A metade do seu mandato de quatro anos à frente dos destinos da Câmara de Chaves, António Cabeleira faz um balanço sobre o trabalho que tem vindo a desenvolver. Os flavienses, nestes dois últimos anos, ganharam novas infraestruturas, assistiram à certificação do Pastel de Chaves como Indicação Geográfica Protegida, participaram na consolidação da marca “Sabores de Chaves” e adquiriram uma nova visão sobre a cultura na cidade. Em entrevista ao jornal “A Voz de Chaves”, o autarca flaviense confessa que “foram dois anos de trabalho intenso” mas que na sua opinião “têm valido a pena”. Para o futuro, António Cabeleira prevê finalizar algumas obras, arrancar com outras, continuar com os apoios sociais, culturais e desportivos, bem como incrementar o ensino superior em Chaves.

IMG_1496Voz de Chaves: Uma das ideias que deixou durante a campanha eleitoral foi a de não iniciar novas obras, cujo investimento seria significativo, mas sim terminar as já iniciadas pelo anterior executivo municipal. Das obras iniciadas, quais é que já estão concluídas e quais é que serão inauguradas até ao final do mandato?
António Cabeleira: Estes primeiros dois anos de mandato, tal como disse, foram marcados pela conclusão de obras significativas no concelho de Chaves. São obras de equipamentos culturais fundamentais para a vida de qualquer comunidade. Exemplo disso é o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso cuja obra de construção já se encontra concluída. Eu não tenho dúvidas de que esse edifício irá fazer a diferença a nível cultural, não só em Chaves, mas em toda a vasta região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Passará, certamente, a ser o museu mais importante de toda a região pela obra arquitetónica de Siza Vieira. Os dois anos que se seguem serão de dinamização do equipamento; teremos todos de nos empenhar, nomeadamente o setor cultural da Câmara de Chaves, mas também quero envolver toda a população. O museu tem vários espaços que podem ser partilhados das mais diversas formas, desde logo, por exemplo, está em perspetiva, no Orçamento Participativo, a organização de um encontro de escritores através da utilização do auditório, com capacidade para 99 pessoas, bem como a utilização de outros espaços que servem perfeitamente para iniciativas dessa natureza. É um investimento que irá atrair muita gente a Chaves, quase não há nenhum fim de semana em que o museu não seja visitado por pessoas de fora. Exemplo disso foi o que aconteceu no fim de semana passado em que vieram à cidade vários arquitetos da Casa da Arquitetura para visitarem o espaço. Depois, temos a obra do mestre Nadir Afonso que estará permanentemente exposta, assim como estarão também expostos os trabalhos de outros artistas. Apesar de fisicamente concluído, o edifício ainda precisa que sejam ultimados alguns pormenores para que se possa dar o arranque para a inauguração do equipamento. Neste sentido, está acordado com a Fundação Nadir Afonso, parceira do projeto, que será inaugurado em março do próximo ano, altura ideal para a sua dinamização uma vez que no inverno a cidade é menos visitada pelos turistas. Não será de um dia para o outro que teremos muita afluência mas, com o tempo e com uma boa promoção, o sucesso deste investimento está garantido.

