A propósito da XXI Feira do Folar de Valpaços, A Voz de Chaves entrevistou o autarca valpacense, que falou sobre as expetativas para o certame de maior relevo económico organizado no concelho, bem como do futuro que espera auspicioso na qualidade de vida dos valpacenses, no desenvolvimento do setor primário e no turismo.

A Voz de Chaves – Na véspera de mais uma Feira do Folar, um evento já com uma larga história, acha possível continuar a crescer?

Amílcar Almeida – Tenho a certeza que sim. Repare, se recuarmos às primeiras edições e analisarmos a sua evolução até hoje, verificamos que a Feira do Folar de Valpaços tem vindo sempre a crescer, quer em número de participantes, quer em número de visitantes. Há sempre algo que podemos acrescentar e melhorar de ano para ano.

Conquistámos o selo de Indicação Geográfica Protegida para o Folar de Valpaços, que foi uma grande marca ainda no nosso primeiro mandato, este ano temos já o folar tradicional certificado ou em fase de certificação e em 2020 só participará quem esteja em condições de apresentar o folar com IGP, porque isso traduz a qualidade e o mérito de quem trabalha.

Renovámos também a imagem da feira, trazemos diferentes animações, temos em projeto um pavilhão adjacente ao já existente para comportar os restaurantes e tasquinhas, entre outras funções, portanto eu penso que podemos sempre fazer mais e melhor, apesar da longevidade do evento.

Continuará, portanto, a ser uma aposta da autarquia?

Sem dúvida. A Feira do Folar de Valpaços é uma montra dos produtos da terra que rende 1,5 milhões de euros, através da restauração, hotelaria e comércio locais.

É uma aposta mais que ganha, até porque estamos a falar de um investimento nosso e que traz vantagens apenas para os produtores locais, porque como sabem não existem expositores na feira a não ser produtores do concelho. É uma oportunidade única que abre depois várias portas e meios de comercialização para o resto do ano.

Durante os três dias são esperados entre 150 a 200 mil visitantes, muitos deles provenientes da vizinha Galiza e de toda a região Norte de Portugal, que vêm procurar também outros produtos de excelência do concelho como o Azeite, o Vinho, o Fumeiro, a Castanha, a Amêndoa, o Bolo Podre, o Mel, etc. O concelho de Valpaços é um exemplo a nível nacional por que reúne num cabaz vários produtos de excelente qualidade.

Sabemos que tem uma reivindicação para continuar a assegurar essa qualidade e quantidade de produção no sector primário e assegurar a marca Valpaços – A Essência Natural…

Na expectativa de antecipar soluções para fazer face a períodos de seca e verões de seca prolongada e à falta de chuva, que já começa a criar constrangimentos aos nossos agricultores, queremos construir uma barragem sobretudo para rega e por ventura consumo humano.

É nosso propósito preparar o concelho para períodos de seca e assim prosseguir no desenvolvimento sustentável da marca ´Valpaços, a essência natural´ que tem alavancado nos últimos anos o desenvolvimento da atividade económica do concelho”.

É um investimento imprescindível, pois o setor primário rende a Valpaços cerca de 150 a 180 milhões de euros por ano, sendo a castanha o produto mais rentável, correspondendo a um volume de negócios que ronda os 50 milhões de euros por ano.

Por si só já justifica o investimento, mas acresce ainda os significativos investimentos no setor agrícola que estão a decorrer, sendo que estão a ser aplicados grande parte dos fundos comunitários destinados à região no nosso concelho.

Nunca se viu tanto investimento como agora na agricultura, na vinha, no olival, nos soutos, no amendoal, entre outros, não havendo praticamente terra ao abandono.

E como estão a decorrer as negociações para o apoio ao investimento?

Nós mandámos fazer às nossas custas o estudo da barragem, mas o projeto deve ser conjunto entre o Município e o Estado.

Atendendo à importância da água na agricultura e deste setor no concelho, em que exportamos mais 16 vezes do que aquilo que importamos, seria uma enorme injustiça a não aprovação deste projecto. Argumentos não nos faltam e já foram apresentados em reuniões várias em deslocações à capital, agora esperamos que o aviso seja aberto nas próximas semanas afim de apresentar a candidatura.

O país não pode olhar só para determinadas zonas em detrimento de outras, sendo imprescindível potenciar os territórios do Interior Norte.

Pela morfologia do nosso território, conseguimos com que a água possa chegar por gravidade a cinco freguesias importantes na produção de castanha, azeitona, amêndoa, maçã e de outros novos produtos, como goji e o mirtilo.

Numa primeira fase, o empreendimento terá uma capacidade de rega de 1.125 hectares, prevendo-se, depois, a criação de canais para conduzir e levar a água a outras freguesias.

Uma vez que estamos a falar de projetos, quais são os vetores da intervenção municipal na promoção turística e valorização do território?

