contribuindo de uma forma decisiva para que alterações climáticas invertam o ciclo de degradação do meio ambiente e torne sustentável a vida no planeta Terra, porque fortemente ameaçado com as sucessivas catástrofes que temos vindo a assistir.
Logo, o surgimento do conceito de “economia de baixo carbono” gerou o mercado de carbono, no qual os países com taxas de emissões abaixo do limite, podem vender créditos para as nações que emitem acima da marca permitida, o que transfere recursos para os países mais limpos, permitindo-lhe um investindo em procedimentos e tecnologias verdes, que reduzem a poluição do ambiente.
O portal do governo, nomeadamente o Ministério do Ambiente e Ordenação do Território, disponibiliza informação que pretende estimular e desenvolver atividades que levem à redução da fatura do carbono. Eis as recomendações sugeridas:
Pontos Fortes
• Potenciais energéticos endógenos significativos para a produção de energia a partir de fontes renováveis (solar, eólica, das ondas, biomassa florestal e agrícola, e biogás); desenvolvimento da microgeração (produção em simultâneo de energia elétrica e calorífica).
• Crescente otimização dos modelos de iluminação pública e da gestão energética dos edifícios públicos, serviços, indústria e nos transporte coletivos e outros.
• Boa centralidade no acesso às redes de transporte e de distribuição de gás natural e de energia elétrica.
• Crescente sensibilização para a aquisição de transportes coletivos movidos a eletricidade e a gás natural, menos poluentes, sendo de relevar a rede de parques de estacionamento de Lisboa com sistemas de recarga de veículos elétricos.
• Rede de transportes coletivos com investimentos significativos na cobertura e prestação de serviços, relevando-se ainda a expansão de redes e a renovação de frotas (veículos mais eficientes).
• Clima favorável à utilização dos modos suaves de transporte.
Pontos Fracos
• Elevada dependência energética da exterior sustentada nos combustíveis fósseis ou na eletricidade gerada com base nestes.
• Défice de articulação entre os sistemas de transportes e uma ocupação urbana muito dispersa e fragmentada, dificilmente articulável com sistemas de transporte em via dedicada e dificultando a adoção de modos suaves e retirando eficácia às redes de transporte coletivo.
• Falta de cultura energética e ambiental, em particular nos setores da construção e da indústria, com consequências na baixa eficiência energética do edificado público e privado e das atividades económicas.
• Desarticulação dos meios de transporte coletivo, fraca intermodalidade e excessivo recurso ao transporte individual.
• Existência de transportes coletivos com algumas frotas antigas de menor eficiência energética e com peso nas emissões de gases de efeito de estufa, nomeadamente o CO2 (dióxido de carbono).
• Deficiente tarifação dos acessos a Lisboa e do estacionamento.
Oportunidades
• Orientações dadas pelo PNAEE – Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética para o período:
2013-2016; PNAER – Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis para o período 2013-2020, e pelas Diretivas Ef-Energética e “EPBD”.
• Melhoria da rede de transportes coletivos, alargando a cobertura da população e promovendo a intermodalidade e a utilização de modos suaves de transporte.
• Alteração do paradigma energético, possibilitando o surgimento de soluções inovadoras, mormente no setor dos transportes, potenciadoras da eficiência energética.
• Promoção de medidas para implementação da eficiência energética no setor doméstico e dos serviços no quadro dos roteiros de baixo carbono e com vista à redução dos gases com efeito de estufa (diminuição da pegada de carbono)*.
• Efeito dinamizador do aproveitamento do potencial endógeno e do aumento da eficiência energética na atividade económica e nos edifícios.
• Priorização política para a execução das principais medidas que compõem o ECO.AP – Programa Específico de Eficiência na Administração Pública.
• Aprofundamento da cultura indutora de regeneração urbana, enquanto instrumento fundamental para a resolução dos problemas de mobilidade e de dependência energética.
Ameaças
• Restrições orçamentais com consequências no preço e no serviço de transporte coletivo prestado.
• Incumprimento das metas de redução das emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa).
• Incumprimento das metas relativas à penetração de fontes renováveis no setor dos transportes até 2020 (10%).
• Consequências das alterações climáticas.

Nota:
* “Pegada de carbono” é a expressão que define toda a emissão de gases poluentes envolvidos na produção, no transporte, na comercialização e no destino final dos resíduos gerados pelo consumo de determinado combustível.

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