Um dos investimentos já concluídos e inaugurados é o Parque de Estacionamento do Centro Histórico de Chaves. Inaugurado há pouco mais de um ano, o novo espaço tem correspondido às expectativas?
Este espaço foi construído tendo em conta dois propósitos: por um lado, garantir estacionamento de proximidade na zona do centro histórico beneficiando a área comercial e o acesso aos serviços públicos e, por outro, servir de garagem para as pessoas que têm a sua habitação localizada no centro histórico e não têm sítio onde guardar o automóvel. O espaço tem vindo a crescer em termos de ocupação e é naturalmente uma aposta ganha. Aquele espaço estava absolutamente degradado, com riscos até de propagação de incêndios, e atualmente temos um espaço qualificado. A criação deste equipamento era uma ambição da cidade que remontava aos anos 90 do século passado. Houve uma tentativa em 2001 mas que não se veio a concretizar.
Concluído também, e a merecer destaque, é a requalificação do balneário das Termas de Chaves. As obras iniciaram neste mandato, embora a adjudicação tenha sido feita no mandato anterior. E posso dizer que os índices de utilização atuais registados já não eram observados há muitos anos. Eu bem sei que se gerou alguma polémica pelo facto de o balneário estar fechado, mas há semelhança de outras cidades, o nosso balneário teve que encerrar porque não há outra forma de fazer as coisas bem. Se por acaso tivesse ocorrido algum acidente com um aquista durante o decorrer das obras seria publicidade negativa e tão cedo não recuperaríamos. Neste aspeto, foi-se alimentando um desejo de se voltar a usufruir do balneário. Quando voltou a abrir, a população flaviense parece que descobriu, pela primeira vez, o balneário e, na vertente de bem-estar, estão a utilizar as termas como nunca utilizaram. Ao nível dos aquistas, muitos deles continuaram a fazer os seus tratamentos noutros balneários, e o que aconteceu é que, em vez de se fidelizarem ao novo balneário, arrastaram consigo pessoas que nunca tinham vindo a Chaves, devido aos elogios feitos. Isto quer dizer que, apesar do trabalho que ainda temos pela frente ao nível da promoção, tanto para o mercado interno como para o mercado externo – este último com maior dificuldade, mas já começamos a participar em feiras para convidar as pessoas a virem passar o inverno a Chaves e usufruírem do balneário – estamos no caminho certo. Para já, o ano de 2015 está a ser ano de sucesso, quer no número de aquistas, quer na faturação, quando comparado ao período homólogo de 2013.
Ao nível termal, temos também o Balneário Pedagógico e Termal de Vidago – adaptação da antiga estação de caminho-de-ferro. A obra está concluída, estamos apenas a percorrer as formalidades que fazem falta para a abertura de um equipamento desta natureza. Mas esperamos inaugurá-lo na primavera do próximo ano. Chaves passará a ser um destino termal de excelência com três ótimos equipamentos – as Termas de Chaves, o Spa do Vidago Palace Hotel e o Balneário Pedagógico e Termal de Vidago. Seremos com certeza, no futuro, conhecidos como um bom destino termal e um bom sítio onde as pessoas podem vir cuidar da sua saúde e do seu bem-estar.

Já o Museu das Termas Romanas ainda está por concluir…
Espero que até ao final deste ano seja concluída. É uma obra muito complexa e de muita incompreensão mas creio que quando passar a tempestade, nomeadamente ao nível do atraso da obra, será considerado um monumento nacional que irá trazer muita gente a Chaves. Aos poucos já tem motivado a vinda de algumas pessoas à cidade, inclusive já motivou a realização de um congresso. A partir do antigo balneário termal, Chaves passa a demonstrar que é um município termal de excelência há mais de dois mil anos, na medida em que mostramos as termas terapêuticas romanas que foram referenciadas ao longo da história. Posso dizer que existe um mapa em Roma com as termas pertencentes ao império romano e Aquae Flaviae encontra-se referenciada nesse mapa. A obra está quase pronta, está nos acabamentos finais. É uma obra que nem sempre tem vindo a ser bem executada, mas estou convicto que para o Natal iremos ter a obra concluída e Chaves vai ganhar ali também uma praça nova com alguma dinamização. Durante esta semana será retirada a grua, conferindo um aspeto diferente à zona envolvente. Numa segunda fase, prevista iniciar em 2016/2017, iremos musealizar a infraestrutura.
Foi também inaugurado, já neste mandato, o Pavilhão Expoflávia, cuja utilização tem vindo a crescer. A cidade precisará de ter um pavilhão um bocadinho maior pontualmente para um ou dois acontecimentos durante o ano. É um pouco complexo estar a construir equipamentos que depois não se conseguem rentabilizar, apesar de tudo o Pavilhão Expoflávia tem uma escala que garante uma utilização como um multiusos, mas que poderá ser utilizado mais vezes durante ao ano. A comunidade flaviense tem de saber que tem ali aquele equipamento e que também o pode utilizar. Quando falamos de dinamização cultural e desportiva não compete à câmara municipal desempenhar o papel todo, a câmara desempenha o papel de parceiro e, quando somos convidados a estar presentes, colaboramos e incentivamos. Adianto já que, este ano e pela primeira vez, vamos ter no Pavilhão Expoflávia, a Feira do Vinho.

