O treinador de futsal Pedro Palas vive momentos de glória em Braga. A orientar o Sp. Braga/AAUM na 2ª divisão nacional e nas provas universitárias, o flaviense garantiu já a subida ao escalão máximo do futsal português e sagrou-se bi-campeão universitário com a Universidade do Minho, no passado mês de Abril.

A Voz de Chaves: Mais uma vez campeão Nacional Universitário… Como correu esta época? Foi competitivo o campeonato?

 

Pedro Palas: Desportivamente e até ao momento, esta época não poderia estar a correr melhor. Preparámo-nos afincadamente ao longo do ano, para podermos reviver estes momentos. Treinámos, jogámos, lutámos e ganhamos! Somos Bi-Campeões Nacionais Universitários com todo o mérito! Esta equipa nos últimos 4 anos disputou 4 finais nacionais universitárias. Não é obra do acaso. Nas 2 primeiras conseguiu 2 vice-campeonatos, mas nos últimos 2 anos foi Campeã Nacional. Os resultados são fruto da organização que a UM, a AAUM e o Departamento de Desporto e Cultura dos SASUM (Serviços de Acção Social) têm revelado, bem como do trabalho que tem sido feito em termos de scouting junto dos clubes.

 

De volta ao Europeu o objectivo é chegar ao troféu depois do segundo lugar?

 

Temos que reconhecer que o feito do ano transacto foi um marco histórico. Nunca num Europeu, uma equipa universitária masculina tinha alcançado sequer o pódio. No entanto, vamos a Tampere (Finlândia), com a experiência de termos disputado esta competição no ano passado e, cientes das dificuldades com que nos podemos deparar. No ano passado tivemos os piores adversários possíveis e, mesmo assim, ganhámos, este ano, continuará o compromisso de que lutaremos até à exaustão para dignificar a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) e dignificar também o futsal português.

 

Os CNU’s são uma boa montra para o futsal nacional? A qualidade tem aumentado?

 

Os CNU’s são obviamente uma boa montra para o futsal nacional. Não é à toa que Portugal já foi Campeão do Mundo Universitário, e que no ano passado tenha sido vice-campeão do Mundo Universitário Feminino. É notório que a qualidade tem aumentado, mas tem aumentado porque já há mais equipas a apresentar uma organização de jogo evoluída. As Universidades já têm a preocupação em apresentar equipas com treinos, com organização, com jogadores que jogam em campeonatos nacionais da 1ª, 2ª e 3ª divisão. Isso traduz-se num incremento da qualidade.

 

Sp. Braga/AAUM na primeira divisão, qual é o sentimento depois da subida?

 

É um sentimento de dever cumprido. De uma felicidade imensa. Foram 4 anos de trabalho árduo. Este ano apresentámos um plantel mais homogéneo e com qualidade. Os jogadores foram inexcedíveis. O compromisso por todos assumido no início do ano teve continuidade e acabou por dar os seus frutos.

 

Qual a avaliação do campeonato da II Divisão? Como correu o vosso trajecto?

 

O campeonato da II Divisão é muito competitivo. Para ter uma ideia, em 14 equipas, somos talvez os 7ºs em termos de orçamento. Outras equipas apostaram muito forte em jogadores profissionais e estrangeiros. O nosso trajecto é incontestável. Fomos muito consistentes ao longo do ano. Apresentámos aquilo que nos faltou em anos anteriores, regularidade exibicional e de resultados. Houve momentos em que sofremos mas soubemos dar a volta à adversidade.

 

Como viu o Chaves Futsal a lutar pela subida? Chaves tem condições para ter uma equipa no topo?

 

Para mim, o Chaves Futsal é só a equipa com melhor plantel da 2ª Divisão. Junto com a Académica de Coimbra e Viseu Futsal serão as equipas talvez com maior orçamento. Dado o plantel por eles formado este ano, é obvio que têm condições para ter uma equipa no topo. Não tenho dúvidas que com os 6 pontos que perderam na “secretaria”, o Chaves Futsal era a equipa melhor posicionada para subir de divisão, pois esta recta final de campeonato favorecia-os. Como flaviense vivi esse episódio com tristeza pois gostaria que o Chaves Futsal acompanhasse o SC Braga/AAUM na subida à 1ª Divisão Nacional.

