O Cine Teatro de Chaves, situado na Rua de Santo António, foi recentemente colocado à venda em hasta pública pela autarquia flaviense. O Partido Socialista (PS), em conferência de imprensa na passada quarta-feira, demonstrou a sua indignação para com esse facto.

DSC_4266O Cine Teatro de Chaves foi em tempos o local para o qual as pessoas se deslocavam para assistir a peças de teatro, cinema, e outras atividades culturais. Este espaço foi ainda o palco escolhido pelo General Humberto Delgado para a realização de um comício sobre a defesa da democracia, a 22 de maio de 1958. Hoje, é evidente o abandono e degradação deste edifício tão icónico para muitos flavienses.

Com a entrada deste imóvel para o mercado de vendas, Nuno Vaz, presidente da concelhia de Chaves do PS, fala em “xenofobia política e erros de gestão”. O imóvel, onde durante vários anos funcionou o Cine Teatro de Chaves, foi adquirido em 2000 pela Câmara Municipal de Chaves, na altura sob gestão do Partido Socialista. O objetivo seria voltar a dar vida ao Cine Teatro de Chaves transformando-o num “moderno e funcional espaço de cultura e arte, com 575 lugares, e contribuir, assim, decisivamente para a dinamização económica e cultural do centro da cidade”, explicou Nuno Vaz. O projeto apresentado pelo executivo de então foi homologado, em 2001, pela ministra do planeamento. No entanto, um ano depois, este projeto foi posto de parte pelo Partido Social Democrata (PSD) que tomou as rédeas da autarquia flaviense afirmando que naquele espaço seria construído um centro cultural, mas isso não se realizou e o edifício foi posto à venda pela primeira vez no ano de 2006. Contudo, por falta de interessados a venda não se concretizou.

Dois anos depois, através do Programa de Regeneração Urbana do Centro Histórico de Chaves, em conferência de imprensa, ficou a promessa de reabilitar o imóvel em questão para a criação de um centro multiusos: “Esta proclamação pública de investimento não passou de mais uma falácia política para enganar os mais incautos, pois constata-se, hoje, que nunca foi revelada efetiva vontade de recuperar e devolver à cidade e aos flavienses um ‘Cine Teatro’ renovado e ajustado aos novos tempos e às novas necessidades”, conta o presidente do PS de Chaves.

Mais recentemente, em 2014, o atual executivo camarário revelou um novo destino para o edifício: a criação de uma loja do cidadão, que concentraria todos os serviços públicos centrais e locais, para que os cidadãos flavienses tivessem o acesso aos mesmos facilitado. Este projeto também não se concretizou, e hoje o imóvel está mais uma vez à venda. O PS diz não entender o “porquê de tanta reviravolta com o edifício. É estranha toda esta mudança de afetações”.

Francisco Melo, vereador da Câmara Municipal de Chaves, esteve também presente na conferência de imprensa e afirmou que “a recuperação do centro histórico traz mais pessoas à cidade. Quando isso não acontece, desincentiva principalmente as empresas”, o que se traduz em menos investimento.

O Partido Socialista deixou a promessa de, caso saia vencedor nas próximas eleições autárquicas, travar, se ainda for possível, a venda do imóvel e “transformá-lo num espaço multiusos, com atividades para todos”.

“As palavras e as promessas foram em abundância, todavia as obras, mesmo as de simples conservação e manutenção, foram escassas. Aliás, não foram nenhumas. A Câmara Municipal de Chaves violou o dever de conservação de imóvel onde funcionou o Cine Teatro de Chaves, traduzido na obrigação de fazer obras de forma periódica, pelo menos de oito em oito anos, e sempre que se revelem necessárias. Tratar o antigo Cine Teatro de Chaves como um qualquer edifício é um erro crasso, motivado por xenofobia política, que empobrece a memória coletiva cultural da comunidade flaviense”, concluiu Nuno Vaz.

Maura Teixeira

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