Que tipo de feira é que estamos a falar? E quando é que será organizada?
É uma feira Sabores de Chaves, a feira de outono, onde iremos promover os vinhos de Chaves durante a Feira dos Santos. Infelizmente ainda não temos um número de produtores que consigam encher o pavilhão daí que neste momento estejamos a convidar os melhores produtores de Valpaços, das regiões de Monte Rei e de Valdeorras, na Galiza. Desta forma, vamos conseguir ter o pavilhão cheio de produtores de bons vinhos e será mais um motivo para vir a Chaves durante a Feira dos Santos.
A Feira dos Santos também precisa de ganhar novas dinâmicas para não ser sempre a mesma coisa e com a organização da Feira do Vinho o certame ganha mais um ponto de atratividade.

Há a consciência de que existem obras que os flavienses gostariam de ver concretizadas na cidade, como um novo pavilhão polidesportivo, um multiusos, umas novas piscinas municipais, a pavimentação das Estradas na cidade… Algumas destas estão projetadas até ao final do mandato?
Estamos neste momento numa fase de elaboração do plano e orçamento para o próximo ano, numa perspetiva plurianual, e que será programado até 2020. Há aqui uma feliz coincidência: até ao fim de 2015 tivemos o encerramento do anterior quadro comunitário de apoio, o ON2, e, a partir de 2016, arranca o novo quadro comunitário de apoio, o Portugal 2020 e o Norte 2020. Nós temos excelentes candidaturas para este novo período de programação. Temos um plano já aprovado que é o Pacto do Alto Tâmega em que Chaves vai receber um volume de investimento considerável, embora a maior parte da verba seja canalizada para as empresas e para pessoas com ideias empreendedoras com o objetivo de se criar no Alto Tâmega emprego e riqueza. Dentro do Pacto do Alto Tâmega ainda há a requalificação de alguns equipamentos ao nível da educação, tais como a Escola de Vila Verde da Raia, o Jardim de Infância do Cino Chaves, a Escola do 1º ciclo de Casas dos Montes, o Jardim de Infância e 1º ciclo do Caneiro e o Jardim de Infância de Vidago. Também no Pacto do Alto Tâmega existe uma verba significativa para ajudar no combate do abandono escolar e para melhorarmos os índices de aproveitamento nas escolas. Ao nível do programa comunitário de apoio Norte 2020, estamos à espera da verba necessária que será aplicada na segunda fase do Museu das Termas Romanas e na requalificação do Castelo de Monforte, duas obras de iniciativa da Direção Regional da Cultura do Norte.
Se Chaves precisa verdadeiramente de um pavilhão multiusos com a dimensão, por exemplo, do de Guimarães, eu entendo que não. Não temos dimensão populacional para o rentabilizar. Fará falta um outro pavilhão que poderá ter um caracter de multiusos mas será fundamentalmente um pavilhão de desporto, que depois, num momento pontual, na Feira dos Sabores de Inverno (Feira do Fumeiro), possa complementar o atual pavilhão gimnodesportivo e o atual mercado municipal, as três coisas em conjunto dar-nos-ão um grande espaço para promover os produtos locais. No dia-a-dia será um pavilhão de desporto mas não invalida que possa ser utilizado para se realizarem espetáculos. Para este pavilhão já temos um estudo prévio elaborado, eu não sei é quando teremos dinheiro para o construir.
Relativamente à construção de umas novas piscinas, temos uma outra candidatura formalizada, embora ainda não esteja discutida nem tenha sido aprovada. Nessa candidatura temos prevista a ampliação da piscina municipal. O projeto está desenvolvido de forma a termos duas naves: uma nave com uma piscina de competição, 17×25 metros e com dois metros de profundidade, e uma nave, onde está a atual piscina, que será reconstruida com piscinas para aprendizagem mas não para competição. O investimento global ronda os 5 milhões e meio de euros. Se o projeto for aprovado teremos, muito provavelmente até 2018, umas novas piscinas. As obras arrancariam em 2016 e seriam desenvolvidas em duas fases, tendo a atual piscina a funcionar e, mais tarde, quando a nave principal estivesse em uso, entraríamos na segunda fase de obras com a reconstrução e ampliação das piscinas atuais. Com a piscina semiolímpica, Chaves poderá receber competições internacionais e a cidade poderá ter uma equipa de polo aquático o que é mais um motivo para a nossa dinâmica desportiva que já é considerável. Este é mais um equipamento que irá atrair pessoas a Chaves. Este equipamento poderá receber competições internacionais que, aliado ao bom nível de hotelaria existente, me levam a acreditar de que a Federação Portuguesa de Natação irá utilizar Chaves como palco de algumas dessas manifestações.
Em termos de equipamentos, temos mais duas infraestruturas previstas, que espero que arranquem já no próximo ano, que é uma Casa Mortuária na cidade de Chaves. Iremos transformar o atual Centro de Convívio da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, ao lado da Maria Rita. O espaço terá duas salas de velório, bem no centro da cidade, que possibilitará o apoio de cafetaria na zona envolvente e de casas de banho no próprio espaço. O Centro de Convívio será deslocalizado para o Jardim do Bacalhau, onde está o Posto de Turismo, que, por sua vez, irá ser localizado no Museu da Região Flaviense. Para finalizar, temos outro projeto que é a ampliação e a requalificação deste museu que antevê uma ligação quase direta à torre de menagem e à sala Nadir Afonso. Nós não precisamos de um grande museu, nós temos pequenos núcleos museológicos que levam as pessoas a percorrerem a cidade e a conhecer a história flaviense.
Uma outra obra lançada neste mandato, terminada e já inaugurada, é a Avenida da República que faz parte da artéria que irá ligar a saída da autoestrada até ao hospital e depois até à estrada nacional 103 (estrada de Braga). Temos três lanços concluídos, faltam agora mais três para concluir essa via, e espero que durante este mandato ainda consiga fazer o lanço quatro, ligando a Avenida da República a uma rotunda que será construída sobre o Ribelas, entre o Bairro de São João e o Bairro dos Aregos, que irá ajudar a distribuir melhor o tráfego. O lanço quinto levar-nos-á diretamente ao hospital, previsto para 2016.
Relativamente à requalificação de avenidas existentes, está no Plano e Orçamento de 2016 o início da fase de recuperação das avenidas. Destaco uma das principais avenidas da cidade, a Avenida Nuno Álvares, como alvo de intervenção, necessitando de uma melhor organização ao nível dos passeios e do seu espaço. Também é necessário renovar as suas infraestruturas no subsolo. A rede de água e de saneamento têm mais de 50 anos e necessitam ser renovadas, daí que a obra seja um bocadinho mais cara. A Avenida do Estádio também precisa de ser requalificada, a Rua do Rajado, a Rua de São Roque, a Rua Alferes João Batista, bem como os pavimentos de acesso ao mundo rural. Iremos também desenvolver a requalificação da estrada de acesso a Montalegre, por Soutelinho da Raia, que será feita em fases, uma vez que não há financiamento comunitário para desenvolver essa obra. Vamos tentar que seja financiada pelo menos o lanço do viaduto da Ribeira da Assoreira a Soutelinho da Raia. Mas em relação ao estado dos nossos pavimentos eu gostaria de dizer que seria simpático que quando as pessoas viajassem reparassem nos pavimentos de outras cidades porque iriam verificar que não estamos assim tão mal quanto isso. Nós estamos num tempo de grande exigência, queremos tudo absolutamente perfeito e o mundo realmente não é perfeito.

