Uma das questões que os flavienses mais querem ver respondidas é: para quando a abertura do Museu das Termas Romanas de Chaves? Solução para resolver o problema da condensação foi encontrada e obras irão reiniciar já em setembro.

Foi no ano de 2006 que, aquando de obras encetadas pela autarquia de então para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, foram encontradas neste local as maiores termas medicinais romanas da Península Ibérica.

O edifício projetado por dois arquitetos ficou concluído dez anos depois. Contudo não foi pensada uma solução viável para a condensação existente no espaço, uma vez que a temperatura da água chega a ultrapassar os 60 graus levando à formação de gotas de água no teto e paredes do edifício.

“Penso que todos os flavienses conhecem os problemas associados a este projeto. Sabemos que houve alguma falta de profissionalismo que fez com que este tivesse sido aprovado sem que fossem acauteladas questões técnicas relacionadas com a climatização”, referiu Nuno Vaz, presidente da Câmara Municipal de Chaves, em declarações ao jornal A Voz de Chaves na passada segunda-feira, dia 22 de julho.

Não sendo a construção existente a mais viável nem a que mais agradou aos flavienses, muito se falou na sua demolição. No entanto, isto iria trazer custos muito avultados para a autarquia flaviense, como explicou o presidente da Câmara: “Qualquer perspetiva de desmonte, de destruição desta construção seria completamente inviabilizada porque isso implicaria uma devolução de fundos comunitários que no seu conjunto poderiam andar muito próximos dos 3 milhões de euros”.

Assim, teve de ser pensada uma outra solução que, para além de criar condições para que os visitantes possam aceder ao espaço sem serem confrontados com os efeitos decorrentes da condensação, preservasse as estruturas arqueológicas não deixando que essa mesma condensação as danificasse. Foi então nesse sentido que foram suspensos todos os trabalhos até que a solução ideal fosse encontrada.

Problema transformou-se em solução

Para encontrar a solução mais viável e definitiva, a Câmara Municipal de Chaves teve a colaboração do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Furo de captação de água quente

Foram feitos estudos ao nível da humidade, da temperatura exterior e interior, foi feita uma revisão do projeto, sobretudo no que diz respeito à climatização. A conclusão a que se chegou foi que a solução que já havia sido dada não garantia que dentro de poucos meses não voltasse a haver condensação. Assim, começou-se a trabalhar numa nova solução, tendo tudo isto tornado este processo ainda mais demorado.

“Isto obrigou à reformulação do projeto de climatização, à recolha de pareceres da Direção Regional de Cultura do Norte, mas também da autorização por parte da Direção-Geral de Energia e Geologia. E isto porquê? Porque a solução que havia sido encontrada foi que para resolver o problema da condensação seria através do aquecimento com água termal. E, portanto, a solução que está já a ser trabalhada é uma solução de geotermia. A água quente que brota nos tanques romanos e que constituía o problema de condensação, que libertava calor, que gerava mais humidade, e que em momentos de diferencial térmico fazia a tal condensação, é exatamente a solução”, explicou Nuno Vaz.

O furo existente mesmo em frente ao Largo do Arrabalde serve, de acordo com o autarca flaviense, “para captar a água quente existente naquele espaço. O projeto geotérmico que foi gizado previa que tivéssemos no mínimo 2.2 litros por segundo de água, e a verdade é que esta captação tem mais de 5.5. E, portanto, temos neste momento este recurso geotérmico que vai ser utilizado agora para fazer a ligação ao permutador que já existe no próprio edifício do Museu das Termas Romanas, e por essa via fazer o aquecimento do espaço, uma espécie de secagem do ar para que efetivamente deixemos de ter este problema de condensação”.

Em breve serão também retomadas as obras que irão permitir um maior arejamento do edifício, para depois poderem ser feitas as obras de musealização. Haverá ainda alguns equipamentos eletrónicos que vão disponibilizar aos visitantes informações históricas e também técnicas sobre as Termas Romanas.

Abertura prevista para o final do verão de 2020

Depois de duas datas previstas para abertura não cumpridas, o Museu das Termas Romanas de Chaves verá os seus problemas resolvidos e estará aberto ao público no final do verão de 2020. A garantia foi dada pelo autarca flaviense.

“A nossa expectativa é que até ao final do verão de 2020 esteja pronto. Gostaríamos que pudesse acontecer ainda durante o mês de julho, mas verdadeiramente não podemos ainda adiantar uma data concreta, sendo certo que prestaremos à população informação circunstanciada e em diferentes momentos, para que as pessoas possam conhecer a evolução do projeto. E esperamos que efetivamente este recurso singular, excecional, mais esta jóia da coroa possa, conjuntamente com o MACNA, com a Torre de Menagem e outros edifícios igualmente importantes, constituir uma oferta turística e cultural interessante e que possamos por esta via atrair mais visitantes e ter mais atividade, porque é isso afinal que nós queremos”, concluiu.

Maura Teixeira

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1 comentário

  1. João Junqueira on

    Para ficar bom, teriam que demolir. Assim vai ficar menos mau. É o país que temos. Quem paga? … somos nos, estética e monetariamente.

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