Desta vez foi a cidade de Chaves a eleita para acolher o “IX Encontro de Jornalistas e Escritores do Alto Tâmega, Barroso e Galiza”, organizado pelo Fórum Galaico Transmontano, círculo de estudos e divulgação.

Para além dos membros da direção do Fórum, estiveram presentes o Dr. Francisco Melo, vice-presidente da autarquia flaviense, e a Engenheira Paula Chaves em representação do município de Chaves, os oradores convidados e o público em geral.
Depois da sessão de abertura dos trabalhos, pelo professor Luís Carvalho, Dr. Francisco Melo e o Dr. João Barroso da Fonte, foram apresentadas as conferências, cujas temáticas suscitaram bastante interesse ao público presente, pelo que a conversa se prolongou mesmo durante o almoço/convívio, que teve lugar num restaurante local, debruçado sobre o Tâmega.
As temáticas escolhidas para as conferências são bem representativas do que se faz em termos de “estudos e divulgação” da história e das coisas das nossas gentes, aquém e além-fronteira, fazendo jus aos objetivos do Fórum Galaico Transmontano.
O primeiro orador foi o Dr. Jorge Alves Ferreira que abordou a presença dos judeus, dos cristãos-novos e marranos no Alto Tâmega, que tantas discussões, no meio intelectual e popular, tem suscitado! Salientando, entre outros pontos, que Chaves foi a sede da comuna judaica mais importante de Trás-os-Montes, de que a primeira escola, pelo menos confessional, a ser criada na então vila foi o genesim dos judeus, salientando, ainda, que existe grande possibilidade da imprensa em português ter a mão dos judeus flavienses, já que foi nesta vila que foram impressos, pela primeira vez em português, o Sacramental e o Tratado de Confissão, faz precisamente este ano 531 e 530 anos, respetivamente.
A Dra. Manuela Tender falou com emoção dos “transmontanismos como depositários dos valores e da cultura da região de Trás-os-Montes”, falar esse que nos identifica em qualquer região, no país ou no estrangeiro, onde haja um português. Salientou que essa cultura, esses falares, alguns dos quais só os transmontanos entendem o significado, devem ser passados às gerações mais novas, porque são uma mais-valia identitária, dos quais nos devemos orgulhar e até praticar no dia a dia. Bo!
A Dra. Nídia da Cunha falou-nos da “Eurocidade Chaves-Verín, dois países, um destino”, dando especial enlevo à água como destino e às diversas atividades desenvolvidas, como a rota do contrabando, em que a fronteira não separa, mas como traço de união entre dois povos irmãos que a política, em tempos, teimou em separar, por vezes até famílias, nas aldeias raianas. Essa mesma fronteira que em tempos separou, proibiu, mas também protegeu, é dinamizadora de uma cultura muito própria sobretudo no Couto Misto ou Mixto e nos povos promíscuos.
O Dr. Barroso da Fonte falou sobre as suas crónicas, na “Crónica Feminina”, e, apesar da idade, não regateia esforços para estar presente nestes eventos e entusiasmar o público com a sua prédica no sentido de enaltecer a região onde nasceu e passou parte da sua vida. Quando fala de Chaves e do Barroso faz-nos lembrar um adolescente enamorado por uma donzela, tanta é a paixão que põe nas suas palavras.
Por último, mas não menos importante, o diretor do jornal “A Voz de Chaves”, Paulo Chaves, falou sobre os novos desafios que se colocam à imprensa regional criados pela utilização massiva da Web. Desafios que, se superados, podem ser uma oportunidade para a imprensa de cariz local ou regional.
Depois do almoço, seguiu-se a visita ao Museu da Região Flaviense em ambiente muito descontraído, numa tarde de verão com alguma chuva.
Adaptando o dizer judaico “para o ano que vem em Jerusalém”, para o ano que vem no Alto Tâmega, Barroso ou Galiza, com o Fórum!

Amélia do Canto Alves Ferreira

loading...
Share.

Deixe Comentário