O seu mandato iniciou estando a autarquia a passar por um forte aperto financeiro. O défice de exploração da água de consumo foi um dos fatores que contribuiu para esse aperto. Com a unificação das empresas de fornecimento de água em alta, na empresa Águas do Norte, esse défice ficou resolvido?
Sim, estamos a negociar com a empresa Águas do Norte um acordo para resolvermos o que ainda está pendente, embora haja uma parte que irá ficar pendente uma vez que nós não concordamos, nomeadamente a faturação de consumos mínimos e a sobrefaturação das águas residuais que entram na ETAR. A fatura da água, que tem implicação nas contas municipais, até ao final do ano, ficará resolvida. Nós comprávamos a água a 70 cêntimos e agora estamos a comprá-la a 55 cêntimos, o que leva a que não precisemos de mudar as tarifas. Neste momento as tarifas só serão atualizadas de acordo com a taxa de inflação. Com isso nós conseguimos gerar receita para cobrir as despesas, que é o que mandam as regras de boa gestão. Para além do que já está pago, haverá um acordo de pagamento em cinco anos, muito semelhante ao que já temos com a empresa Resinorte, que não criará qualquer constrangimento na gestão das contas do município.
A criação da Águas do Norte foi importante porque foi possível baixar as tarifas de compra da água e, neste momento, estamos em condições de poder garantir água em quantidade e qualidade aos flavienses dentro do preço normal, até mais baixo do que em outros concelhos com dimensão semelhante a Chaves.
A iniciar a segunda metade do mandato, em 2016, ficamos, em termos de saneamento financeiro perfeitamente equilibrados. Naturalmente que persiste uma dívida à banca, mas quem faz investimentos tem sempre dívidas, e é uma dívida perfeitamente controlável e sem nos criar qualquer problema à gestão. Nós iremos entrar em janeiro de 2016 com zero dias em atraso sobre o pagamento das faturas, atualmente eram mais de 300 dias, ou seja, durante o próximo ano as faturas serão sempre pagas dentro do prazo legal de pagamento. Isto é o tal indicador de que não devemos falar mais de dívidas, vamos programar o futuro dentro das nossas capacidades mas não é qualquer tipo de dívida que atrapalhará a gestão municipal.

