O Hóquei Flaviense quer reassumir um papel de destaque no desporto em Chaves e região, apostando na ‘prata da casa’ e na formação no futsal. Com o protocolo recente com o Desportivo de Chaves, o clube procura ser uma referência. À Voz de Chaves o diretor do Hóquei, Rui Videira, conta como vive atualmente o clube e quais os objetivos a curto, médio e longo prazo.

A Voz de Chaves: Qual é a realidade atual do Hóquei Flaviense?
Rui Videira: O que se tem vindo a fazer nos últimos três anos é tentar equilibrar a vertente desportiva com a vertente financeira, reequilibrar o clube em ermos financeiros, liquidar todas as dividas que se foram transportando nos últimos anos, quando a atual direção pegou no clube. Ao mesmo tempo queremos ser efetivamente um clube competitivo cada vez mais, apostar única e exclusivamente nas pessoas da terra, não entrar em loucuras em contratar jogadores em outros pontos e pagar ordenados. Iremos até onde podemos ir, se surgir a oportunidade de sermos campeões não vamos rejeitar a oportunidade.

Qual é a realidade financeira do clube?
Tem vindo a evoluir, tem-se vindo a liquidar bastante, no entanto, ainda há um longo caminho pela frente. Estamos a aproveitar, não um ano de interregno, pois há competição seniores, mas estamos a tentar reorganizar, com a ajuda de pessoas de fora do clube, como o André Veras que veio para ajudar na captação de patrocínios. O objetivo é o clube estar estável para com mais rapidez pensar na vertente desportiva.

Quais são os objetivos desportivos da equipa principal?
O nosso objetivo é sempre o mesmo, estar no patamar acima, sempre com os pés bem assentes, e sem cometer erros como foram feitos no passado com outras equipas da cidade e região. Quando estivermos nesse patamar agarrar a oportunidade, mas com os pés bem assentes, para não hipotecar o clube para sempre.

A formação é um objetivo do clube…
O que pretendemos da formação acima de tudo é estrutura-la enquanto clube profissional. Não é só ter formação por dizer que temos. Defendemos que a formação tem que assentar em determinados pressupostos, temos que ter no clube estruturas que permitam que a formação tenha qualidade, treinadores credenciados, investimentos em departamentos médicos, estruturarmos melhor toda essa estrutura para que seja dado o apoio a todos os atletas, na vertente mais larga do que engloba a formação. Não queremos só que os garotos saibam dar um pontapé na bola, temos que fazer a ligação com a pedagogia, com a questão técnico-tática da formação. Isso é difícil fazer, pois requer investimento, pois um formador só técnico de futsal é mais barato do que um formador também com pedagogia. Mas queremos que acrescente qualidade para num futuro próximo para ser referência.

Quais os principais entraves do clube nesta altura?
Face ao historial da cidade de Chaves com o futsal, perdeu-se o carisma do que era o futsal, pois os projetos que chegaram a estar nas principais divisões acabaram. Os projetos foram mal estruturados e não tiveram futuro. É isso que pretendemos mudar, daí a assinatura do protocolo com o GD Chaves, para reunirmos esforços de ambos os clubes para criar condições para que o futsal seja também atrativo e que não seja apenas futebol. O protocolo procura criar condições para ter formação no feminino, de forma a que o GD Chaves tenha condições para fomentar a sua equipa de futsal feminino e não tenha que procurar jogadoras fora.

O protocolo com o GD Chaves que procura obter?
Credibiliza um pouco o projeto do futsal, pois o nome do GD Chaves é forte. Sendo um clube profissional com um clube semiprofissional podemos da parte deles acrescentar valor todos os princípios da formação do que é a organização de um clube. Para eles trazemos o know-how do futsal e que podemos acrescentar com os recursos humanos para os apoiarmos no futsal feminino, que pretendemos que sejam cada vez mais competitivos e se mantenham por longos anos na 1ª Divisão.

Vão jogar com os equipamentos do GD Chaves?
Isso ainda não está completamente definido, pois o símbolo do GD Chaves não podemos utilizar sendo os dois clubes filiados no nosso equipamento. Isso é um pequeno entrave, mas da parte do clube em termos de cor da camisola não há qualquer entrave e vamos procurar um meio termo. Vamos procurar dar enfase ao protocolo que temos.

As maratonas vão regressar?
As maratonas têm condicionalismos atuais diferentes do passado. As organizações no passado tinham apenas de vontades próprias de autoridades locais e clubes. Atualmente tem que ser homologadas pelas associações, há especificidades para isso, que todos os atletas tenham exames médicos e tenham de estar inscritos. Nem sempre isso é possível fazer, algumas equipas chegam em cima da hora, nem todos os atletas são federados. Com o município poderá ser pensada uma forma de reorganizar as maratonas e pensar a melhor forma de as organizar, entendemos que é um evento que a cidade merece e aprecia.

Como tem sido enfrentar a pandemia?
Todos os dias temos novidades, e obrigam-nos a reinventar o que temos de fazer para que seja possível uma realidade. O maior cuidado tem a ver com o cumprimento das regras impostas pela DGS. Não podendo reduzir o risco para zero assegurar o mínimo risco possível. Implementamos regras para treinos e jogos, vamos complementado com outras diretrizes, mas é efetivamente difícil organizar, praticar a modalidade porque há condicionantes que não controlamos. A formação não estamos autorizados a avançar, acima de tudo está a segurança dos garotos e pensamos desta forma.

Do futebol para o futsal, Vieira é capitão do Hóquei

Após uma carreira dedicada ao futebol onze, o guarda-redes flaviense Luís Vieira está agora na segunda época na aventura no futsal, ao serviço do Hóquei Flaviense, onde já é capitão.

“Houve um convite o ano passado, aceitei, experimentei e disse logo nas primeiras palestras, foi fácil chegar e querer ficar, o grupo é fantástico, senti-me bem e depois foi treinar e perceber o que é o futsal. Estamos sempre a aprender, por isso é que treinamos e jogamos, com este grupo fantástico torna-se mais fácil”, contou. Apesar dos 40 anos, Vieira continua em forma nesta nova modalidade e lembra que o clube pode fazer uma boa época, pela qualidade que existe: “Queremos dar continuidade ao bom trabalho que estava a ser feito na última época, estávamos com bons resultados. Não houve muito tempo para trabalhar a equipa, devido à pandemia e falta de pavilhão, treinamos em outros locais, a malta aderiu bastante, aplicou-se, e estamos no bom caminho”.

André Veras junta-se ao projeto

O antigo diretor dos sub-23 do SC Braga está de regresso à sua cidade e aceitou o desafio de integrar a estrutura do Hóquei Flaviense, como diretor e também como jogador.

“Já há muito que tinha sido desafiado pela Isabel e Rui Videira e agora tudo se proporcionou. A ambição é trabalhar no futebol 11 mas por agora quero ajudar o Hóquei como jogador e também a estruturar o clube”, confessou o flaviense de 34 anos. “É mais um desafio na minha carreira, comprometi-me com eles para chegar ao final desta época e termos as dividas saldadas para no futuro olhar para outros voos com os pés assentes na terra. Muitos clubes foram criados e acabaram em Chaves, os patrocinadores cansam-se de deitar dinheiro para os de fora, temos muitos bons valores em chaves e deve-se investir cada vez mais nos de cá”, apontou.

Veras lembra que há muitos bons jogadores, patrocinadores e público em geral em Chaves que se foi afastando da modalidade e quer inverter esta situação.

Diogo Caldas

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