Chaves prepara-se para criar a maior rede urbana de calor “geotérmico” de Portugal Continental, um projeto piloto que abrangerá, numa primeira fase, um total de 25 edifícios a beneficiarem de uma fonte de energia renovável e limpa.

O presidente da Câmara de Chaves, Nuno Vaz, explicou que a rede irá servir 25 edifícios públicos e privados, que serão fornecidos com calor através da geotermia, graças ao aproveitamento da água termal que nasce no concelho entre os 66 e os 77 graus centígrados.
Segundo dados do projeto, com os 25 edifícios aquecidos desta forma pode ser evitada a emissão de até 1.300 toneladas de CO2 (dióxido de carbono) por ano.
O projeto-piloto, que tem um valor de 850 mil euros, comparticipado em cerca de 80% por um fundo de apoio à inovação, tem um prazo de execução de um ano e está previsto arrancar ainda durante 2020.
Na passada sexta-feira, dia 24 de janeiro, foi assinado o Contrato de Incentivo Financeiro para a Promoção da utilização da energia geotérmica, na presença do Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, seguindo-se a visita aos locais de captação da água termal e ao sistema de aproveitamento geotérmico do Hotel IBIS Styles, que constitui a mais recente ligação à atual rede geotérmica.
“Precisamos de criar territórios mais sustentáveis nas dimensões económica, ambiental e demográfica”, salientou Nuno Vaz.
Nuno Vaz conta que o processo de geotermia em Portugal Continental se iniciou verdadeiramente em Chaves, mas “de forma ineficiente”, sendo atualmente quatro os edifícios na cidade que são aquecidos desta forma.
O autarca socialista lembra ainda que, atualmente, na água termal usada em tratamentos tem de ser retirado o calor, consumindo energia para isso.
Assim, o objetivo é obter uma “dupla eficiência”, evitando o “dispêndio de energia para tirar calor à água, mas também aproveitar esse calor para aquecer atmosfericamente os edifícios”.
“Chaves dá o seu melhor contributo, na medida das suas capacidades”, salientou o Secretário de Estado Adjunto e da Energia ao referir que “o projeto nacional não avança se todos os territórios não derem os seus contributos. O país precisa de todos”. João Galamba afirmou que o Governo terá todo o interesse em expandir esta rede, podendo eventualmente ser equacionado o seu alargamento a privados, de forma a valorizar o recurso da água.
Em Chaves, o recurso à energia geotérmica já é utilizado em cinco equipamentos: no complexo termal, na Piscina Municipal, em duas unidades hoteleiras e num centro geriátrico da cidade.

Galamba realça uso das energias renováveis

“O uso da água termal, normalmente utilizado para lazer ou tratamentos termais, pode ser aproveitado para outros fins e tem um uso energético, substituindo o uso de outras fontes energéticas, normalmente fósseis”, vincou João Galamba.
Para o governante, ao contrário de outros países, onde a transição energética é “uma ameaça” para o seu estilo de vida, economia ou recursos, em Portugal é “o exato oposto”.
“É uma oportunidade para todo o país, e para cada um dos territórios, que saibam os territórios tirar partido dos recursos que têm. No sul será mais o vento e o sol, em Chaves também o vento e sol mais a geotermia”, exemplificou.
João Galamba realçou ainda que projetos como o da geotermia em Chaves serão apoiados pelo Governo de igual forma como os projetos de energia solar, eólica ou hidrogénio.
“Há financiamento nacional e europeu para isso, e há vontade nestes territórios para trabalhar este recurso”, atirou.

Diogo Caldas

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