A viver a melhor fase da carreira, António Filipe tem a plena convição que este plantel vai salvar o Chaves da descida. O guarda-redes de 33 anos é o único que resta do plantel que em 2016 festejou a subida e o regresso dos flavienses à Liga, 17 anos depois. Adaptado à vida em Trás-os-Montes, a vontade é prosseguir a carreira no clube que representa desde 2015.

A Voz de Chaves: O Chaves atravessa um momento delicado, em zona de descida, como o plantel tem vivido esta época?
António Filipe: Não é fácil trabalhar em derrotas atrás de derrotas, não é fácil para ninguém, pois começamos a duvidar uns dos outros, e chegámos a um certo momento em que conversámos, unimo-nos e começámos a ter resultados. Acreditámos nisso e começamos a ter resultados, e a sentir que unidos somos mais fortes. Só assim vamos conseguir a manutenção e mesmo com os adeptos aconteceu isso. Íamos para dentro de campo e as pessoas assobiavam e eles também perceberam que tinham de apoiar.

O plantel sofreu alterações durante a época, este plantel é capaz de alcançar a manutenção?
Sem me perguntassem se queria cá o Ronaldo ou o Messi… não sei se queria. Sei que confio nos meus companheiros, nesta estrutura, confio que não vamos descer. Tenho essa convicção que vamos conseguir e é com estes guerreiros que vamos conseguir.

Esta época o clube vai na terceira equipa técnica, depois de Daniel Ramos e Tiago Fernandes como está o grupo com a chegada de José Mota?
Quando vem um treinador novo sente-se a diferença. Temos de agradecer aos outros dois treinadores, pois também foram importantes, mas quando há maus resultados normalmente quebra pelo treinador. Com a chegada de José Mota voltámos a ganhar, não quer dizer que estivéssemos mal com os outros treinadores e a culpa é de todos. Temos de lutar, ser cada vez mais audazes para conseguirmos a desejada manutenção, pois todos merecemos, todos choramos, rimos e no fim vamos certamente festejar.

O próximo adversário é o Sporting, tiveram 15 dias para preparar este jogo…
O Sporting não pode esperar facilidade, porque vamos estar na máxima força para o conseguir. Como é óbvio, o nome Sporting só por si não ganha, mas tem bons jogadores, um plantel fantástico e não vai ser fácil. Dentro de campo é que se vai comprovar se o orçamento mais alto ganhará ou não. Temos que correr mais do que eles. Tenho um ‘feeling’, confio muito nestes companheiros e vamos conseguir um bom resultado.

A vitória no Aves foi o ‘click’ que precisavam?
Não digo um ‘click’, mas foi uma vitória extremamente importante para chegar perto das equipas que estão mais acima, ficou um lote de equipas que pode qualquer uma descer, está tudo em aberto e agora vencer o Sporting era extremamente importante.

“Estou a superar-me”

Agarrou a titularidade à 15ª jornada e leva 12 jogos consecutivos, estava à espera?
Não é que não tivesse à espera, pois trabalho para conseguir o meu espaço, mas o que tenho feito até agora, até a mim está a superar as expetativas, pois está a ser a melhor época. No ano passado fiz uma boa época, mas este ano as coisas desportivamente não nos estão desfavoráveis, e estou a superar-me. A concentração ficou redobrada, a ambição, como é natural, e é fruto do trabalho que tenho desenvolvido.

É a melhor época de I Liga, entre todas?
Claramente que sim. No Paços [de Ferreira]fiz boas épocas, mas nada comparado com esta época. Estou mais maduro, mais ciente do que é o futebol, e por isso mesmo está a correr bem e espero que continue a correr até final da temporada.

Está na melhor fase da carreira?
Sim, penso que sim. Gosto de cuidar do corpo, porque para os futebolistas é a nossa ferramenta de trabalho. A minha mentalidade é vocacionada para aí, sempre gostei do que faço, sempre valorizei e faço de alma e coração, com muito amor pela minha profissão. Trabalho todos os dias para mim, para conseguir o máximo de sucesso, pois ao conseguir, consigo ajudar os outros.

A boa relação com o colega de posição, o Ricardo, é importante para estarem a um nível alto?
Ajudamo-nos um ao outro e isso faz com que no treino seja mais fácil trabalhar, e depois transportar para o jogo. Temos uma relação muito boa, e só assim é que conseguimos trabalhar em condições.

“Quero renovar. É onde me sinto bem”

É o único jogador que subiu à I Liga em 2016 ainda a manter-se no plantel, surpreende-o?
Surpreende-me muito. Quando paro para pensar e me lembro que a subida já foi há três anos e parece ontem… Foi um orgulho muito grande poder ajudar o clube a subir. Poder subir e depois dar a continuidade, sinto-me já ‘valente transmontano’, como é óbvio. Gosto das pessoas, de estar cá, tratam-me muito bem e bate tudo certo.

Está em final de contrato, espera renovar?
Espero renovar, como é óbvio, e continuar aqui. É onde me sinto bem, gosto de cá estar, a minha família está comigo aqui e adora estar aqui, as pessoas tratam a minha família como se fossemos de cá e torna-se tudo muito mais fácil, para chegar aos treinos e estar com a cabeça limpa.

Como está o processo?
Houve conversações no início da época, mas nesta altura parou. Não há pressa, as pessoas sabem que eu gosto de estar cá e não quiseram apressar a renovação.

A família está habituada a viver em Trás-os-Montes?
É sempre diferente, porque lá em baixo é sempre mais confusão, muito transito, e aqui não, a cidade é pequena, as pessoas estão muito mais juntas e já conhecemos bem a cidade. O meu filho joga na Escola de Futebol do Benfica em Chaves e gosta de viver cá. As pessoas tratam-nos como se estivéssemos em casa e isso traz-nos felicidade.

Houve hesitação da saída do Paços de Ferreira, em 2015, para o Chaves?
Quando saí, tive um momento em que o telefone não tocava e eu desesperava… Tinha acabado de fazer uma boa época, mas não tinha propostas. Surgiu a hipótese do Chaves e não hesitei porque as pessoas quiseram-me cá. Valorizo isso e dou sempre prioridade, entre os vários convites que tive.

Qual a razão de ter apenas três clubes enquanto sénior [Gondomar, Paços Ferreira e Chaves]?
Eu por onde passo gosto de deixar a minha marca, não sou uma pessoa de criar confusão com ninguém, sou de trabalho e as pessoas gostam da minha forma de estar e personalidade.

Diogo Caldas

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