Natural de Chaves, Ivo Tavares é já uma referência do salto em comprimento em Portugal. Prestes a completar 24 anos a 31 de janeiro, o atleta do SL Benfica tem as metas bem definidas sendo a principal atingir a marca de qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio este ano. Durante 2019, o transmontano superou a marca dos oito metros, colocando-se como o sexto melhor de sempre em Portugal e com a nona melhor marca do ano a nível europeu. A nível interno sagrou-se ainda bi-campeão nacional.

A Voz de Chaves: Quais os objetivos para a nova temporada?

Ivo Tavares: Os objetivos para esta época são saltar regularmente acima dos 8 metros e tentar a marca mínima para estar nos Jogos Olímpicos de Tóquio (8,22m). Este é também um ano de várias competições internacionais onde espero marcar presença. Em Março decorrerão os Mundiais de pista coberta, o Campeonato Ibero-Americano em Maio, no final de Julho os Jogos Olímpicos e por fim o Europeu pista ar livre em Agosto em que o mínimo está fixado nos 7,95m, marca que já consegui na época anterior.

Como está a correr a preparação?

Sinto que a preparação está a correr muito bem, tanto a nível físico como técnico sinto-me melhor relativamente ao ano passado. Estou expectante, e poderei conseguir bons resultados já no período da pista coberta. Tive um pequeno contratempo, uma inflamação tendão de Aquiles no início do mês de dezembro que me impossibilitou de treinar normalmente umas semanas, o treino de pista foi transferido para a piscina evitando os impactos, sendo que o resto da preparação foi feita normalmente. Contudo, sinto que isto não atrasou a minha preparação agora que voltei a treinar sem limitações. Mais uma vez conseguimos adaptar o treino às minhas condições, de maneira a manter a minha preparação.

Quais têm sido as sensações?

Sinto-me confiante, mesmo tendo adiado o início da época competitiva por causa da lesão, mas sei que quando for competir dia 25/01 a Nantes (FR) estarei numa boa condição.

Qual a principal meta?

Neste momento só penso em estar presente nos JO e fazer um grande resultado no Europeu. Para isso, terei que tratar os 8m por “tu”.

Como correu a temporada passada, que avaliação fazes?

A pista coberta foi muito boa, consegui ser consistente acima dos 7,70m tendo o melhor salto a 7,86m. No ar livre, foi um misto de sentimentos, sabia que estava muito bem, estava pronto para saltar 8m, mas as provas não corriam como desejado, penso que o grande problema estava na cabeça. Na última prova, por me sentir mais aliviado os 8m (8,05m) saíram facilmente e sinto que podia ter sido melhor. Começo esta época com uma grande aprendizagem do ano passado, que não basta só estar bem fisicamente, o psicológico também é muito importante, as coisas acontecem quando os dois parâmetros estão a 100%.

Qual a tua referência no desporto? E na tua modalidade em específico?

Não tenho apenas uma referência, tenho várias pessoas que admiro por diferentes características, fora do atletismo por exemplo o Cristiano Ronado/Kobe bryant pela sua ética de trabalho, dois bons exemplos de atletas que chegaram ao top não só pela sua genética, mas pelo seu trabalho árduo. No salto em comprimento tenho como referencia o Greg Rutherford, atleta inglês que tinha uma técnica semelhante à minha, talvez por isso tenha uma admiração por ele. Saltava com uma técnica não muito usual, e eu revejo-me nela. No entanto provou a toda a gente a sua valia, quando foi campeão olímpico e mundial. Outra referência do salto em comprimento é o Ivan Pedroso, este pela sua técnica, para mim a melhor que vi até hoje.

Qual o atual panorama do salto em comprimento, quer nacional quer internacional? Como vês o atletismo em geral em Chaves?

A nível nacional acho que temos vindo a evoluir, temos cada vez mais atletas a saltar acima dos 7m, principalmente jovens da formação. Internacionalmente o nível está muito alto, há alguns atletas com muito bom nível, 3 atletas a saltar acima de 8,50m e quem sabe algum deles poderá bater o recorde do mundo (8,95m-1991) no futuro. Por vezes vejo notícias sobre os atletas de Chaves e sei que têm bons resultados, muito bons para as condições que têm! Como é possível uma cidade como Chaves não ter uma pista de tartan para a prática do atletismo?…

Como vêm os familiares e amigos de Chaves as tuas conquistas?

A minha família e amigos mais chegados, apoiam-me desde sempre. No entanto, tenho recebido muitas mais mensagens ultimamente, até de flavienses que não conheço, sinto que muito devido às notícias que saem neste jornal. A todos o meu obrigado, e espero continuar a representar a nossa região da melhor maneira possível.

Diogo Caldas

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