Natural de Santa Leocádia, concelho de Chaves, Filipe Busto, de 35 anos, vai fazendo o seu percurso enquanto treinador, subindo patamar a patamar, com o objetivo de chegar a uma liga profissional.

A Voz de Chaves foi conhecer a carreira do flaviense que prepara nova participação na Liga Europa ao serviço do Ergordany, da Andorra, clube pelo qual foi vice-campeão em 2017/18 e venceu a Taça da Andorra em 2018/19.

Com o treinador natural de Santa Leocádia, concelho de Chaves, ao comando da equipa, a conquista da Taça da Andorra, troféu inédito no clube, alcançado na época anterior, permitiu uma nova participação na ronda preliminar da Liga Europa.

O apuramento para a fase de qualificação da prova europeia de futebol acontece pelo segundo ano consecutivo. A participação inédita aconteceu na época passada, fruto do segundo lugar na I Divisão da Andorra de futebol na temporada 2017/2018.

“Em duas temporadas o cube passou de nunca ter entrado no ‘play-off’ de campeão [do escalão máximo de Andorra]a ter duas participações na Liga Europa”, assinala o técnico de 35 anos.

A eliminatória frente ao La Fiorita, de São Marino, arrancou na quinta-feira, dia 27, e o treinador transmontano pretende “equilibrar as forças” no primeiro jogo para “trazer o resultado em aberto” para a segunda mão, que se joga a 04 de julho, em Andorra.

Frente a um adversário “mais experiente” com vários anos consecutivos nas rondas de qualificação da Liga dos Campeões e Liga Europa, Filipe Busto sabe os “pontos fortes” da sua equipa e as “debilidades” do adversário, algo que quer aproveitar.

Na temporada passada, na estreia na prova europeia, o Engordany eliminou o Folgore, também de São Marino, e acabou por cair na primeira pré-eliminatória com o Kairat, do Cazaquistão.
Com a ambição de treinar numa liga profissional, Filipe Busto explica que nos últimos dez anos o futebol em Andorra “evoluiu muito”.

“Os técnicos locais têm formações UEFA e federativas constantes e os clubes também se reforçam com técnicos estrangeiros. O mesmo se verifica com os jogadores. Cada vez mais chegam jogadores de qualidade a este campeonato”, refere.

Em 2014/2015, o treinador natural do concelho de Chaves conquistou o primeiro título nos seniores, ao vencer a segunda divisão da Andorra ao serviço do Penya Encarnada. Após passagem pela Federação Andorrana de Futebol, parte agora para a terceira temporada no clube de Escaldes-Engordany, e Filipe Busto explica que o objetivo é “continuar a lutar pelos títulos”, num projeto que é “muito ambicioso”.

“Queremos novamente garantir a participação nas competições europeias, conseguindo o primeiro ou segundo lugar do campeonato”, vincou.

Após o vice-campeonato em 2017/2018, a conquista da Taça da Andorra na época transata foi “a cereja no topo do bolo”.

“Foi uma festa. Conseguir a qualificação para uma competição UEFA é um motivo de orgulho para todos os integrantes do clube e quando se consegue numa prova ‘mata-mata’, como diria o Scolari, sabe mesmo muito bem”, confessa o transmontano.

Sem esquecer as raízes

Longe da terra, mas sempre próximo. As novas tecnologias ajudam e as vitórias de Filipe Busto têm repercussões em Chaves.

Sempre ligado ao futebol, jogou na AF Vila Real, no GDTM de Carrazedo Montenegro e em 2005 emigrou para França, de forma a estar junto da família, e depois para Andorra, onde está agora. Quer por terras francesas, quer em Andorra, jogou sempre à bola, até se dedicar em exclusivo ao treino.

“A família ficou contente com a conquista da taça. Chegaram mensagem e telefonemas de todo o lado. Teve a sua repercussão e logicamente que as mensagens dos teus próximos têm muito peso”, explica, confessando que tem um jantar pendente em Chaves com os amigos.

O técnico não esquece também a desertificação das aldeias: “A minha avó faleceu em 2018, era a minha representante da aldeia. De certeza que estará contente e esta conquista foi dedicada inteiramente a ela. O meu grande pilar. A aldeia sofre, como muitas outras, da desertificação do interior do país”.

Sempre que pode, Filipe Busto espreita também a caminhada do Desportivo de Chaves, esperando que regresse rapidamente à Liga para evitar a “desertificação do interior” e “potenciar a imagem da região”.

Diogo Caldas

 

loading...
Share.

Deixe Comentário