A autarquia aumentou a taxa de IMI de 0,3% para 0,35%. No entanto, recentemente propôs e ficou aprovada a redução desta taxa para as famílias com filhos. Poderemos antever nesta medida de apoio social o regresso à taxa de 0,3% a curto prazo?
Um município como Chaves é um município com alguma complexidade em termos de organização e de estrutura social. Temos uma boa dinâmica cultural, desportiva e associativa e o município tem obrigação de ajudar a prática e o desenvolvimento destas áreas e para isso precisamos de receitas para poder distribuir. A taxa de IMI um bocadinho acima permite-nos ter receitas para ajudar a desenvolver essas áreas. Se reduzirmos as taxas ao nível mínimo também teríamos de reduzir a nossa atuação ao nível dos apoios sociais, desportivos, culturais e associativos.
As famílias com filhos vão ver o IMI reduzido, e algumas delas inclusive, vão tê-lo reduzido abaixo da taxa mínima. Nem todos os municípios estão a aplicar esta possibilidade da redução da taxa de IMI: para quem tem um filho uma redução de 10%, dois filhos 15% e para quem tem três ou mais filhos uma redução de 20%. Vamos ver qual será o valor da taxa arrecadado durante o ano de 2016 para que em 2017 se possa baixar qualquer coisa, por exemplo, para os 0,33%. Mais baixo não será muito fácil devido à tal questão de arrecadar receitas para mantermos a nossa intervenção municipal.

Consolidado o certame “Sabores de Chaves – Feira do Fumeiro”, iniciou a aposta na promoção de outros produtos, como o folar e o pastel de Chaves. Têm sido apostas ganhas?
As apostas estão ganhas. Mas, mais uma vez, nesta área, somos sempre comparados com as feiras dos municípios vizinhos. Na Feira do Fumeiro de Chaves só podem expor e vender as cozinhas devidamente licenciadas. Com o trabalho que se tem vindo a desenvolver, no combate à desertificação do mundo rural e na promoção dos produtos locais, a aposta é pela garantia de qualidade do produto. As cozinhas tradicionais licenciadas são inspecionadas de forma diferente daquela inspeção que é feita ao produtor normal. Daí também não termos uma grande dimensão, mas esperamos que, no futuro, mais cozinhas sejam licenciadas. Estas feiras não são feitas para que o visitante se vá divertir, a feira é feita para os produtores venderem e promoverem o seu produto, bem como fazerem contactos para que possam vender os seus produtos durante todo o ano. E é este o grande objetivo do conceito Sabores de Chaves. Acho que é uma aposta ganha na medida em que os produtores têm saído satisfeitos das feiras dos “Sabores de Chaves”.

Com a recente certificação do Pastel de Chaves, tem-se notado uma mais-valia para a economia do concelho, nomeadamente através do número de empresas e do volume de negócios gerados com este produto?
Sim, em boa hora se teve a ideia de se certificar o Pastel de Chaves como um produto IGP. Já está tudo devidamente consolidado, podemos agora entrar na fase de inspeção para que só possa ser comercializado como Pastel de Chaves o pastel produzido em Chaves pelos produtores certificados. Com a nova tecnologia de pré-congelamento, o número de produtores também tem vindo a aumentar, assim como o número de exportações. Já temos o produto em França, Espanha e Inglaterra, e ainda temos um vasto mercado europeu para conquistar. Eu estou convencido de que o número de produtores irá aumentar no futuro, assim como o número de postos de trabalho.
O ritmo de adesão não é o desejável porque acho que já deveria haver mais produtores certificados, mas acredito que as pessoas se estejam a ajustar porque sabem que têm aqui um potencial grande de criação de riqueza e emprego. E o Norte 2020 disponibiliza também grandes verbas para que as empresas possam investir em unidades novas e modernas e podermos aumentar a visibilidade de Chaves no mundo.