 

Como se gere uma equipa entre o universitário e a II Divisão nacional?

 

Gere-se com compromisso, com trabalho e respeito. Ambas são equipas de competição, com objectivos ambiciosos. Ambas requerem avaliação, trabalho, resultado, avaliação. A universitária (AAUM) é como se fosse uma equipa B. Treinamos sob os mesmos princípios, jogamos sob as mesmas premissas, sempre com o objectivo de ganhar. Permite-nos fazer algum scouting, avaliando assim a possível integração de alguns jogadores na equipa federada (SC Braga/AAUM). Temos jogadores que são comuns às duas equipas e com esses procuramos uma forma de evoluírem, ganharem ritmo competitivo e assumirem perante o grupo responsabilidades acrescidas, pois vindo de um patamar superior, a sua adaptabilidade à competição será mais fácil.

 

Perspectivas para o futuro? Fazer a estreia na primeira divisão com o Braga?

 

As perspectivas para o futuro a Deus pertencem. O presente é o SC Braga/AAUM procurar ser campeão nacional da 2ª Divisão e fazer um Campeonato da Europa de Futsal Universitário digno. Começar a preparar a próxima época é um passo que estará para breve. Na 1ª Divisão não será uma estreia, pois já competi com a AAUTAD, mas como treinador adjunto do Jorge Braz, actual seleccionador nacional.

 

Além de um treinador campeão o futsal universitário conta com jogadores flavienses também campeões. Tiago Guedes, pela Universidade do Minho, e Mariana Pinto, pela Universidade da Beira Interior, sagraram-se campeões nacionais universitários.

 

Primeiro ano… primeira vitória

 

Mariana Pinto não contava chegar, ver e vencer, mas com dois golos na prova e no primeiro ano de Campeonato Nacional Universitário, a estudante de Medicina na Universidade da Beira Interior sagrou-se campeã nacional em futsal feminino.

“Gostei muito da experiência e fiquei contente pelo facto de no primeiro ano ter conquistado logo o título”, confessou. A jogadora da Associação Desportiva Flaviense surpreendeu-se pela positiva com a qualidade que encontrou no torneio que se realizou em Coimbra no passado mês de Abril.

“A organização é de outra envergadura e as equipas são organizadas e têm outros objectivos, não jogam por jogar”, explica. De resto, a AAUBI, ao conquistar o campeonato nacional universitário, irá participar na Finlândia no Campeonato Europeu da modalidade. “No Europeu vamos lutar pelo melhor lugar possível”, atira.

Além da qualidade das jogadoras para Mariana Pinto também foi uma agradável surpresa o acompanhamento que as atletas tiveram. Com dois fisioterapeutas a acompanhar a equipa nos quatro dias de prova a jogadora flaviense confessa que “no distrital as equipas não têm estas condições”.

 

Segundo ano… segunda vitória

 

Pelo segundo ano consecutivo, Tiago Guedes, juntamente com Pedro Palas e a AAUM – Universidade do Minho – sagraram-se bi-campeões nacionais universitários, viajando também para a Finlandia para o Campeonato Europeu.

“O nosso objectivo era conquistar novamente os CNU’s, e como éramos campeões nacionais e vice-campeões sabíamos que todos nos queriam vencer”, revela o jogador do Ervededo Futsal, com quem esta época subiu à terceira divisão nacional.

Comparando o distrital com os universitários, Tiago Guedes explica que “o nível não é comparável”. “A maioria dos jogadores actuam na 2ª e 3ª divisão e há alguns até da primeira”, conta. O esquerdino facturou por quatro vezes, fazendo um hattrick no primeiro jogo e fazendo o empate nas meias-finais, marcando ainda o penaltie decisivo no desempate por grandes penalidades.

Para o flaviense, muito do segredo da AAUM está no trabalho desenvolvido, e Tiago Guedes explica que agora o objectivo é “treinar para voltar a fazer um bom resultado nos europeus”. “Vamos como vice-campeões e este ano o grupo até tem mais qualidade”, concluiu.

Diogo Caldas

 

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