Aos 35 anos, Sandra Cardinali já participou no filme “O Turista” e na quarta aventura de “Piratas das Caraíbas”, ambos ao lado do actor Johnny Depp. Em entrevista à Voz de Chaves, a actriz que vai dar um workshop em Chaves este fim-de-semana revela um pouco da sua experiência na sétima arte. O que a inspira? A humildade das gerações mais velhas de actores.

 

A arte da representação corre-lhe nas veias. Sandra Cardinali é sobrinha da actriz e fadista portuguesa Anita Guerreiro, da família do empresário de circo Victor Cardinali, que é prima da família Munõz. “Desde pequena que vejo fotos e ouço histórias, do teatro de revista ao cinema. (…) É da humildade deles que eu me inspiro”, conta a actriz, que este fim-de-semana vai dar um Workshop de Cinema e Teatro no Centro de Estudos Letras e Números, em Chaves. “Vão aprender técnicas e métodos de interpretação que eu aprendi nos meus cursos em Londres e Nova Iorque. Em dois dias, vou tentar passar o máximo aos alunos para que percebam o talento que há neles”, antecipa a actriz em entrevista à Voz de Chaves. Antes, Sandra Cardinali conta como conheceu Johnny Depp e foi aluna de Susan Sarandon.

 

Após ter dado workshops em Lisboa e em Londres, regressa como formadora após ter passado um ano em filmagens. Porque escolheu Chaves?

Recebi o convite de um amigo de Chaves [Gil Pereira] e decidi aceitar para dar uma oportunidade aos que estão longe dos grandes centros. As oportunidades para entrar no mundo da representação estão todas em Lisboa e esquecem-se que temos um país enorme e provavelmente muito talento escondido. Em vez dos alunos irem a Lisboa, vai o workshop ao encontro deles porque não devem ser esquecidos.

 

Como foi participar em filmes norte-americanos como “O Turista”, ao lado de Angelina Jolie e Johnny Depp?

Foi uma experiência gratificante porque estive com pessoas ligadas ao cinema que adorei, incluindo o Jonnhy Depp, que propôs que eu entrasse no filme “Piratas das Caraíbas”, no qual toda a história passa por ele e pela criatividade dele.

 

Como é trabalhar com o Johnny Depp?

É óptimo porque é um excelente colega e preocupa-se em dar dicas. Antes do realizador dizer ‘acção’, com os olhos e os gestos dele, conseguíamos perceber qual era a melhor forma de estarmos e de actuar. É uma pessoa extremamente humilde e nada vedeta. Não faz fretes, ou gosta ou não gosta, e simpatizou com um grupo, que me orgulho de fazer parte, com o qual se dava e tocava música. Anda sempre com a guitarra dele! É uma paixão grande que ele tem e no hotel [em Veneza]os serões eram bastante agradáveis.

 

E a Angelina Jolie?

É já mais reservada, apesar de bastante simpática. Vive mais no mundo dela. O Brad Pitt também estava lá e ela aproveitou para estar mais com o marido. O Johnny Depp estava sozinho e aproveitou para fazer amizade com o staff…

 

Mesmo sem ter feito papéis principais, já tem boas experiências no currículo…

Mesmo os figurantes que não são actores principais absorvem tudo e é isso que eu tento fazer no meu trabalho. Gosto de assistir às cenas, mesmo as que não participo, para estudar e absorver tudo o que os actores fazem…

 

Considera ser uma mais-valia estudar representação no estrangeiro, neste caso teatro em Londres e cinema em Nova Iorque?

São muito mais exigentes lá fora, o que nos torna mais esforçados. Em Portugal, as coisas estão muito mais facilitadas… Para quem quer chegar à televisão e ao cinema, basta ter um bocadinho de fama e um palminho de cara para conseguir. Isto acontece no mundo da moda também. Eu aprendi em Londres e Nova Iorque que só deve usar o tempo com quem realmente vale a pena. Para entrar no workshop da Actors Studio tive de fazer 16 provas! Não perdem tempo com alunos que acham que não são capazes ou que não têm potencial… O mesmo não acontece em Portugal.

