Atraso no arranque das obras no bloco operatório, falta de urgência pediátrica nos sete dias da semana, diminuição das consultas presenciais nos cuidados primários ou indefinição sobre serviço de paliativos levaram Nuno Vaz a pedir reunião com ministra da Saúde. Em sentido contrário, há satisfação com chegada de ressonância magnética ao hospital de Chaves. 

Nuno Vaz promoveu uma reunião na segunda-feira, dia 29 de setembro, com a ministra da Saúde, Marta Temido, onde participaram, entre outros, um vogal do conselho de administração da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte e todo conselho de administração do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), à qual pertence a unidade de Chaves.
Para Nuno Vaz, quer a autarquia, quer a população, deve ter informação disponível para “criticar quando os serviços de saúde não são adequados às populações mas também reconhecer quando os serviços são de qualidade”.
E lembrou na reunião a área de influência da unidade hospitalar, a sub-região do Alto Tâmega, que tem cerca de 90 mil pessoas e é uma zona “envelhecida e com muitos problemas de mobilidade”.
Após a reunião ficou ainda o compromisso de se realizarem, de dois em dois meses, reuniões entre a autarquia, centro hospitalar e Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Alto Tâmega e Barroso, revelou.
“Faremos reuniões com uma agenda previamente definida para que possamos acompanhar a evolução dos processos e depois dar nota pública das conclusões. É importante que aconteçam, mas também que possam ser escrutinadas, acompanhadas e apreciadas pela população”, frisou.

Autarca preocupado com demora no arranque das obras do bloco operatório

O presidente da Câmara de Chaves manifestou preocupação pela demora no arranque das obras do bloco operatório do hospital e desagrado pela falta de compromisso do Governo para a criação de um serviço de paliativos.
“Estamos a falar das ‘obras de Santa Engrácia’, pois ouvimos falar delas há quase dez anos”, sublinhou.
“Explicaram-nos que a adjudicação já feita tinha sido sustida por uma providência cautelar ou por um processo judicial e que teria vindo há dez dias uma decisão a dar razão ao centro hospitalar, que rapidamente passaria para a fase seguinte, de colher visto do Tribunal de Contas para fazer as obras”, acrescentou.
Foi ainda assegurado que durante as obras não haveria encerramento da atividade cirúrgica porque elas irão “garantir uma atividade parcelar num dos blocos”.

Pedido de equidade para o Hospital de Chaves

O presidente da Câmara de Chaves explicou que demonstrou ainda o desagrado pela suspensão de atividade cirúrgica na unidade hospitalar de Chaves e pediu um “critério de equidade na gestão”.
“Foi-nos dado nota que em alguns momentos, na atividade programada, o bloco operatório tinha sido suspenso e dissemos [na reunião]que não percebemos qual é o critério de equidade de gestão, o critério clínico para que essa suspensão tenha afetado menos outras unidades, como a central, em Vila Real, e que tenha afetado Chaves”, atirou.
Após ter apontado para a importância de continuar a investir-se nos recursos humanos, Nuno Vaz disse que lhe foi comunicada a contratação de 2019 para 2020 de mais de 100 recursos humanos.
O autarca sublinhou, no entanto, que era fundamental ter acesso à “afetação desses recursos, como eles foram feitos a nível das três unidades”.
“Seria importante para que percebamos alguma equidade e igualdade, para que possamos fazer um acompanhamento próximo e atento”, vincou.

Elogios com chegada da ressonância magnética

O presidente da Câmara de Chaves congratulou-se, por outro lado, com a instalação do serviço de ressonância magnética naquela unidade hospitalar, um equipamento que “nunca existiu na cidade” e que o centro hospitalar transmitiu que irá começar a funcionar em outubro.
Nuno Vaz disse ainda que o hospital de dia de oncologia tem o serviço “a funcionar e que tem feito um trabalho importante”.
“Permite que muitos doentes oncológicos possam estar a ser seguidos na unidade de Chaves com recursos humanos de Vila Real, sendo este um aspeto positivo que a população não tinha conhecimento”, analisou.
Além de pedir uma melhor comunicação por parte do centro hospitalar, o autarca lembrou na reunião a área de influência da unidade de Chaves, a sub-região do Alto Tâmega com cerca de 90 mil pessoas, uma zona “envelhecida e com muitos problemas de mobilidade”.

Autarca pede aumento de consultas presenciais nos cuidados primários

O presidente da Câmara de Chaves mostrou-se preocupado com a “diminuição significativa” do número de consultas presenciais nos cuidados primários, pedindo o seu aumento, e manifestou ainda dúvidas sobre a qualidade das mesmas.
O autarca socialista sublinhou a necessidade de aumentar o número de consultas presenciais nos cuidados de saúde primários, após a diminuição devido à pandemia da covid-19.
“Os centros de saúde têm feito consultas não presenciais, e temos dúvidas acerca da efetividade dessas consultas e dos resultados de saúde. Era importante aumentar o número de consultas presenciais”, sublinhou.
E manifestou ainda dúvidas sobre “a qualidade das consultas presenciais”.
“Temos alguns relatos que nos dizem que as consultas presenciais não são feitas, em muitos casos, nas condições adequadas, que acontecem em corredores, em espaços que não garantem a reserva e intimidade dos utentes, fundamental na relação entre doente e médico”, alertou.
Após a reunião ficou “o compromisso de perceber o que efetivamente está a acontecer e de aumentar a atividade de consulta presencial e melhorar a qualidade das consultas”.

Serviços paliativos ainda sem compromisso do Governo

Sobre a criação de um serviço paliativo com 20 camas no hospital de Chaves, Nuno Vaz explicou que após a reunião de hoje percebeu que “a evolução relativamente ao processo não foi nenhuma”.
“Sobre esta matéria existem apenas intenções, que se terão traduzido numa candidatura a fundos europeus para se concretizar o investimento de cerca de um milhão de euros, e tive a oportunidade dizer à ministra que foi um ano e meio quase perdido porque não há nesta matéria um compromisso firme”, explicou.
“Não conseguimos sobre este assunto ter o compromisso por parte da ministra que mesmo não havendo financiamento comunitário a obra arrancava e esta valência era criada em Chaves”, disse ainda.

Urgência de pediatria deve funcionar 24 horas sete dias por semana

Nuno Vaz apelou também para a necessidade de garantir no serviço de urgência do hospital de Chaves “uma resposta na área da pediatria” para que esse serviço possa “estar presente 24 horas por dia durante os sete dias da semana”.
“Foi-nos dito que já existe durante 24 horas em três dias da semana, mas temos de garantir os próximos quatro”, realçou, explicando que obteve como resposta que há “a procura de recursos humanos, concretamente para a contratação de pediatras, para que seja resolvida a questão”.

Autarquia investirá no mamógrafo a confirmar-se necessidade

O presidente da Câmara de Chaves assegurou que se for comprovada a importância do mamógrafo no Hospital de Chaves, e se o Ministério da Saúde e centro hospitalar não o quiserem disponibilizar, irá suportar os custos.
“Primeiro desafiarei a CIM do Alto Tâmega para que financie em conjunto e se essa resposta não for positiva a Câmara fará um esforço suplementar para poder adquirir esse equipamento”, garantiu.
Nuno Vaz realçou que “não será pela falta desse equipamento que a população mais feminina ficará prejudicada desses cuidados a prestar”.
Estamos verdadeiramente empenhados e comprometidos”, garantiu.

Diogo Caldas

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