O campeão está de regresso. Hugo Santos sagrou-se esta temporada Campeão de Motocross em MX1 e Elite, num campeonato feito de trás para a frente. A Voz de Chaves falou com o piloto flaviense durante a jornada inaugural do Campeonato de Supercross, em Oliveira de Santa Maria, sobre o regresso às pistas, aos triunfos e sobre os sonhos do piloto.

Hugo-Santos-(3)Que avaliação fazes do campeonato onde regressaste às vitórias no Motocross, em MX1 e Elite?

 Já não conquistava estes títulos desde 2009. Voltar foi bom, porque foi com uma nova estrutura, equipa nova, em MX1, pois já havia competido em MX2 e foi espetacular, poder trabalhar com eles durante a época. Deram-me o máximo apoio. Vencer com a KTM em Portugal também é um motivo de orgulho para mim, pois trabalhei muito para isso. Tivemos uma equipa completa, em termos psicológicos, competitivos e de amizade, entre todos, o que fez de nós campeões. Parabéns e obrigado a todos os que contribuíram para este meu regresso.

Foi esse o segredo do sucesso?

 Sem dúvida. Foi o acreditar em mim, eu , e as pessoas, que me deixaram fazer o trabalho, apoiaram-me quando estava mal, o que já não acontecia há algum tempo e é importante. Queria vencer outra vez e consegui.

Que estrutura envolve esta equipa?

 Temos o chefe de equipa, o Gil, com dois mecânicos, o Pedro e o “Colombias”. Somos quatro pilotos, eu em MX1, os irmãos Gil em MX2 e agora a correr nas 50cm o Sandro Lobo, um novo prodígio de seis anos. Há muita mais gente que nos envolve, os patrocinadores, a mãe dos irmãos Gil e um grupo dos “Todos no Aço” que nos acompanham nos treinos. Também temos de englobar a minha família e os meus amigos.

Como tem sido o regresso às pistas?

 Foi muito difícil, pois vinha de uma fase negra em termos pessoais e de resultados. Tentei o ano passado surgir na frente do pelotão, mas não consegui com uma lesão no joelho. Mas não baixei os braços, levantei-me e aqui estou para lutar.

É especial conseguir estes títulos no campeonato de Motocross em 2013?

 Sim, sem dúvida. Neste desporto não se consegue manter o mesmo nível. Consegui mantê-lo de 2002 a 2007, depois tentei manter mas não consegui. Em 2011 consegui ser campeão de SX1 em Supercross o que me motivou. Em 2012 aconteceram as lesões e este ano trabalhámos de maneira diferente, com mais certeza, com mais vontade, dedicação e força de sacrifício, ouvindo as pessoas que me queriam ajudar. Também foi importante o apoio dos miúdos da Escola Hugo Santos, que sempre me motivaram. O meu pai e minha mãe, e a minha filha, sem dúvida um orgulho e motivação para ir para a pista, etambém esta equipa, absolutamente espectacular, com um ambiente familiar e um projecto de futuro. Nesta equipa há um ambiente puro, pois quando é preciso dizer qualquer coisa diz-se e não se guarda nada, o que ajuda muito.

“Trabalhei muito para a etapa nos Açores, e foi lá que se deu a reviravolta, consegui liderar, destacar-me e vencer, e fiquei com vontade de ir para casa trabalhar ainda mais e tentar fazer o mesmo no resto do campeonato”

Os títulos deixam sempre os patrocinadores satisfeitos…

 Exatamente, a KTM está muito contente, pois foi o primeiro título na categoria maior do Motocross. BatquipaKTM MX Surf Racing também, tal como muita gente que me apoiou antigamente e volta a faze-lo após este regresso. Este é um projecto de futuro pois já estou a correr com uma mota de 2014, estando tudo a encaminhar-se para que no ano seguinte seja um bom ano.

 

Estar a trabalhar já 2014 com a KTM 450, o que significa isso?

 Significa muita coisa. Sou o primeiro em Portugal a andar com uma mota de 2014 em competição, o que serve para as outras pessoas verem que esta é uma mota fiável, boa e que me surpreendeu em todos os níveis, pois é espectacular, fácil de guiar. Obrigado à Batquipa KTM MXSurf Racing, pois proporcionou-se esta sensação de guiar uma KTM, que tem sido fantástico.