Valpaços tem uma localização privilegiada, excelentes recursos naturais, equipamentos de qualidade, um património arquitetónico e religioso valiosíssimos e uma dinâmica cultural muito forte. É fundamental colocar tudo isto ao serviço do desenvolvimento turístico.

Já está no terreno o projeto da Ecovia, que pretendemos concluir em breve, e que ligará importantes pontos tendo como ligação o Rio Calvo e o Rio Rabaçal. Vamos, ainda, dar corpo à sinalização de percursos pedestres e também desenvolver três projetos de requalificação nas três praias fluviais do concelho, a Praia Fluvial do Rabaçal, Praia Fluvial de Rio Torto e Ribeira da Fraga, um projeto ímpar que atrairá muitos amantes do turismo natureza.

O Turismo é um setor primordial para o desenvolvimento económico do Concelho, tendo em conta todas as nossas potencialidades. A Câmara tem procurado encontrar soluções, junto de empresários, que permitam contrariar a sazonalidade do setor, pois queremos que a procura seja ao longo do ano e não apenas no verão. Já temos alguns espaços de turismo rural, de grande qualidade, que proporcionaram uma ocupação mais equilibrada do território, combatendo a desertificação e contribuindo para o desenvolvimento integrado do Concelho, que é o nosso grande objetivo.

É neste sentido que organizam já um leque de eventos significativo, alguns até de cariz nacional?

É verdade. Tem sido uma aposta nossa e dar-lhe continuidade é o nosso objectivo. Além de vários eventos locais, organizados em consonância com as nossas associações e instituições, ligados à Educação, ao Desporto e ao desenvolvimento Cultural no Concelho, temos promovido e apoiado eventos em diversas áreas de intervenção, tanto na cidade como nas freguesias, que atraem outros tipos de público.

Localmente podemos falar da Feira de Fumeiro de S. João de Corveira, do Bolo Podre de Santa Maria de Émeres, do Cebolo de Vassal, da Cereja de Argeriz, Rota das Adegas em Sonim e Barreiros, da Agrolila, em Veiga do Lila, etc.

Depois, noutro patamar, temos a rainha, a Feira do Folar de Valpaços, mas daqui a dias recebemos o Campeonato do Mundo de Enduro, de 3 a 5 de maio, que premeia a excelente organização e qualidade dos percursos que têm sido proporcionados nos eventos desportivos sob a tutela do Grupo TT Usprigozus e da Câmara Municipal.

Ainda no mesmo mês, de 31 de maio a 1 e 2 de junho, Valpaços será a capital do azeite, com a realização da Feira Nacional de Olivicultura – OliValpaços. Uma iniciativa importante para Valpaços, terra de enorme tradição na produção de azeite, e como sabemos, está mais que provado, de excelente qualidade. É um evento de referência, já realizado há décadas, mas que graças à nossa persistência, conseguimos trazer para Valpaços e já provamos na primeira edição, há dois anos, em que o balanço foi super positivo, que somos capazes de o organizar com distinção.

Importa, ainda, referir a Feira Franca, que é mais direcionada para os nossos emigrantes, que merecem “matar” saudades da nossa gastronomia e por isso reunimos os nossos produtos de excelência durante uma semana, ao final da tarde, para que possam conviver, saber o que se está a produzir no nosso concelho, tomar conhecimento com os nossos empresários e a nossa marca. Este ano decorrerá de 4 a 9 de agosto e reunirá ainda mais expositores e mais espectáculos musicais.

As Festas da Cidade e do Concelho, de 26 de agosto a 1 de setembro, são outra data do calendário anual que atrai milhares de pessoas ao concelho e, pouco depois, temos pela segunda vez a Festa do Vinho e das Vindimas, que vem colocar em destaque um outro produto nosso, de excelência. Será realizada no fim-de-semana de 28 e 29 de setembro e vai ser uma grande festa para comemorar a época das vindimas.
Teremos, ainda, como habitualmente, a Feira da Castanha de Carrazedo de Montenegro e a Cidade Encantada, na antecedência do Natal.

Claro que tudo isto só faz sentido se existir também um programa cultural forte, uma boa resposta ao nível dos agentes económicos, como a restauração ou o alojamento e dentro de pouco tempo teremos mais uma unidade com 44 quartos, de investimento privado, que vem colmatar uma lacuna existente ao nível da hotelaria na cidade.

Valpaços tem qualidade de vida? O que é que os valpacenses podem esperar do seu território em 2021?

Valpaços oferece uma excelente qualidade de vida a quem nos visita. A começar pela educação das nossas crianças, com escolas e equipamentos de cultura, desporto e lazer de qualidade, que as ajudam a valorizar-se como cidadãos.