Devido ao aperto financeiro da Câmara de Chaves, nestes dois primeiros anos do seu mandato, em comparação com anos anteriores, assistiu-se a uma redução nos apoios sociais, culturais e desportivos. No entanto, têm surgido algumas medidas que vêm reforçar estes apoios. Neste sentido, o que se pode esperar, neste dois próximos anos, na ação social, cultural e desportiva?
Durante estes dois anos de mandato não houve nenhuma diminuição ao nível do apoio social. As IPSS’s, a quem a câmara habitualmente atribui subsídios para o seu funcionamento, tiveram durante os anos de 2014 e 2015 o mesmo nível de apoio, inclusive as famílias carenciadas têm apoios diversos, nomeadamente em pequenos arranjos nas habitações, na renda, entre outros. Para 2016 o apoio vai aumentar através do Cartão das Famílias Numerosas que se aplica à comunidade flaviense, através do apoio aos bombeiros, que serve para estimular o voluntariado e reconhecer o papel dos bombeiros no concelho, assim como a atribuição do Cartão do Bombeiro que trará benefícios para os elementos das corporações.
Na área da cultura também não houve redução nos apoios, inclusive temos vindo a aumentar a nossa presença nesta área. Desde logo a Festa dos Povos, que tem vindo a ganhar uma dinâmica diferente e tem sido melhor de ano para ano, a iniciativa Chaves Mágico, a dinâmica com as bandas de música e os ranchos folclóricos na animação de verão, o Chaves Fotografa, entre outros apoios que temos atribuído às associações culturais. Houve então um incremento no esforço financeiro municipal na cultura. Deixe-me só destacar o surgimento da Academia de Artes na cidade que veio fazer toda a diferença a nível cultural. Pelas pessoas que está a formar, pela orquestra que já tem, pelos grupos que se foram formando em torno da academia – Projeto Enraizarte, Fanfaac, entre outros -, tudo isto confere uma dinâmica cultural ainda maior. O facto de Academia de Artes ter sido reconhecida pelo Ministério da Educação como a primeira escola para o ensino artístico da gaita-de-foles por si só demonstra a qualidade e o nível pedagógico que estão a implementar.
Ao nível desportivo, durante o ano de 2014 não foi possível dar qualquer subsídio para o desporto. Não é que o desporto tenha menos importância que as áreas social e cultural, mas não foi possível. Apesar de tudo, e felizmente, os clubes por si próprios conseguiram manter a dinâmica, a estrutura e o nível de participação de atletas na prática desportiva. Em 2015 já foi possível repor o nível de verbas de 2013 e nos próximos dois anos iremos manter esse nível de apoio. Chaves tem uma grande variedade de modalidades desportivas, antigamente só se ouvia falar de futebol, hoje fala-se de futsal, ténis de mesa, BTT, ciclismo, karaté, natação e em todas estas modalidades temos campeões, sobretudo nas camadas mais jovens.

