A utilização de máscaras como medida complementar para limitar a transmissão do novo coronavírus (SARS-CoV-2) não tem tido entendimento unânime nos vários países e organizações internacionais. Alguns, como a Áustria, recomendam o seu uso generalizado na comunidade; enquanto outros, como o Reino Unido, não o fizeram. A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a desaconselhar o uso de máscaras em pessoas saudáveis, perante o risco de criar uma falsa sensação de segurança, esquecendo as medidas básicas de distanciamento social, etiqueta respiratória e higiene das mãos. Atualmente, em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde (DGS), em linha com as recomendações da OMS e o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), recomenda a utilização generalizada de máscaras em espaços interiores fechados com muitas pessoas, como é o caso de farmácias, estabelecimentos comerciais ou transportes públicos, entre outros.

Existem diferentes critérios para classificar as máscaras. Para efeitos de prevenção do contágio do novo Coronavírus (SARS-CoV-2) tem sido preconizada a utilização de três tipos de máscaras.

Os respiradores ou máscaras autofiltrantes (Filtering Face Piece, FFP) são equipamentos de proteção individual (EPIs) destinados aos profissionais de saúde, e constituem o método de barreira mais eficaz. Atendendo à norma europeia, classificam-se segundo a sua capacidade filtrante em FFP1 (filtram, pelo menos, 80% das partículas em suspensão no ar); FFP2 (pelo menos 94%); e FFP3 (pelo menos 99%). Atendendo às normas do National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH), as máscaras classificam-se em três classes de acordo com o respetivo grau de resistência ao óleo, representado pelas letras N (sem resistência), R e P (totalmente resistente), acrescentando-se após a letra a percentagem de filtração das partículas em suspensão: 95%, 99% e 100%. Pode estabelecer-se uma equivalência entre ambas as classificações: uma N95 equivale a uma FFP2. Recomenda-se não usar os respiradores mais de 8 horas nem quando ficam húmidos. As máscaras com válvula de exalação reduzem a formação de humidade no interior e o embaciamento dos óculos; são mais confortáveis e protegem quem as usa, mas não protegem os outros, pois não filtram a saída de ar.

As Máscaras cirúrgicas (tipo I, II e IIR) foram criadas para serem dispositivos médicos de uso clínico com o objetivo de prevenir a transmissão de agentes infeciosos das pessoas que os utilizam, normalmente profissionais de saúde; a sua principal finalidade é normalmente a de proteger a saúde e segurança do doente, mas simultaneamente protegem também o profissional de saúde. São utilizadas pelos profissionais de saúde, ou profissões equiparadas de cuidadores, e doentes imunodeprimidos. São descartáveis, com um uso máximo recomendado de quatro horas.

As Máscaras não-cirúrgicas, comunitárias ou de uso social são dispositivos de diferentes materiais têxteis, não certificados, destinados à população em geral. Segundo o ECDC, não existe evidência científica que permita emitir uma recomendação a favor ou contra a sua utilização.

A viseira não dispensa a utilização de uma máscara complementar que cubra bem a boca e o nariz.

Deve ser garantida a colocação, uso e remoção adequada das máscaras para evitar o risco de propagação da doença. Primeiro há que higienizar corretamente as mãos, depois pôr a máscara com o lado branco (interno) virado para a face e o lado colorido (externo) virado para fora. Ajustar bem à face, cobrindo nariz, boca e queixo. Deve ficar confortável para não ser manuseada; se isso acontecer, volta-se a higienizar as mãos. No fim, tirar a máscara por trás, pegando nos atilhos ou elásticos, sem tocar na parte da frente. Deitar a máscara de preferência num saco fechado e higienizar novamente as mãos. No caso da máscara comunitária reutilizável, desinfetá-la com detergente, na máquina de lavar roupa, a uma temperatura de 60º pelo menos. É importante não deixar a máscara em superfícies que possam ser tocadas por outras pessoas.

Sabemos que existem indivíduos assintomáticos e que um indivíduo infetado é transmissor do vírus dias antes do início dos sintomas, sendo precisamente na fase precoce da doença que a carga viral é mais elevada. Também sabemos que as máscaras cirúrgicas podem reduzir as gotículas respiratórias e, como consequência, podem prevenir a transmissão de coronavírus das pessoas sintomáticas e assintomáticas para o ambiente. Por essa razão, nesta fase da pandemia com transmissão comunitária ativa, a DGS tem recomendado a utilização de máscaras cirúrgicas a todos os profissionais de saúde e a todas as pessoas que entrem em instituições de saúde, pessoas com sintomas respiratórios e pessoas vulneráveis, nomeadamente com mais de 65 anos, com doenças crónicas e estados de imunossupressão, sempre que saiam de casa. Alargou a recomendação da utilização de máscara cirúrgica, bem como outros equipamentos de proteção individual, a alguns grupos profissionais quando não é possível manter o distanciamento social, isto é, uma distância mínima de 2 metros entre pessoas, como é o caso das forças de segurança e militares, bombeiros, distribuidores de bens essenciais ao domicílio, trabalhadores nas instituições de solidariedade social, lares e rede de cuidados continuados integrados, agentes funerários e profissionais que façam atendimento ao público.

Embora a eficácia da utilização generalizada de máscaras pela comunidade na prevenção da COVID-19 não esteja provada, e não tendo efeitos adversos associados, o seu uso baseia-se no Princípio da Precaução em Saúde Pública perante uma doença (COVID-19) ainda em estudo. Porém, nunca é demais repetir que a utilização da máscara não pode conduzir à negligência das medidas fundamentais: higiene das mãos, distanciamento social e etiqueta respiratória.

Rosa R. Crespo

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