O presidente da Câmara de Chaves manifestou hoje a preocupação pela demora no arranque das obras do bloco operatório do hospital e o desagrado pela falta de compromisso do Governo para a criação de um serviço de paliativos.

Nuno Vaz falava aos jornalistas após uma reunião que promoveu hoje com a ministra da Saúde, Marta Temido, onde participaram, entre outros, um vogal do conselho de administração da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e o conselho de administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), à qual pertence a unidade de Chaves, no distrito de Vila Real.

O autarca socialista mostrou a sua preocupação pela “delonga inexplicável” no arranque das obras no bloco operatório.

“Estamos a falar das ‘obras de Santa Engrácia’, pois ouvimos falar delas há quase dez anos e mantém-se atual de um compromisso do centro hospitalar e do ministério da saúde”, sublinhou.

Sobre a criação de um serviço paliativo com 20 camas no hospital de Chaves, Nuno Vaz explicou que após a reunião de hoje percebeu que “a evolução relativamente ao processo não foi nenhuma”.

“Sobre esta matéria existem apenas intenções, que se terão traduzido a uma candidatura a fundos europeus para se concretizar o investimento de cerca de um milhão de euros, e tive a oportunidade dizer à ministra que foi um ano e meio quase perdido porque não há nesta matéria um compromisso firme”, explicou.

“Não conseguimos sobre este assunto ter o compromisso por parte da ministra que mesmo não havendo financiamento comunitário a obra arrancava e esta valência era criada em Chaves”, disse ainda.

O presidente da Câmara de Chaves congratulou-se ainda com a instalação do serviço de ressonância magnética naquela unidade hospitalar, um equipamento que “nunca existiu na cidade” e que o centro hospitalar transmitiu que irá começar a funcionar em outubro.

Mais consultas presenciais nos cuidados primários

O presidente da Câmara de Chaves mostrou-se também preocupado com a “diminuição significativa” do número de consultas presenciais nos cuidados primários, pedindo o seu aumento, e manifestou ainda dúvidas sobre a qualidade das mesmas.

“Os centros de saúde têm feito consultas não presenciais, e temos dúvidas acerca da efetividade dessas consultas e dos resultados de saúde. Era importante incrementar o número de consultas presenciais”, sublinhou.

E manifestou ainda “dúvidas sobre a qualidade das consultas presenciais”.

“Temos alguns relatos que nos dizem que as consultas presenciais não são feitas, em muitos casos, nas condições adequadas, que são feitas no corredor, em espaços que não garantem a reserva e intimidade dos utentes, fundamental na relação entre doente e médico”, alertou.

Após a reunião ficou “o compromisso de perceber o que efetivamente está a acontecer e de incrementar a atividade de consulta presencial e melhorar a qualidade das consultas”.

Nuno Vaz apelou também para a necessidade de garantir no serviço de urgência do hospital de Chaves “uma resposta na área da pediatria” para que esse serviço possa “estar presente 24 horas por dia durante os sete dias da semana”.

“Foi-nos dito que já existe durante 24 horas em três dias da semana, mas temos de garantir os próximos quatro”, realçou, explicando que obteve como resposta que há “a procura de recursos humanos, concretamente para a contratação de pediatras, para que seja resolvida a questão”.

O presidente da Câmara de Chaves explicou que demonstrou ainda o desagrado pela suspensão de atividade cirúrgica na unidade hospitalar de Chaves e pediu um “critério de equidade na gestão”.

“Foi-nos dado nota que em alguns momentos, na atividade programada, o bloco operatório tinha sido suspenso e disse-mos [na reunião]que não percebemos qual é o critério de equidade de gestão, o critério clínico para que essa suspensão tenha afetado menos outras unidades, como a central, em Vila Real, e que tenha afetado Chaves”, atirou.

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