Mais de quatrocentas pessoas assistiram no passado fim-de-semana a um espectáculo da autoria de Francisco Diegues Doutel. Cerca de 45 participantes surpreenderam e deram a conhecer o Imperium.

À chegada, a limusina, o fogo-de-artifício, a aparência da felicidade oriunda do poder. À saída, a realidade, a consciência do efémero, a desilusão. Foi este o mote de mais um espectáculo de Francisco Diegues Doutel. O professor que não é só professor, o músico que não é só músico, o compositor que não é só compositor, e ainda autor de mais um espectáculo que encantou os valpacenses.

Entre sexta-feira, dia 13, e sábado, dia 14 de Agosto, mais de quatrocentas pessoas, porque a lotação no Centro Cultural Luís Teixeira é de duzentas, assistiram a Imperium.

Cerca de 45 alunos actuais ou que já passaram pela Escola de Música Osnabruck, de Francisco Diegues Doutel, com idades a rondar os 10 e os 30 anos, ensaiaram alguns meses, mais intensamente nos últimos dois, para levar ao palco o espectáculo musical, que é um retrato e uma mensagem para a sociedade.

O espectáculo está divido em quatro partes: o chafurdar, o repasto, a queda e ascensão. Segundo o autor, a divisão têm o seu significado: “o chafurdar, a visão dura depurada de qualquer bênção naquilo que o humano consegue como se nós fossemos animais que chafurdamos na nossa própria miséria quando temos valores e a necessidade, como seres humanos, de não nos limitarmos a chafurdar nas ideias que não temos, porque não as cultivamos. A segunda parte, o repasto a visão ainda mais cáustica da visão humana e depois a queda e, possivelmente, através de uma linguagem mais universal por tradição ancestral, a possibilidade remota, sim ou não depende de cada um de nós, de ascendermos a uma sociedade mais humana onde os valores retomam o lugar que merecem”.

“Uma mensagem muito forte”

O trabalho musical, que compreende a representação e movimento cénico,  “tem uma mensagem muito forte”. “É importante começar a ter a noção, em qualquer idade, que a vida não é só facilidade, mas a contraposição que se faz entre a dificuldade. Nós temos consciência que tudo o que fizermos a pulso tem um sabor mais intenso do que aquilo que nos é dado sem esforço nenhum, abrir os olhos para o mundo e tentar não ser mais uns tantos alienados e começar a perceber que há valores que é preciso mudar, revolucionar…se nos revolucionarmos a nós seremos de facto melhores”.

No final, a opinião era unânime “surpreendente e de grande qualidade, como o Chico já nos habituou”, confessavam à saída vários amigos e espectadores.

“Que majestosos imperadores! Professores e alunos proporcionaram-nos uma noite inesquecível! Bem-hajam”, esta era a opinião de Rosa Fernandes, uma das pessoas que comprou o Título para assistir ao espectáculo.

Francisco Doutel, que durante o Imperium apenas se “ocupou das luzes”, referiu que “de entre os espectáculos que já ensaiei com os alunos, este foi sem dúvida o mais gratificante de trabalhar. É um grupo de alunos excelente e estão aqui jovens com muitas capacidades. As palmas são para eles, que nem precisaram que eu estivesse aqui à frente a dirigir e conseguiram guiar todo o espectáculo sozinhos”.  Apesar da lotação esgotada nos dois dias de Imperium, ainda não existem certezas se o mesmo vai ser levado a palco novamente, pois todo o trabalho é desempenhado de forma voluntária e a maioria dos intervenientes são estudantes.

Cátia Mata

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