Os acasos foram acontecendo,  as mudanças foram surgindo e hoje o Vilar de Perdizes é uma equipa que junta jogadores da terra, da formação do principal clube da região, o GD Chaves, e jogadores vindos de outros países à procura de vingar no futebol.  O balanço até agora é positivo. A equipa de futebol continua a perseguir o objectivo da subida e fala, em conjunto, numa família que se está a formar nesta aldeia do Barroso.

Tudo começou pela vontade do presidente e dos actuais directores do clube em querer manter o desporto-rei. “O meu objectivo era que houvesse futebol”, conta Márcio Rodrigues, explicando a forma caricata como chegou ao treinador da equipa, Calina.

“O que mais me assustava era escolher o treinador. Andava com pressão por causa das contas. As contas já me davam, mas faltava um líder”, lembra Márcio, definindo o treinador escolhido: “Foi uma escolha acertadíssima, bom para o grupo. A educação e a disciplina no grupo de trabalho é o mais importante”.

Para o treinador do Vilar de Perdizes, “o acordo foi uma coisa muito fácil, resolvida em cinco minutos”. “Este é um clube que tem potencial para ser melhor num futuro próximo”, revela Calina, explicando que houve uma reorganização no clube pois “boa vontade não chega”. “Fomo-nos compreendendo e organizando”, conta, mostrando-se agradado com o projecto que se está a desenvolver.
Presidente, jogador e capitão de equipa


“Meti-me de cabeça nisto. Houve cortes, mas trabalhámos de maneira diferente, expandimos anossa área de patrocínio e conseguimos arranjar mais dinheiro”, resume Márcio Rodrigues sobre a planificação da época do Vilar de Perdizes.

Aos 23 anos, o técnico de informática a trabalhar em Chaves conta que vive um sonho ao ser presidente do clube que se habituou a ver e a viver enquanto cresceu. “O meu pai foi jogador durante muitos anos e está-me no sangue, fui criado neste ambiente”, atira Márcio, confessando que “é um orgulho vestir a camisola da terra natal,” bem como ter sido “escolhido para capitão de equipa”. “Com 23 anos fui escolhido para isso tudo na sombra do meu pai, uma pessoa que eu pus como exemplo”, conta o presidente do clube, assegurando que no início da época teve propostas para jogar em outras equipas, mas preferiu apostar no seu clube.

De resto, muita família de Márcio Rodrigues está no Vilar de Perdizes. A começar pelos pais, que estão ligados ao clube e ajudam a equipa, acabando no irmão, Micael, jogador também do clube. “Esta época está a ser fantástica. Conhecia já alguns colegas, da formação do Chaves, o mister não o conhecia e acho que temos uma equipa muito boa e muito forte, com um grupo muito unido”, afirma Micael.

O pai já foi  jogador, director e marcador de campo. Actualmente só não joga, de resto, ajuda ao clube em tudo o que pode. António Fonfa já perdeu a conta aos anos a que está ligado ao clube e considera que “este ano está a ser uma surpresa”, elogiando o “mister Calina” e os jogadores e deixando uma palavra especial para o filho Márcio. “É um jovem, mas é já um homem muito adulto. Ele é a parede fundamental do clube”, revela.
Bem receber dá conforto aos jogadores de fora


O principal elogio feito pelos jogadores é a forma carinhosa como a gente de Vilar de Perdizes, próximodo clube, os recebe e os apoia. Com a chegada de Calina, chegaram também mais atletas de fora, muitos de Chaves, mas também jogadores vindos de outros países, fruto de um protocolo existente com o empresário Francisco Carvalho. O empresário explica  que em Vilar de Perdizes estão apenas atletas com qualidade superior àquela divisão.

Directores e jogadores garantem que é bom receber jogadores de realidades diferentes, desde que acrescentem valor à equipa e os jogadores “acolhidos” em Vilar de Perdizes mostram-se satisfeitos por poderem fazer parte da família. “Cuido deles todos”, revela Maria, mãe de Márcio e Micael. “Ajudo o clube porque os filhos e o marido gostam e eu vou atrás deles. É bom, eles passam aqui os fins-de-semana e gostamos deles”, explica em relação aos jogadores vindos de outros países. “Convivemos com eles. Eles precisam e nós ajudamos no que podemos, damos conforto e de comer. O convívio é bom e vale a pena ajudá-los, pelos meus filhos”, conclui.

“São outro tipo de pessoas, são barrosões,” considera Calina sobre os directores e adeptos do clube, explicando que “vivem o futebol de maneira diferente e juntam com facilidade 200 pessoas a ver o futebol”. Sobre o protocolo criado, Calina explica que o defeito desta divisão acaba por ser o facto de começar mais tarde e acabar mais cedo, o que dificulta a escolha do plantel.

Este protocolo permitiu dar qualidade à equipa e Vilar de Perdizes acolher os jogadores da melhor maneira. “Não é fácil termos jogadores de outros países”, confessa Calina, explicando que muitas vezes estes jogadores são enganados em alguns clubes, mas em Vilar os atletas “sentem-se agora acarinhados”. “A família do presidente põe tudo o que têm à disposição do clube”, conclui.
Objectivo era manter, mas equipa está a lutar para subir


Os directores estão satisfeitos com o momento do clube. “O que nós nos propusemos era manter, mas onde estamos é bom”, lembra António Eliseu, director do clube pelo segundo ano consecutivo. Sobre o clube garante: “Nunca vi uma direcção tão unida como estamos nós”. Também Pedro Santos está satisfeito com o momento do clube, realçando o facto de o Vilar de Perdizes ser como uma família. “Ninguém é posto de parte”, realça elogiando o esforço e dedicação da equipa e do treinador, tal como todos os directores.