Existem boas respostas públicas e privadas ao nível do apoio ao envelhecimento ativo. Iremos disponibilizar no segundo semestre do ano o Hospital de Valpaços, que contribui e muito para a qualidade de vida da população…

Mas há ainda muito para fazer, um longo caminho a percorrer, e é nisso e por isso que trabalhamos arduamente todos os dias.

Em 2021 pretendemos ver concretizadas muitas das propostas, dos nossos projetos, e acreditamos ter um concelho mais desenvolvido do ponto de vista económico, com mais emprego, mais turismo e com ainda melhor qualidade de vida.

E que outras medidas têm sido tomadas para incentivar o desenvolvimento do Concelho?

Para além do que está a ser feito na área do turismo, temos tido a preocupação de dinamizar a ocupação da zona industrial, onde se instalaram nos últimos tempos, um conjunto de empresas, às quais se devem juntar, dentro em breve, outras. Tenho a certeza que nos próximos meses teremos disponíveis mais postos de trabalho, o que sem dúvida me apraz anunciar.

As grandes linhas que orientam a atuação municipal, desde há seis anos, são o rigor na gestão, o combate ao desperdício, a procura de investimento público e privado e finalmente a preocupação com a qualidade de vida dos valpacenses.

Pretendemos concretizar, neste mandato, projetos já anunciados, que permitam requalificar o espaço público e equipamentos municipais, requalificar e ampliar as áreas industriais e apostar no desenvolvimento turístico.

Por falar em postos de trabalho, o Hospital de Valpaços está prestes a abrir?

Com muita satisfação posso dizer que estará disponível à população em breve. Esperamos inaugurar o Hospital de Valpaços no mês de agosto.

É uma obra muito particular, com uma série de constrangimentos atendendo à especificidade dos equipamentos e legislação do setor. Cada serviço que iremos disponibilizar tem recursos técnicos próprios, que exigem mão de obra qualificada, nem sempre disponível, daí o atraso nas obras.

Prestar um serviço de saúde de proximidade à população que contemple uma Unidade de Cuidados Continuados, Medicina Física e Reabilitação, Consultas Externas, Bloco Operatório, Internamento, Radiologia e Serviço de Apoio Permanente é uma ambição desde o primeiro dia em que me tornei Presidente da Câmara Municipal de Valpaços.

A nossa determinação foi decisiva para levar por diante os objectivos a que nos propusemos e é com enorme orgulho que participamos ativamente, e em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia de Valpaços, para que sejam criadas as condições necessárias para a reabertura do Hospital de Valpaços.

Para tal, recorde-se, foi assinado entre a Autarquia Valpacense, a Santa Casa da Misericórdia de Valpaços e a Administração Regional de Saúde do Norte o Memorando de Entendimento para a Reabertura do Hospital. A obra, cujo valor base ronda os 3 milhões de euros, é financiada em 50% pelo Município de Valpaços, num investimento que dá resposta à necessidade de prestação de serviços de saúde de proximidade aos Valpacenses e que, certamente, incrementará os índices de empregabilidade no concelho.

O envelhecimento do território é uma problemática transversal aos territórios do interior. O que é que a autarquia já fez ou pretende fazer para “fintar” essa tendência?

Este é sem dúvida um problema sério, fruto de uma política centralista de sucessivos governos, ao longo de muitos anos, e que exige medidas a vários níveis.

Oferecer uma educação de qualidade às nossas crianças e jovens penso que dá segurança a jovens casais que aqui se querem fixar e a autarquia tem aumentado o investimento a este nível. Felizmente temos também associações de grande qualidade, que complementam essa formação em termos culturais e desportivos, estendendo-a também a uma oferta cultural de qualidade aos adultos, e que o Município apoia regularmente.

Outra medida é a redução de impostos sobre os munícipes, dentro dos limites que a lei permite. Depois, a criação de emprego, permitindo fixar a população, em particular os jovens. Aqui a autarquia não pode fazer tudo, mas pode apoiar e facilitar no que está ao seu alcance a instalação de empresas, bem como adquirir bens e serviços a empresas do concelho. Temos em curso um projecto no setor agro alimentar que criará mais 15 postos de trabalho, bem como um outro projeto na zona do Cabeço, com a instalação de 150 mil painéis fotovoltaicos que fomentará a criação de postos de trabalho.

Não nos podemos esquecer que a criação da marca Valpaços – A Essência Natural, implementada por este executivo, abriu muitas portas e canais de comercialização que hoje permitem que os nossos produtos sejam reconhecidos em Portugal e além-fronteiras. É algo que permite renovar o setor agrícola, com a fixação de casais jovens no concelho, e potenciar o nosso território.

Podemos dizer que existem produtores que esgotam a sua produção, o que nos orgulha e faz trabalhar com mais afinco nesse sentido, pois sentimos que os produtores estão connosco e vamos levar o barco a bom porto.

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