Também durante o seu mandato, a UTAD encerrou em Chaves, mas o ensino superior manteve-se com os cursos técnicos profissionais do IPB. Parte-se do princípio que o ensino superior em Chaves irá manter-se?
O ensino superior irá manter-se em Chaves, apesar de não ser ao nível que desejamos. Incompreensivelmente a UTAD foi-se embora e eu não consigo entender a atual equipa reitoral que se está a acantonar em Vila Real. Ao ficar circunscrita a Vila Real a sua capacidade de atuação e de afirmação ficou reduzida no contexto nacional das universidades portuguesas. Os sucessivos reitores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro não olharam para o potencial de Chaves e do Alto Tâmega. Nós temos a melhor fileira de águas minerais do país e do mundo, em qualidade, quantidade e diversidade, com grande importância económica. A UTAD nunca desenvolveu este projeto de investigação, transferindo-se, mais tarde, ao nível do ensino, nomeadamente através da vertente de balneoterapia que movimenta milhões de euros em todo o mundo. Assim, a UTAD poderia ter em Chaves um centro de investigação de excelência na área da utilização da água, não só para engarrafar, como para utilizar em termos de investigação termal ou na criação de produtos cosmética, através de um campus universitário da água. Também ao nível da cooperação da Península Ibérica a UTAD poderia ter saído a ganhar. Chaves é a cidade de Portugal melhor posicionada para cooperação com as cidades vizinhas, sobretudo com as da Galiza, de Castela e Leão, bem como outras da Europa. Foi-se embora mas não ficámos numa atitude passiva e, juntamente com o secretário de estado do Ensino Superior e com o presidente do Politécnico de Bragança desenvolvemos a ideia de ter em Chaves os cursos superiores profissionais. São de louvar o empenho, o dinamismo e a visão de desenvolvimento regional do presidente do IPB. Os cursos superiores profissionais são o embrião de uma futura escola do IPB em Chaves para desenvolver a vertente das águas minerais e o conceito termal e de turismo. Temos potencial para ter uma escola superior ao nível de licenciatura. No futuro poderemos desenvolver a área de hotelaria, nomeadamente na componente de cozinha, a vertente de balneoterapia e a investigação a partir das águas termais. O embrião está lançado, existem três cursos já com aulas a decorrer, na Escola Superior de Enfermagem: informática, técnicas de vendas e marketing e, energias renováveis e instalações elétricas.

O projeto Eurocidade Chaves-Verin foi recentemente distinguido com um prémio europeu. Este prémio, por um lado, é o reconhecimento de que se tem desenvolvido um bom trabalho e, por outro, um estímulo para que se continue a desenvolver e a aprofundar a relação entre estes dois municípios?
Como disse, este prémio tem um duplo significado: por um lado significa o reconhecimento do nosso projeto, do esforço, da dedicação, das ideias inovadoras que implementamos neste projeto. Criarmos uma zona franca é assim o objetivo, ou seja, queremos contribuir para que o cidadão da eurocidade usufrua do serviço ou equipamento público que melhor entender, independentemente de viver em Chaves ou em Verin; por outro lado, serve como estímulo para aprofundarmos ainda mais esta envolvência de Chaves e Verin. O relacionamento entre os dois munícípios foi sempre bom, portanto, esta cooperação faz todo o sentido. Neste momento temos em construção a ecovia (ciclovia) de ligação entre Chaves e Verin, com 70 quilómetros de extensão, no total, e queremos transformar este espaço num parque natural, sendo mais um motivo para atrair gente a este destino comum. Tal como diz o slogan de promoção turística – “Visite Chaves-Verin, um destino, dois países”.

A concluir, que podem os flavienses esperar, de mais relevante, nos dois próximos anos que faltam para concluir o seu mandato?
Os flavienses podem esperar nos dois próximos anos de mandato do atual executivo municipal, e em particular do presidente da câmara, um empenho grande e uma enorme dedicação. Não tenham a menor dúvida de que tudo faremos para fazer de Chaves uma terra de sucesso, uma terra em que os nossos filhos sintam orgulho em viver, que a população se sinta bem e que os que cá não podem viver, pelas mais diversas razões, sintam orgulho da terra onde nasceram e que a referenciem sempre no sítio onde estão.
Vamos continuar a cooperar, a ouvir os flavienses, a desenvolver programas como a Voz do Munícipe, o Orçamento Participativo, que pela primeira vez contou com a participação de mais de mil flavienses. É com todos os flavienses, sem exceção, que construiremos um futuro melhor. Estamos no bom caminho, a câmara não passará sobressaltos financeiros, e continuaremos a construir bons equipamentos, boas infraestruturas, a atrair gente, dinamizando o nosso parque empresarial, os nossos equipamentos, a desenvolver o turismo, sobretudo no inverno…é esta vontade que mantemos inabalável e não nos sentimos cansados, pelo contrário, estamos muito motivados para continuar a fazer de Chaves esta terra que todos amamos.

Cátia Portela

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2 comentários

  1. Sem polémica, mas para memória futura, conviria que o Senhor Presidente da Câmara de Chaves, e basta consultar o que foi por essa ocasião publicado, trouxesse à colação as iniciativas desenvolvidas pela anterior reitoria para um Campus de Água com a Universidae de Vigo.
    Carlos Sequeira

    • Luís Montalvão on

      E o Solar dos Montalvões em Outeiro Seco? Continuará na sua lenta agonia?

      Recordo aqui este edifício histórico é propriedade da CMC de está entregue ao mais perfeito abandono

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