Foi a 11 de maio de 1945 que a Estrada Nacional 2 (EN2) foi pela primeira vez identificada como ligando Chaves a Faro, tornando-se a maior estrada de Portugal.

Esta classificação aconteceu após a publicação pelo Diário do Governo do Decreto-lei nº34.593, de 11 de maio.
A 20 de novembro de 1933 foi publicado o Decreto-lei nº23.239 que classificava as estradas do país da seguinte forma: estradas nacionais de 1ª e 2ª classes, estradas municipais e caminhos vicinais. No entanto, este método não era muito prático.

“Desde há muito que se tornava necessário rever no País a atual classificação das estradas nacionais, por forma a que a nova rede correspondesse à função económica que já hoje desempenha e possuísse, conforme a orografia das regiões, as características técnicas adequadas a cada classe. Também se torna imperioso proceder a uma nova regra de classificação das estradas municipais (…) Por último, torna-se ainda evidente a necessidade de classificar, dentro dos caminhos públicos, os caminhos municipais, que terão por objetivo ligar às estradas nacionais e municipais os aglomerados urbanos que não estiverem diretamente servidos por aquelas vias de comunicação”, pode ler-se no documento publicado a 11 de maio de 1945.

Assim, neste dia todas as estradas foram classificadas como sendo de 1ª, 2ª e 3ª classes, considerando-se na 1ª classe, de acordo com o publicado pelo Diário do Governo, “os itinerários principais, como sendo as linhas de comunicação de maior interesse nacional e que constituem, por assim dizer, a base de apoio a toda a rede”. Para além da classificação em classes, todas as estradas ganharam um número: as estradas de 1ª classe foram numeradas de 1 a 200; as estradas de 2ª classe foram numeradas de 201 a 300; e as estradas de 3ª classe foram numeradas de 301 em diante.

“Pareceu haver grande vantagem para o público, e até para os serviços, que um simples número correspondesse no País a uma única estrada; poderá esse número gravar-se dentro de uma faixa colorida, sendo a cor adotada a representação da própria classe”, lê-se ainda no mesmo documento.

75 anos depois, a EN2 tornou-se, acima de tudo, num ponto turístico. Os seus 739 quilómetros atraem todos os anos milhares de pessoas que percorrem o país de Chaves até Faro, atravessando 35 concelhos, distribuídos por 11 distritos, nos mais variados meios de transporte, desde o carro, mota, bicicleta, autocaravana, entre outros, havendo também quem a tenha feito a pé.

Para além da experiência de estrada, a Nacional 2 permite ainda, a quem a percorre, conhecer um pouco da história de Portugal, bem como degustar o melhor da gastronomia e da cultura portuguesas.
A Estrada Nacional 2 já se tornou um ícone, não só a nível nacional, mas também além-fronteiras.

Junta da Madalena continua a aguardar passaporte e carimbo

De acordo com João Pinto, presidente da União de Freguesias da Madalena e Samaiões, local onde se encontra o marco do quilómetro zero da EN2, durante o ano passado “esta estrada trouxe mais movimento à nossa freguesia”.

Quem percorre esta mítica estrada leva consigo um passaporte que deverá ser carimbado em todos os municípios por onde passa. A Junta de Freguesia da Madalena já solicitou tanto o passaporte, quanto o carimbo, mas continua à espera dos mesmos: “O parecer foi favorável, mas ainda não nos adiantaram mais nada”.

Câmara Municipal de Chaves não deixou passar o dia em branco

Para assinalar este dia, a autarquia de Chaves fez uma publicação na sua página de facebook relembrando um pouco da história desta mítica estrada.

“A Estrada Nacional 2 funde-se com a sua própria identidade, sendo que alguns dos seus troços integravam as ancestrais vias romanas. Ao longo dos tempos, as vias principais foram, sucessivamente, melhoradas e conectadas umas às outras e até ao final do séc. XIX, grande parte daquela que é hoje a EN2 já era Estrada Real”, pode ler-se.

O projeto do Estado Novo tinha como finalidade a criação de uma estrada que ligou “o país de lés a lés pelo seu interior, e a partir de 1930 começaram a ser alcatroados os troços de pedra e de terra e construídas as ligações necessárias”, dá conta a mesma nota, até que a 11 de maio de 1945 aconteceu o que já foi acima referido.

Em 2016 deu-se a criação da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2, que engloba os 35 municípios que a integram. Esta associação tem como grande objetivo dinamizar o turismo ao longo de todo o itinerário.

“A EN 2 é uma via importante para Chaves. Aliás é a espinha dorsal daquilo que foi uma estrada que liga o Norte ao Sul do país. Naturalmente que esta estrada foi perdendo relevância em termos de mobilidade automóvel, mas ao mesmo tempo ganhou relevância turística”, referiu Nuno Vaz, presidente da Câmara Municipal de Chaves, em declarações prestadas ao jornal A Voz de Chaves.

Assim, e para destacar ainda mais a importância que esta estrada tem para o concelho, será colocado um totem a assinalar o seu 75º aniversário.

O autarca flaviense revelou ainda que “irá ser promovido um concurso de ideias para que possamos ter no local uma ideia que tenha o consentimento da maioria dos nossos cidadãos, porque entendemos que era importante garantir a essência e a genuinidade daquele espaço, mas dar-lhe uma dimensão mais modernista”.
Prevê-se que este concurso seja lançado durante o primeiro semestre do próximo ano.

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