“Ponho muito de mim e da minha casa”, lembra Márcio Rodrigues, presidente do clube  que encabeça este projecto. “Temos apoio da aldeia mas poderíamos ter mais. Andam três ou quatro parasitas a tentar destabilizar o grupo”, avisa, garantindo que há “um grupo muito forte” e que isso o deixa “orgulhoso”.Também importam os resultados desportivos, que é para isso que trabalhamos, mas  pondo isso de parte, é uma família que estamos a criar. Temos um projecto a longo prazo”, conclui Márcio, explicando que a intenção de subir apareceu com o surgimento de Calina no clube.

Actual terceiro classificado da 1ª Divisão de Futebol de Vila Real, com 22 pontos conquistados, o Vilar de Perdizes segue a cinco pontos do primeiro lugar, o que torna o objectivo da subida realizável. “Só dependemos de nós”, afirma o treinador, garantindo que a sua equipa está consciente da realidade.“Sabemos em que situação estamos, bem como que se o fizermos bem, conseguimos o que queremos”, confia Calina, líder de um grupo que reúne um pouco de tudo, jogadores da região, de Chaves e  outros países. É esta uma das características do futebol:  não depende da língua e da cor. É esta uma das características que define a família do Grupo Desportivo Vilar de Perdizes.

Voz aos jogadores

Carlitos, médio, 2º ano no clube:

“É um clube que nos dá muitas e boas condições para jogarmos. É o segundo ano que jogo aqui, joguei muitos anos no Montalegre. Temos um objectivo assumido que é a subida. Jogadores de fora, trazendo mais qualidade é sempre bom. Vindo de Chaves ou Guiné é sempre bom, criam-se novas amizades e conhecimentos. Está a ser criado um bom grupo, conheci pessoas que nunca pensei conhecer. A chegada do treinador foi sem dúvida uma mais-valia para certos elementos, tem carácter forte, personalidade forte e isso ajuda a que os próprios jogadores o respeitem.”

Buba, avançado, 1º ano no clube:

“Estava a fazer a pré- época do Vidago e vim cá treinar. Fiz uns jogos treinos e fiquei. Quando cheguei aqui falei, com o presidente e treinador e disse que só jogava se fizesse o que ele queria e está a correr bem. Agora tudo é fácil para mim. Já fiz 12 golos no campeonato. No ano passado marquei 11 e este ano queria marcar 15. Quando a equipa joga bem eu também jogo bem. A nossa equipa pode subir. Faltam seis jornadas e quero que o Vilar de Perdizes suba. As pessoas daqui são as melhores pessoas que conheço, já joguei em vários sítios. Aqui há pessoas muito boas.”

Luís Carvalho, defesa direito, 1º ano no clube:

“Vim por consideração ao treinador. Quando me falou no projecto vi que era aliciante, uma divisão inferior, mas um bom projecto. As pessoas daqui têm sido bastantes acolhedoras. Está a dar muito gosto ver as pessoas que estão envolvidas no projecto. Estão todos os dias nos treinos, nos jogos em casa e fora. Motiva bastante ver aqui tantas pessoas. Esta equipa tem de subir de divisão. Para mim somos a melhor equipa deste campeonato. Este é um clube que mais cedo ou mais tarde vai ser invejado por muita gente.”

Micael, avançado, 2º ano no clube:

“Esta época está a ser fantástica. O mister Calina trouxe jogadores bons e foi-se vendo quem tinha qualidade para ficar no plantel. Sem dúvida nenhuma é a melhor equipa do campeonato. É uma boa oportunidade para eles se integrarem aqui no mundo do futebol. São grandes jogadores e podem-nos ajudar. São muito novos. Temos todas as condições para subir. O futuro nunca se sabe, mas para já só penso no Vilar de Perdizes.”

João Tunes, médio, 1º ano no clube:

“Conhecia o treinador, não estava a jogar no outro clube, o Nogueirense (Porto), e vim para jogar. Tive lesões e o futebol é diferente, é cada um por si. Aqui as pessoas são muito amigas e gostam de ajudar. Encontrei pessoas espectaculares. Queremos subir e o clube tem todas as condições para ganhar os jogos todos. Vamos conseguir o nosso objectivo. Vejo muito bom futuro. O clube tem todas as condições.”

Germano, guarda-redes, 1º ano no clube:

“Estava a jogar no Vila Meã (III Divisão), mas não estava a receber e vim para aqui para reforçar o Vilar de Perdizes. Aqui estou numa boa equipa também e vamos subir este ano. Receberam-me bem, dou-me bem com toda a gente. A equipa tem um bom treinador. As pessoas aqui recebem-nos bem. Quando começar a jogar as coisas vão correr ainda melhor. Vem muita gente ver os jogos e o clube tem muita gente a ajudar.”

Diogo Caldas

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2 comentários

  1. Boa sorte a todos , que o clube de vilar , vai mais longe , e primo força com tigo , aver se levas o Vilar , a nossa terra o mais alto que puderes…..Grande Beijo

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