O extremo do GD Chaves foi quem mais esteve em evidência no final da temporada. Acabou a época em forma, o que lhe valeu a chamada à selecção sub-21, onde somou a primeira internacionalização. A Voz de Chaves foi conhecer melhor Tijane, jogador natural da guiné bissau, que pretende subir o Desportivo de Chaves já na próxima época e continuar a ser opção nos sub-21.

Que avaliação faz da primeira época ao serviço do GD Chaves?

Foi a melhor época que fiz durante minha carreira por enquanto. É graças a esta temporada que fiz que fui chamado à selecção de sub-21, por isso acho que foi uma época positiva para mim.

Estava à espera de ser chamado à selecção no final da temporada?

Sim, estava. Em Mirandela estive muito perto de ter ido para a selecção, de ter englobado a equipa que foi ao campeonato do mundo de Sub-20, no ano passado, mas acabei por não ser chamado. Continua a trabalhar e a acreditar e agora sim, fui chamado à selecção. O problema agora não é ir aos sub-21 uma vez, é manter a confiança e continuar a ser chamado. Depois disso, é ir lá e jogar, não ficar no banco.

Desde que esteve ao serviço do Mirandela que a selecção esteve perto?

Sim. Houve observações até ao jogo da fase de subida. O treinador Ilídio Vale seguiu-me muito e estive para ser convocado, mas acabou por não acontecer.

Depois de uma época boa no Mirandela, com a subida de divisão, como se deu o convite do GD Chaves?

Cheguei a Chaves através do Francisco Carvalho, que foi uma pessoa que me ajudou muito. O meu objectivo passou por compensa-lo, não com dinheiro, mas a jogar bem, para o ver feliz e com alegria. Quando eu jogo bem ele deve sentir-se bem, pois pensa “ajudei o miúdo e ele agora está a jogar bem”. Tinha outras propostas para ir para outros clubes, mas acabei por ficar cá e essa foi a escolha acertada, pois acabei por fazer uma boa época e por chegar à selecção.

Esta temporada o objectivo foi a subida de divisão mas isso não foi possível…

Não era fácil subirmos este ano e por isso a época foi boa. Havia muitos jogadores novos, e primeiro foi preciso os jogadores conhecerem-se o que não é fácil. Fizemos uma boa época mas erramos em alguns pormenores. São coisas que acontecem no futebol. Agora é preciso pensar na próxima época e em conseguir o sucesso. Vamos subir e vamos ser campeões.

Mas considera que este era um bom plantel para subir?

Sim, tínhamos uma boa equipa. Houve união, mas são coisas que acontecem no futebol e é algo normal haverem falhas.

Começou a época lesionado, regressando aos poucos à competição, qual a avaliação da sua temporada?

Andava com dores desde Mirandela, mas estas foram ficando piores e por isso quando cheguei a Chaves primeiro pensei em ficar bem e por isso fiquei de fora, para me tratar e depois foi regressando à competição. Isso correu da melhor maneira. Tenho de agradecer muito ao clube e ao departamento médico pelo apoio e pela ajuda que me deram.

A segunda volta do campeonato foi muito boa…

Sim, é verdade, mas isso aconteceu sobretudo com a confiança dos treinadores e dos amigos, pois havia muita gente aqui que não me conhecia e eu também não tinha muita experiencia de segunda divisão. Com confiança dos amigos, treinadores e dirigentes consegui superar isso e habituar-me facilmente à divisão.

É um objectivo subir de divisão com o Chaves na próxima época?

Sim, é um objectivo meu. Quer a nível pessoal, quer a nível colectivo é uma coisa boa pensar em subir. Se depender de mim vou continuar em Chaves, mas estou à espera de propostas para saber o que é melhor para todos.

Como foi estar na selecção de sub-21?

No primeiro estágio estava com receio, pois não sabia como era. Havia muitos jogadores da primeira divisão, o que significava outro nível de qualidade e de treino. Mas com a confiança do treinador e do grupo consegui manter a forma e estar bem. Depois de dois ou três dias de estágio começou a sentir-me como se estivesse no Chaves e treinava sem receio nenhum. Foi muito bom.

Há muita qualidade na selecção entre os colegas convocados?

Sim, há muita qualidade. Os jogadores são da primeira divisão portuguesa, o que significa que tem muita qualidade e experiência. Não sinto qualquer problema por não estar ainda na primeira divisão, pois não quer dizer que não tenha qualidade. Quero continuar a trabalhar para chegar o mais longe possível. Para a próxima época quero ser titular no Chaves.

Somou a primeira internacionalização frente a Albânia, como correram aqueles minutos em campo?

Não joguei a titular nas duas partidas, mas isso pouco importou, pois o mais importante foi vencer e dar um passo importante rumo ao Campeonato da Europa de 2013. Queria ter jogado mais tempo, é normal. No jogo contra a Albânia senti que se entrava mais cedo podia ter feito mais e até marcado um golo. Mas não aconteceu assim e o mais importante era a minha estreia na selecção. Não é fácil chegar pela primeira vez aos sub-21 e jogar logo, mas acredito que no futuro isso possa mudar.

Nota-se um sotaque francês, em que parte da Guiné cresceu?

Nasci na Guiné Bissau, mas devido à guerra fui criado na Guiné Conacri, onde se fala francês, por isso é que falo melhor a língua francesa que a portuguesa. Estudei francês na escola mas estou muito orgulhoso agora de ter aprendido o português um pouco e quero continuar a melhorar a minha linguagem.

Desde pequeno sempre quis jogar futebol?

Jogar à bola sempre foi o meu sonho mas tive muitas dificuldades no mundo do futebol. Tive problemas com os meus pais, pois dizia que não queria estudar e que só queria jogar. Mas quando uma pessoa quer uma coisa temos apenas de acreditar e continuar a trabalhar que as oportunidades aparecem. Por isso é que hoje as coisas estão a correr bem e espero que continuem a correr bem para ajudar a minha família e para que a minha carreira continue a crescer.

A chamada à selecção deixou a família contente…

Sim, é um orgulho enorme para muita gente que me apoia e que acredita em mim. Eu digo sempre que eles têm de me apoiar mais para eu ter ainda mais força para conseguir os meus objectivos. Tenho família na Guiné, em França e em Portugal e eles estão sempre comigo, seja nos bons ou nos maus momentos.

No início da carreira teve uma passagem pelo Chelsea, como foi essa experiência?

Foi muito boa. Eles gostaram de mim mas na altura não fiquei por questões burocráticas. Na altura foi uma boa experiência e deu-me muita mais vontade de jogar e trabalhar para ser como eles. Não é qualquer um que chega lá, joga e afirma-se. Treinei com os seniores e isso deu-me mais forças e alegria para acreditar que um dia posso jogar num clube como o Chelsea.

O objectivo no futebol é esse, representar um clube de topo?

Sim, quero chegar a um clube grande e jogar na Liga dos Campeões. São coisas que dão valor a um jogador. Depois do Chelsea, voltei para a Guiné e ainda estive nos juniores do Benfica antes de jogar pelo Mirandela, na temporada 2010/2011. Quero continuar a evoluir para chegar longe.

Diogo Caldas

 

 

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