Decorre já neste fim de semana, 2 e 3 de fevereiro, em São João da Corveira, Valpaços, mais uma edição da Feira de São Brás, a mais antiga Feira de Fumeiro do país.

Em entrevista, Teresa Pavão, Vereadora da Câmara Municipal de Valpaços, salienta a vocação tradicional deste evento, realizado numa freguesia de Valpaços, que não na sede do concelho.

A Voz de Chaves: A Feira de São Brás é a mais antiga do país. O que a torna diferente das outras feiras?

Teresa Pavão: A Feira de São Brás tem um princípio antigo que é o facto de esta ser uma Feira que se realizava nas imediações da freguesia, para as famílias, não só da freguesia, mas também do concelho, venderem o excedente do porco que matavam ou para conseguirem angariar algum dinheiro com aquilo que durante o ano conseguiam produzir, nomeadamente com a criação do porco, a matança do porco, e tudo o que advinha disto, assim como outros produtos agrícolas.

Fiel a este princípio, não é o certame que, na região do Alto Tâmega, em termos de fumeiro, de produtos da terra e seus sabores relacionados com o frio, tenha tido mais projeção, no entanto, é um momento interessante para as pessoas venderem o seu fumeiro.

Além do Fumeiro, também são promovidos outros produtos?

Certamente. Na tenda colocada para este efeito, na zona mais central da aldeia, na zona genuinamente mais antiga, vamos, além dos expositores de fumeiro tradicional, promover os produtos endógenos, nomeadamente, os vinhos, os azeites, as compotas, os produtos hortícolas da época. E depois teremos uma tasquinha local que vai servir alguns produtos regionais, bem regados com vinho e outras bebidas da região.

Para esta edição, há novidades?

Contrariamente aos outros anos, nos quais a Feira tinha apenas expressão no domingo de São Brás, este ano começará já no sábado, e depois arranca e dará continuidade ao chamado domingo de São Brás.

No sábado, como animação vamos ter à noite o “Tradicional Baile de São Brás” com a presença de um conjunto conhecido, o Nova Dimensão. No domingo teremos a abertura oficial às 10h, com a atuação da Banda Musical de Carrazedo de Montenegro e com a presença da Câmara Municipal e demais entidades e com a chamada “mostra de fumeiro”, que depois será percorrida pelos visitantes.

Depois de almoço, por volta das 14h, vamos ter a tradicional chega de bois, que traz alguma dinâmica e animação aos locais. Depois, por volta das 15h30, haverá na tenda animação tradicional a cargo dos AmigosVitó. Haverá um lanche convívio às 17h.

Esta Feira de São Brás, comparativamente a outras que se fazem na região, tem a particularidade de ser realizada numa freguesia. Há algum motivo especial?

A melhor forma, em termos de responsabilidade do  Município em  promover e dignificar as riquezas da região, é reconhecê-las freguesia a freguesia e valorizá-las na freguesia. E só depois de as valorizarmos e de as reconhecermos na freguesia é que devemos transportá-las para o resto do concelho, e é isto que está a acontecer.

Houve sempre mais expressão do fumeiro na zona da Terra Fria, portanto, neste caso concreto a zona de São João de Corveira que é uma terra fria e, historicamente, está associada ao fumeiro.

O mesmo acontece com outras feiras: da cereja na freguesia de Argeriz, porque é daí oriunda; o bolo podre na freguesia de Santa Maria de Émeres, porque é dessa freguesia e é aí que tem a sua expressão; a do cebolo, em Vassal;  a castanha na tradicional Feira da Castanha em Carrazedo de Montenegro; A Feira do Folar em Valpaços; e temos agora também a parte do vinho, da vinha e das rotas das adegas em Sonim e Barreiros porque é a freguesia que tem mais expressão na produção de vinho, entre outras.

E também começou a ser realizada em Valpaços, a Feira do Azeite…

É a designada “Olivalpaços”, a Feira Nacional de Olivicultura, organizada pelo Município de Valpaços, em conjunto com a Cooperativa de Olivicultores de Valpaços, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), o Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL) e a Associação dos Produtores em Protecção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro APPITAD.

Foi decidido, após um entendimento, que seria realizada juntamente com a Câmara Municipal de Moura, no Alentejo, um ano lá e outro ano cá, uma vez que, em termos de expressão de produção de azeite, Moura dignifica a produção de azeite alentejano, e aqui, em Trás-os-Montes, é Valpaços que assume essa responsabilidade.

Neste ano de 2019 será realizada em Valpaços, em data a definir, ou em finais de maio ou início de junho.

O que se pretende com este certame?

É um certame que, além do promover o azeite valpacense, produto que é de muitíssima qualidade, promove as ligações empresariais e a divulgação da evolução técnica a nível deste setor, assim como pretende proporcionar um conjunto de jornadas técnicas e debates.

Tudo o que é relacionado com o azeite, com a oliveira e com a sua cultura, estará presente nesta Feira.

 

 

 

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