Já ouviu falar no “geocaching”? Trata-se de uma “caça ao tesouro” tecnológica, cujo objectivo é encontrar caixas escondidas em vários pontos e monumentos do país. Em Portugal, o jogo já conta com 5 mil adeptos. No Alto Tâmega, também há alguns entusiastas como Altino Rio, que escondeu um “tesouro” em Outeiro Seco

Sabia que há “tesouros” escondidos na Ponte Romana, no Castelo de Chaves, na barragem da Abobeleira e em Outeiro Seco? Podem estar debaixo de uma pedra, num pinheiro ou num muro e são colocados por adeptos do Geocaching, uma “caça ao tesouro” ao ar livre feita com a ajuda de um GPS. Este jogo de aventura surgiu em 2000 nos Estados Unidos e actualmente existem mais de 1,2 milhões de “tesouros” (chamados “caches”) escondidos em mais de 200 países.

Em Portugal, o número de aventureiros ultrapassa os 5000 e há cerca de 4700 “tesouros” por todo o país. Na região do Alto Tâmega, também há vários. Um deles está em Outeiro Seco e foi posto por Altino Rio a 8 de Agosto do ano passado. Foi o filho que lhe falou deste jogo “inovador”. “Esta é uma forma de divulgação junto de pessoas que provavelmente nunca iriam visitar a aldeia”, explica Altino Rio, que já foi presidente da junta de Freguesia de Outeiro Seco e editou revistas e livros sobre a aldeia. Embora tenha deixado de exercer o cargo local, o professor quer continuar a contribuir para a promoção turística da localidade.

Depois de se inscrever no site oficial, Altino Rio escolheu um local estratégico em Outeiro Seco para esconder o seu tesouro: uma caixa de plástico hermeticamente fechada, de modo a não ser destruída pelo mau tempo. Mas antes de chegar ao tesouro, o caminho é longo. O praticante – conhecido como “geocacher” – é obrigado a percorrer vários pontos da localidade, que estão associados a uma coordenada de GPS. Chegado à primeira, o “caçador” tem de responder a uma pergunta para saber a próxima georefêrencia, até chegar ao tesouro. Na cache de Altino Rio, os visitantes têm de percorrer cinco locais emblemáticos de Outeiro Seco antes de chegar ao local onde está o tesouro. “Muitas vezes não se descobre à primeira”, mas a de Outeiro Seco “não é difícil”, garante.

Chegados ao local do tesouro, é preciso ter atenção se não está ninguém por perto para manter o segredo e não dar asas a actos de vandalismo. E o que há dentro da caixa? Geralmente, um bloco de notas (“log book”), um lápis, o resumo da história da localidade ou monumento e uma advertência a quem a achar, e não for adepto do jogo, que não a destrua. A maior parte das vezes são os geocachers que informam o dono do tesouro de problemas com a cache, através do site oficial, onde é gerido o jogo. Uma vez achado o tesouro, o “caçador” pode deixar um objecto – por exemplo um brinquedo ou um “pin” da sua terra ou causa – e levar outro para a caixa seguinte. Tudo fica anotado no bloco, onde os aventureiros deixam comentários e elogios ao local.

Nove aventureiros já encontram o “tesouro” de Outeiro Seco

Um geocacher é geralmente um apreciador da natureza e amante da cultura e património histórico. Tem gosto pela aventura e adora desafios. Para os adeptos deste jogo, a caça ao tesouro é uma motivação extra para conhecer locais novos, mas o geocaching rapidamente se transforma num vício e numa obsessão. Há quem faça mesmo quilómetros à procura de uma caixinha. Até à data, nove pessoas, da região flaviense e do Porto, encontraram a caixa de Altino Rio. Um deles deixou a moeda oficial do geocaching, mas houve quem tivesse deixado uma tartaruga e uma lapiseira.

O geocaching também pode ser praticado em grupo, o que promove o convívio. Altino Rio já foi à caça de 10 caches, inclusive na região, como a do Castro de Curalha e a de Águas Frias. No Monte da Virgem, no Porto, em vez de uma caixa, Altino Rio encontrou um pequeno rolo fotográfico no meio de uma árvore. Demorou horas, mas valeu a pena. “Faz-se um esforço, mas nunca se esquece a experiência”, contrapõe.

Muito popular no resto do mundo, em Portugal o geocaching ainda não está muito implementado. Para Altino Rio, deve-se à forma como as pessoas ocupam os tempos livres e à falta de informação, mas acredita que “tem potencial para crescer” com a divulgação na comunicação social e na blogosfera. No Verão, Altino Rio espera ter mais visitas, sendo que o objectivo é trazer 50 geocachers por ano a Outeiro Seco.

Apesar de não existirem clubes no ‘geocaching’, os praticantes juntam-se regularmente em eventos. No ano passado, um grupo plantou 50 carvalhos na zona de Vila Cova, no concelho de Vila Real, num local que passou a chamar-se “Bosque do Geocacher”. Altino Rio ainda não participou em nenhum encontro, mas acredita que, se a actividade crescer, poderá criar uma nova dinâmica local ao despertar aventureiros para explorar a sua região.

Sandra Pereira

Geocaches no Alto Tâmega

Ponte Romana:

No site oficial geocaching.com, lê-se que “esta cache tem como objectivo dar a conhecer o ex libris da cidade de Chaves e também um pouco da sua história. Estacionem no ponto indicado e façam um pequeno passeio junto ao rio Tâmega até à ponte”.

Castelo de Chaves:

Esta cache está escondida na muralha e já conta com 178 visitas registadas. Entre os comentários, encontra-se este: “Ora desconhecia o castelo e já tinha trabalhado em Chaves. (…) Mas o geocaching tem-me dado a hipótese de conhecer lindos locais e belas paisagens”.

Concelho de Chaves:

Há caches activas na Capela do Sr. do Calvário, em Chaves, e na Barragem Romana da Abobeleira. 29 geocachers procuraram um tesouro no Castro de Curalha, outros na mini-hídrica da Peneda, em Vilela do Tâmega, no Castelo de Monforte, na Pedra da Bolideira, no Santuário de São Caetano e na Serra do Brunheiro.

Barreiras, Valpaços

No site oficial, o “tesouro” é descrito da seguinte maneira: “Para quem passa por cá procurem provar aquilo que a terra tem de melhor, a simpatia do Povo e os Sabores da Região. A cache é um rolo fotográfico, não está no centro da cidade (…), mas o local escolhido é um dos locais mais calmos da cidade, aproveitem para descansar. Deixem-na ficar no local onde encontraram e obrigado pela visita. (tem lápis)”.

Castelo de Montalegre

Trata-se de um pequeno frasco envolto num saco de plástico preto.

Museu do Vinho de Boticas

Esta cache já recebeu 58 visitas. Entre os comentários no site, está este: “Ora aqui está um lugar muito bonito. Como não conhecia a lenda, o meu irmão lá a decidiu ler XP. Ainda bem pois assim sempre fiquei a saber um pouco mais sobre o povo de Boticas…”. E este: “A cache apareceu facilmente, e log feito, lá fomos almoçar, pois a barriga já dava horas”.

Vila Pouca de Aguiar

Há uma pequena caixinha escondida em Vila Pouca dos Pequeninos, onde um visitante comentou: “Demos a volta e gostámos imenso do local. Valeu bem a pena conhecer esta obra”. Também há caches nas Minas de Jales e Tresminas.

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