O papel das universidades seniores nas sociedades atuais, as relações entre os povos do norte de Portugal e da Galiza e a emigração dos portugueses para o Brasil são alguns dos temas abordados na última edição da revista bilingue promovida pelo Fórum Galaico Transmontano.

A Torre de Menagem de Chaves e o Castelo de Monterrei da província de Ourense são as imagens que figuram na capa da sétima edição da revista do Fórum Galaico Transmontano – Círculo de Estudos e Divulgação apresentada na sexta-feira, dia 7, na Biblioteca de Chaves. Este foi o primeiro exemplar a ser apresentado publicamente e intitula-se Relações Culturais no Século XX entre Portugal e a Galiza.
Segundou explicou o diretor da revista, Jorge Alves Ferreira, este número é composto por diversos trabalhos de cariz regional e local, tendo em conta o património histórico e cultural. De entre os temas presentes, salienta-se o artigo sobre as universidades seniores e o trabalho desenvolvido por estas junto da terceira idade. Nas mais de 130 páginas que compõem esta edição, os leitores encontram ainda textos de Barroso da Fonte, onde o historiador aborda a santidade do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, e temas sobre a criação dos povos promíscuos e a emigração dos transmontanos para o Brasil.
Nesta edição, Pablo Rivera, diretor executivo da Eurocidade Chaves-Verín, dá a conhecer o “projeto singular” e as relações que unem Chaves e Verín, uma ligação entre portugueses e galegos que remonta à idade média. “Esta revista é um exemplo de que a união faz a força”, destacou Pablo Rivera. “Aqui está presente o trabalho de dois povos que já não estão de costas viradas e que são um exemplo de que galegos e portugueses têm bom vento e bom casamento”, acrescentou.
Por fim, a obra é pincelada pela poesia de Henrique Pardelinha.
Para além da revista, lembrou Jorge Alves Ferreira, o Fórum Galaico Transmontano, criado há mais de uma década, realiza várias atividades que promovem o convívio entre associados e familiares e mostram o património e a história das aldeias. Aproveitando a presença de elementos do executivo camarário, o responsável deixou um desabafo sobre o abandono das aldeias no concelho de Chaves: “Há determinadas localidades no nosso concelho que parecem lugares fantasmagóricos, praticamente não se vê ninguém, não há lá ninguém. As nossas freguesias rurais estão cada vez mais despovoadas, as escolas onde antes se aprendia a ser homem e mulher hoje estão completamente abandonadas, apenas reside a nostalgia de outros tempos. Enfim, novos tempos, novas políticas”, sublinhou o diretor da revista, apontando a criação de novas políticas para promover o repovoamento desta região.
Presente na iniciativa, o vice-presidente da Câmara de Chaves, Francisco Melo, voltou a salientar o apoio da autarquia no lançamento de obras de autores locais, enquanto embaixadores da cultura da região, que serve de base para a construção das gerações futuras e, neste caso, da identidade transmontana.
O presidente do Fórum Galaico Transmontano, Luís de Carvalho, na sua intervenção, agradeceu o empenho dos seus associados, assim como o apoio de todos os municípios do Alto Tâmega e de Verín, e lembrou alguns associados, como é o caso de Manuel Joaquim Verdelho, Bento da Cruz, Cristina Rosa e João Miguel Fonseca.

Cátia Portela

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