 

Qual é o sua ambição no mundo do cinema?

Adorava fazer um filme com o Joaquim Leitão porque é um realizador com o qual me identifico imenso. Sou fã. Pode ser que o futuro me reserve esse desejo!

 

Ainda espera pelo papel da sua vida?

O papel da minha vida é qualquer papel. Desde figuração a papel secundário, se me identificar com o guião, com a história, se gostar do realizador,

qualquer papel é o papel da minha vida. Basta gostar, não é preciso brilhar, não é preciso ser protagonista. No caso de “O Turista”, tudo o que aconteceu fora do cenário, as amizades que fiz durante o tempo que estive em Veneza, aquilo que absorvi do realizador, do Jonnhy Depp, dos actores que faziam como eu figuração especial e que não eram conhecidos… foi como um curso intensivo numa escola internacional conhecida! Só o facto de participar e a prática é uma evolução para qualquer actor.

 

Que conselhos daria aos formandos antes de iniciar o workshop?

Diria para estarem descontraídos e me verem como uma amiga. Que tentem aproveitar ao máximo o que eu tenho para partilhar, que é o que eu faço com os meus colegas todos os dias, mesmo numa simples conversa de café. Há que aproveitar todas as dicas e todas as oportunidades de aprendizagem.

 

E vão ter uma motivação extra…

No final, dois alunos serão escolhidos para interpretar papéis secundários numa curta-metragem, realizada por Hélio Félix, ainda este ano, e que irá a concurso internacional. Como actores prováveis [ainda não estão confirmados], poderão figurar Ivo Canelas, Júlio César, Isabel Figueiras, Nuno Homem de Sá, São José Correia e José Fidalgo.

 

Sandra Pereira

 

 

PERFIL

 

Uma portuguesa em Hollywood

 

“O teatro é onde me sinto mais à vontade”, garante Sandra Cardinali, que provou a arte cénica aos 16 anos no ensino secundário em Londres – onde “a arte de representar é uma disciplina como outra qualquer” – e continuou a formação na London Academy of Music and Dramatic Art. Nessa altura, participou em três musicais nos famosos teatros da zona do West End. No último, “Chicago”, esteve seis meses em palco a interpretar a personagem que Catherine Zeta-Jones representa no filme.

 

Johnny Depp também foi formado pela Actors Studio

Já no cinema, a grande oportunidade apareceu em 2009, quando após várias tentativas, conseguiu entrar para a Actors Studio, uma reputada escola que formou as maiores estrelas da sétima arte como Al Pacino, Robert de Niro ou Marilyn Monroe, onde fez um workshop de dois meses. Depois, ainda completou um curso de métodos de representação, no qual teve como professora a actriz Susan Sarandon. Foi aí que surgiu a oportunidade de participar num casting dos estúdios norte-americanos da Dreamworks, onde foi escolhida para participar na produção de Steven Spielberg, “Real Steel”, com o actor Hugh Jackman.

 

Seguiu-se uma figuração especial no filme “O Turista”, onde teve de aprender a coreografia de uma valsa durante dois dias para uma cena de 17 minutos de um baile em Veneza, e ainda uma participação, já com falas, no quarto filme da saga “Piratas das Caraíbas” (que estreia em Maio nos Estados Unidos), ao lado de Johnny Depp. Neste filme, Sandra Cardinali faz parte do grupo das sereias que dificulta a tarefa do capitão Jack Sparrow em encontrar a fonte da juventude.

 

No currículo, Sandra Cardinali conta ainda com 36 curtas-metragens, em Nova Iorque e Portugal. A nível nacional, a última foi filmada na passada Primavera com o actor José Fidalgo. Trata-se de “O Espelho”, do realizador Hélio Félix, com quem Sandra Cardinali já tem projectos agendados a partir de Abril.

 

S. P.

 

 

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