Mais velhos ou mais novos, com mais ou menos qualidade, com ou sem carreira futebolística, todos tinham um ponto em comum: a ADF. O I Torneio de Antigos Jogadores da Associação Desportiva Flaviense juntou oito equipas, com jogadores nascidos entre 1978 e 1993. O convívio e o relembrar velhos tempos foram o ponto alto de uma competição que teve como vencedora a geração de 1984.

A final da prova juntou a equipa de 1984 contra a geração de 1983, e depois de um empate a duas bolas foi necessário recorrer à marcação de grandes penalidades, com a equipa de 1984 a levar a melhor por 6-3.

No entanto, os prémios para a equipa vencedora não se ficaram por aqui e além do primeiro lugar arrecadaram ainda o prémio de melhor marcador, com Sénio Vaz a somar 8 golos, e o de melhor guarda-redes, que foi para Diogo.

O principal destaque foi sobretudo o relembrar o passado. O facto de o torneio se ter realizado no Campo da Fonte do Leite, um campo pelado, e de ter sido em formato de futebol de 7, trouxe nostalgia aos jogadores.

 

Iniciativa com pernas para andar

“Esta é uma iniciativa que tem pernas para andar. Iremos todos os anos fazer um torneio destes”, garante Tony Madureira, director da ADF, satisfeito por ter encontrado jogadores “que já não via há muitos anos”.

Tudo começou num grupo criado na rede social do Facebook com o nome “Antigos Jogadores AD Flaviense”. Luís Guedes, da geração de 1984, sugeriu a Zé Ribeiro, director da ADF, a possibilidade de criar um evento que juntasse antigos atletas. “Rapidamente se juntaram oito equipas simplesmente ao falar sobre a ideia com vários ex-jogadores”, conta Zé Ribeiro.

“O balanço é positivo, principalmente pelo convívio e reencontro entre muitos deles, que já não se viam há alguns anos. Muitos deles já não jogavam futebol 7 ou num pelado há muito tempo”, atirou o jovem director.

A vontade por parte do clube e dos jogadores que aderiram é manter a iniciativa e sobretudo atrair ainda mais ex-atletas da ADF, que por uma razão ou outra não puderam estar presentes na primeira edição.

 

Jogadores contentes pelo convívio

“Foi bom reencontrar antigos companheiros. No jantar passamos o tempo a recordar os anos que passamos, onde fomos campeões distritais várias vezes, com gente com imenso talento”, afirmou Luís Guedes, um dos criadores da iniciativa.

Alex dos Santos passou sete anos na formação da AD Flaviense, e recorda com saudades esse tempo. “Lembro-me de brincadeiras de balneários, dos momentos difícil nas derrotas, dos momentos de felicidade nas vitórias, mas foram todos bons. Marcou-me muito pois foi aqui que conheci muitas das pessoas que me acompanharam na vida desportiva, foi aqui que iniciei muitas e grandes amizades”, confessa o jogador da geração de 1983, que espera que para o ano mais pessoas possam participar no torneio.

A jogar no campeonato nacional espanhol da III Divisão, Nuno Alentejano fez questão de estar presente neste I Torneio de Antigos Jogadores da AD Flaviense. “Foi importante para mim estar neste torneio, pois relembrei me os bons tempos vividos neste campo, as boas experiências. Aprendemos a ser homens aqui pois passaámos muitos anos na ADF”, confessa o jogador de 1984, realçando que apesar de passar por muitos balneários, “o primeiro que se recorda é o da ADF. Quando se joga por sandes é o melhor que há”.

De resto, a geração de 1984 tem um registo importante na história do clube. “Joguei três épocas no nacional, uma delas, nos juvenis, onde conseguimos pela primeira vez na história do clube a manutenção no nacional. Foi um feito importante, pois esta geração conseguiu a subida e no ano seguinte a manutenção numa divisão competitiva, com equipas como o Gil Vicente, Guimarães, Rio Ave ou Braga”, explica Luís Guedes.

Também Nuno Alentejano se recorda desse feito: “na segunda volta do nacional de juvenis fomos a segunda equipa que fez mais pontos e se tivéssemos acreditado desde início podíamos ter jogado uma segunda fase. Lembro-me que a ADF nunca tinha levado jogadores à selecção e acabamos por ir eu e o Luís Guedes”.

 

Qualidade não deixou ninguém indiferente

Com oito equipas em prova, e com várias gerações presentes, rapidamente se percebeu a qualidade futebolística presente no evento. Alguns ainda fazem carreira no futebol, como Nuno Alentejano do nacional em Espanha, ou Lio, que jogou no Tirsense na II Divisão esta temporada e que também participou no torneio. Outros competem no campeonato distrital de Vila Real, mas muitos mais, acabaram por não fazer carreira.

“Juntou-se uma grande qualidade futebolística. Além de terem sido verdadeiros campeões na ADF também o estão a ser nas suas vidas pessoais. Pois temos médicos, advogados e engenheiros”, lembra Tony Madureira, considerando que muitos jogadores tinham qualidade para mais.

Já Zé Ribeiro defende que com os apoios necessários “a cidade de Chaves podia ter uma equipa competitiva no distrital ou mesmo na III Divisão Nacional”. A ideia é partilhada por todos, pois, regra geral, ficou a certeza que pela ADF têm passado bons jogadores de futebol. Com ou sem equipa sénior para apostar nos jogadores da região, fica a certeza e a vontade de continuar a promover o reencontro entre os ex-atletas da formação do clube flaviense.

Diogo Caldas

3 Perguntas a Nuno Alentejano, ex-jogador do GD Chaves actualmente a jogar em Espanha

Na altura a mudança do GD Chaves, na Liga de Honra, para Espanha, foi uma decisão importante?

A ida para Espanha foi uma mudança importante. Trabalho lá no hospital e faço aquilo que gosto que é jogar à bola. Se não trabalhasse podia pensar noutros objectivos mas penso que foi a decisão correcta. Sou respeitado na Galiza e fui até chamado à selecção.

 

O futebol em Espanha é diferente do português…

O Nacional em Espanha é diferente do português, pois há mais recursos. Equipas como o Ferrol ou Pontevedra têm orçamentos elevados, campos bonitos para se jogar e com bom ambiente. Tenho a vida estável em Espanha e é por lá que devo ficar.

 

Como se deu a chamada à selecção da Galiza?

A chamada à selecção aconteceu no ano passado, mas não me senti muito comódo pois todos os restantes jogadores eram espanhóis. Foi importante pelo reconhecimento do trabalho feito e senti-me orgulhoso disso.

DC


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