A Sonae MC pretende criar parcerias com os produtores locais de carne de bovino para garantir o escoamento da produção.

Na sessão de trabalho, dinamizada pela Câmara de Chaves, a equipa da Sonae MC salientou a importância de os produtores se associarem ao grupo para o escoamento da carne de novilho, em especial das raças Aberdeen-Angus e Limousine, que são aquelas com maior representatividade no mercado.

“Nós queremos trabalhar juntamente com a produção. Mais do que comprar animais queremos trabalhar com os produtores para que eles, continuando a fazer aquilo que melhor sabem fazer, consigam fazê-lo consoante aquilo que nós também pretendemos para apresentar ao nosso consumidor final”, explicou na quarta-feira, dia 24, Mauro Soares, responsável pela área de bovino da unidade do talho do grupo Sonae.

O responsável lembrou que a principal vantagem deste projeto “é a garantia de escoamento” e o acompanhamento no terreno por parte de uma equipa de especialistas, liderada por Tiago Amaral e Dominica, que permite, à medida que o animal vai sendo produzido, analisar formas ainda mais rentáveis, reduzindo custos a nível da exploração. Este acompanhamento permite ainda que a cadeia consiga planear o número de animais disponíveis ao longo de todo o ano.

Mauro Soares, gestor da unidade de talho da Sonae MC 2

“A única coisa que o produtor tem efetivamente de se preocupar é em produzir os animais, uma vez que quando os animais já estão na idade certa é feito o respetivo planeamento para abate e já está. [O produtor] não tem mais dores de cabeça”, acrescentou Mauro Soares.

A Sonae é a cadeia que trabalha com o maior número de raças autóctones em Portugal, contado já com a colaboração de 177 produtores nacionais.

“É importante as pessoas ganharem confiança e perceberem quem é que está à frente delas, o que é que nós queremos fazer com estes projetos, e, sobretudo, mais do que comprar animais, nós estamos aqui para ajudá-los a fazer melhor (…) Há muita heterogeneidade na produção, mas também é preciso haver uma linha orientadora para quem produz” e saber exatamente o que é que o consumidor final quer.

A Sonae MC é responsável pelas áreas de retalho alimentar, saúde e bem-estar, da qual faz parte, entre outras, a marca Continente.

Câmara de Chaves poderá prestar apoio financeiro e técnico

A vinda da Sonae MC a Chaves foi promovida pela autarquia que contactou o grupo no sentido de perceber de que forma é que a empresa poderia apoiar os produtores da região no imediato, para ajudar a mitigar a crise económica provocada pela pandemia da covid-19, e futuramente.

Nuno Vaz, presidente da Câmara de Chaves

“Esta pandemia teve um conjunto de efeitos indesejáveis no mundo agrícola e na pecuária porque os nossos produtores foram confrontados com uma situação de dificuldade no escoamento do seu produto”, disse Nuno Vaz, presidente da Câmara de Chaves, adiantando que a prioridade da autarquia, nesta primeira fase, é a de tentar aliviar alguma “situação de estrangulamento”, apoiando financeiramente e a nível técnico os produtores.

“Mas mais do que isso, gostaríamos que fosse construída uma relação contratual perene para que não tenham estas situações de stress de venda dos animais e tenham garantias de que em determinadas condições contratuais têm alguém que lhes compre o seu efetivo”, referiu.

O autarca considera que a agropecuária no concelho tem “potencial para crescer”.

O atual executivo aprovou no início do seu mandato um apoio à produção pecuária de bovinos, ovinos e caprinos e está em fase de aprovação um apoio para a produção de carne suína de raça autóctone.
“Este executivo, desde que assumiu funções, procurou dar uma atenção mais particular ao mundo rural porque na nossa perspetiva tinha sido esquecido e de forma injusta, uma vez que é uma das componentes importantes da nossa economia local, não só pelo conjunto de famílias que operam nesta área, mas sobretudo porque eles são os verdadeiros cuidadores e guardiões da nossa paisagem”, referiu o autarca.

Iniciativa elogiada pelos produtores

Urbano Pinheiro, produtor

Urbano Pinheiro é criador de vacas e neste momento conta com perto de 50 cabeças. No seu caso, nem mesmo a pandemia afetou o negócio. No entanto, o produtor de Mairos, de 64 anos, considera que o projeto apresentado no auditório do Centro Cultural de Chaves é uma boa oportunidade, sobretudo para os mais jovens, uma vez que garante o escoamento da carne.

Já Miguel Rodrigues tem 200 animais da raça Limousine. A carne que produz vai sobretudo para os talhos e restaurantes da região, com preços “muito bons”.

Miguel Rodrigues, produtor

“Eu forneço alguns restaurantes e eles preferem a carne das fêmeas que é mais suculenta do que as dos machos” e, por isso, “se participar no projeto será com machos”, apontou o flaviense.

No seu caso, a pandemia veio afetar fortemente o negócio: “Nunca juntei tantos animais para escoar”. Porém o produtor de Redondelo acredita que nos meses de verão vai conseguir escoar a carne.

Cátia Portela

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