Rodrigo da Costa foi escolhido para o lugar de diretor executivo da Agência Europeia do Sistema Global de Navegação por Satélite, responsável pela gestão dos programas de navegação Galileo e EGNOS. 

A eleição do flaviense para ocupar o cargo de diretor executivo da Agência Europeia do Sistema Global de Navegação por Satélite (GSA), sedeada em Praga, obteve unanimidade por parte dos 27 estados membros da União Europeia e da Comissão Europeia que constituem o conselho de administração da GSA. A notícia foi avançada pelo Governo que expressou “a sua grande satisfação” por poder contar com um português numa área “absolutamente estratégica” e que “acontece num momento crítico para a afirmação da ambição da União Europeia no domínio das políticas de segurança espacial e de navegação por satélite no espaço europeu”, que coincide com o processo de transformação da GSA na Agência da União Europeia para o Programa Espacial.
Com mais de 20 anos de experiência na área de segurança e da garantia integrada dos sistemas de navegação por satélite, o flaviense de 43 anos, engenheiro aeroespacial de formação, desempenhou até há bem pouco tempo as funções de gestor de projetos dos serviços Galileo, possuindo um “vasto e profundo conhecimento nesse domínio, bem como do funcionamento da GSA”. O Galileo é o sistema global de navegação por satélite, parecido ao GPS, criado na Europa e desenvolvido por civis, em contraposição ao americano que é sobretudo controlado por militares. Este sistema fornece informação exata de geolocalização e de cronometria.
A candidatura de Rodrigo da Costa à GSA contou com o apoio do Ministério dos Negócios estrangeiros em articulação com os Ministérios da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e das Infraestruturas e da Habitação.

 

Os aviões sempre foram a sua grande paixão

O pai, António Roque, conhecido advogado da cidade flaviense, conta que desde pequeno que Rodrigo da Costa demonstrava um grande interesse por aviões, pedindo inclusive que os pais lhe comprassem livros sobre as aeronaves. O interesse foi crescendo cada vez mais, e mesmo com os pais formados na área das letras, o flaviense decidiu seguir ciências, indo estudar engenharia aeroespacial no Instituto Superior Técnico de Lisboa, um curso que ainda era muito recente e um pouco desconhecido da grande maioria das pessoas.


“Eu tinha muita confiança nas capacidades do meu filho, sabia da paixão dele pelos aviões, ele estava muito determinado, por isso eu e a mãe apoiamos a sua ida para Lisboa”, onde não conhecia ninguém, apenas um amigo do pai que o ajudou a instalar-se na sua primeira casa, disse o advogado.
Ainda durante os estudos candidatou-se a uma bolsa do programa Erasmus e foi para a Faculdade de Engenharia Aeroespacial da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, aperfeiçoar os seus conhecimentos académicos, e onde concluiu, mais tarde, o mestrado com 20 valores.
Nessa altura, adianta o pai, foi convidado para dar aulas naquela universidade, mas Rodrigo da Costa decidiu que não era ali que queria continuar e decidiu ir para a Alemanha para trabalhar na área aeroespacial e onde também deu aulas. Mais tarde mudou-se para Itália para instalar uma delegação da agência espacial naquele país e, depois disso, acabou por ir para Praga para gerir o projeto Galileo.
Foi através de uma chamada telefónica do filho que António Roque soube da boa nova: “Fiquei muito feliz, como se pode calcular, mas por outro lado não fiquei muito espantado. Primeiro porque teve sempre a paixão dos aviões e, depois, desde que começou a estudar teve sempre notas espantosas”, por isso “não estranhei porque eu do meu filho espero sempre muito, uma vez que ele sempre nos habituou a muito”, sublinhou.
António Roque destaca que embora o filho desempenhe funções de grande importância, continua a ser uma pessoa descontraída, “sem vaidade nenhuma”, que gosta de usar sapatilhas e que só usa gravata quando é mesmo necessário.
Aluno da Escola Fernão de Magalhães, o advogado conta que, passados tantos anos, “ainda há professores que dizem que o Rodrigo foi o melhor aluno que tiveram”. O novo diretor executivo da GSA também não esquece as suas raízes e sempre que pode regressa a Chaves para rever a família e amigos.

Cátia Portela

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