No Campeonato de Motocross fizeste uma corrida de trás para a frente, em Elite a uma etapa do final já tinhas vencido, em MX1 a vitória aconteceu na última prova…

 Entrei no campeonato fraco, embora motivado. Não ganhei a primeira corrida porque não estava preparado para isso. Na segunda corrida, em areia, que não é a pista para mim, liderei quase a corrida toda mas não consegui ganhar, o que meu fez trabalhar mais e acreditar, pois vi que conseguir liderar e faltava ganhar. Trabalhei muito para a etapa nos Açores, e foi lá que se deu a reviravolta, consegui liderar, destacar-me e vencer, e fiquei com vontade de ir para casa trabalhar ainda mais e tentar fazer o mesmo no resto do campeonato. Desde os Açores até à manga de Águeda fui intocável, ganhei com margem e consegui o título de Elite e MX1. Foi uma luta saudável entre mim e o Basaúla, e parabéns para ele também.

Quando olhas para o futuro até quando pensas em competir?

 Os objectivos não são muitos. É verdade que quero sempre vencer e essa vontade existe sempre. Tenho 21 anos de carreira, tenho 30 anos de idade e se não tiver lesões e se trabalhar bem fisicamente consigo fazer esta alta competição até aos 34 anos. Espero manter-me nos lugares vencedores. Também quero experimentar outras coisas, quero fazer o campeonato de Enduro, fazer um Portalegre e quem sabe uma prova de Dakar. Sei que no Motocross não consigo manter a mesma competitividade e gostava de experimentar coisas novas. Para o Enduro penso que é uma época de transição boa, a partir dos 32 anos.

É um sonho poder competir numa prova como o Dakar?

 É um sonho para qualquer piloto. O Dakar é uma prova extremamente dura, com muita violência física, mas que no final, após terminar, deve dar as melhores sensações do mundo, pois suportamos as dores no corpo e damos aos patrocinadores muita mais visibilidade.

“Gostaria de poder mostrar em Chaves aos mais novos o que é o Motocross”

Como é que a tua terra, Chaves, se vai ligando aos teus êxitos?

 Quero acreditar que tenho uma boa legião de fãs e seguidores em Chaves. Tenho de agradecer e não esqueço as minhas raízes, pois sou de Chaves, apesar de estar actualmente em Barcelos. Adoro Chaves porque foi onde nasci. Tenho de deixar uma palavra para os flavienses, pelo apoio que me dão, tenho muitos amigos e os meus melhores amigos em Chaves.

As redes sociais também ajudam a essa aproximação…

 Sim, tenho a minha página de desportista, e também o meu perfil no Facebook, recebe sempre muito apoio, de norte a sul do país. É muito bom, pois sentimo-nos muito motivados e são por vezes essas pessoas que nos dão a motivação extra para sermos os melhores.

Na prova em Oliveira Santa Maria, havia pessoas a vibrarem com os teus êxitos, mesmo sem tendo uma ligação directa contigo…

 Há muita gente que me acompanha e apoia o que é fantástico. É desta forma humilde que encaro o desporto e as pessoas, desde que fui campeão pela primeira vez em 1993. Sempre falei para as pessoas, e é por isso que gostam de mim. Nesta prova tive presente grande parte da minha família, muitas pessoas de Barcelos.

Há vários piloto de motas que são da região e vão dando cartas quer em Portugal quer fora…

 Temos grandes atletas. O Nuno Pinto [Supermoto] é uma pena que não tenha os patrocínios que deseja para que volte a ser campeão, pois é um grande piloto e grande amigo. O Rui Gonçalves este ano teve problemas, mas espero que faça um bom Campeonato do Mundo, pois é importante para a região e para o país também. Gostava de ver miúdos a seguir os nossos passos, um miúdo de Chaves a tornar-se campeão. Mas para isso é preciso haver condições, formar corredores e patrocínios.

Como está a correr o projecto da Escola Hugo Santos?

 Está a correr muito bem. Tenho tido resultados, cada vez mais pessoas a querer aprender. Tenho 12 pessoas fixas a treinar comigo quase todos os fins-de-semana e espero que apareçam mais. Há pessoas a virem da Suiça para os meus cursos, deixando os filhos à minha responsabilidade e isso é bom e motivante para mim, poder ensinar aquilo que aprendi ao longo destes anos todos. Vou ensinar mais do que eu sei, pois quero que sejam melhores do que eu.

Referiste há uns tempos a vontade de ter também uma escola em Chaves, em que ponto da situação está essa ideia?

 A minha ideia era bastante boa, para procurar através das férias escolar incentivar os miúdos a andar de mota pois, apesar de ser um desporto de risco, não é mais do que muitos desportos que os miúdos praticam. Não é por andar de mota que significa que nos vamos magoar. É de pequeno que se começa e gostaria de poder mostrar em Chaves aos mais novos o que é o Motocross. Sei que iam gostar.

 

Diogo Caldas

 

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