No âmbito da celebração do Dia Mundial do Radioamadorismo, no passado dia 18 de Abril, “A Voz de Chaves” entrevistou Carlos Gouveia, presidente da Associação de Radioamadores do Alto Tâmega (ARAT), fundada em 2002 com o objetivo de promover o radioamadorismo na região e, ainda, incentivar os jovens a aderirem a este hobby tão fascinante.

ARAT-(1)A Voz de Chaves: Em que é que consiste a ARAT, quais são os seus objectivos?

Carlos Gouveia: A ARAT é uma associação de radioamadorismo do Alto Tâmega, sem fins lucrativos, e como o próprio nome indica é uma associação de radioamadores, portanto para pertencer a esta associação temos que ser em primeiro lugar radioamadores…e o que é ser radioamador? É uma pessoa que gosta de falar na rádio com alguém que esteja do outro lado do mundo ou mesmo próximo e habilitado para isso. Essa habilitação consiste em fazer um exame, em Portugal é feito pela ANACOM, autoridade máxima das telecomunicações em Portugal.

Existem várias associações desta índole espalhadas pelo país, como é que surgiu a ideia de criar uma no Alto Tâmega?

Já há muito tempo que nos juntamos com o intuito de criar uma associação. Quando acabamos de fazer o exame começamos como radioamadores a nível de VHF e UHF, frequências que implicam ter repetidores nas serras, mas que só é permitido a associações, ou seja, eu a título pessoal não posso ter um repetidor montado numa serra, posso apenas ter um emissor em casa. Como a nossa região é uma região topograficamente muito acidentada implica que nós para conseguirmos falar para vários sítios tenhamos de ter repetidores, mas como não tínhamos uma associação não podíamos pedir uma legalização de repetidores sem esta existir oficialmente. Assim, no dia 26 de Julho de 2002 , criamos oficialmente a ARAT com um conjunto de cerca de doze elementos e, com muito orgulho nosso fomos a primeira associação no país e na Península Ibérica a ter um sistema de comunicações digitais para amador mais completo, ou seja, em VHF e UHF.

Se alguém quiser pertencer à ARAT o que tem de fazer? Onde se deve dirigir?

É muito fácil. Deve dirigir-se à nossa associação através do nosso e-mail – mail@arat.org – ou pessoalmente na nossa sede, junto ao novo quartel dos Bombeiros Voluntários de Salvação Pública de Chaves especialmente aos sábados à tarde, pedir a documentação necessária para se propor a exame, enviar a proposta do exame para a ANACOM e esta marcará o dia, que tendo em conta os últimos efectuados, será no Porto. A partir do momento que recebe a licença e fica apto pode começar a operar, contudo nos primeiros dois anos só pode falar com um radioamador que esteja próximo e que o seja há mais tempo. Ao estar habilitado a falar pode pertencer à ARAT que é das únicas associações do Norte.

Neste momento quantas pessoas fazem parte da Associação?

Somos cerca de 25 associados. Temos uma direcção da qual eu sou o presidente e por título de curiosidade temos na nossa Associação uma senhora, vogal da direcção que é a única radioamadora no Norte do país.

O que é que um radioamador faz na prática? Que tipo de informação é que transmite?

Basicamente nós conversamos, principalmente em inglês pelo que é importante ter pelo menos umas noções da língua, temas técnicos entre vários colegas de todo o mundo, mas também falamos do tempo, de alguma catástrofe que tenha acontecido ou ainda esclarecemos dúvidas, especialmente para os radioamadores novos que entraram há pouco tempo, é com os outros que eles tiram dúvidas e que aprendem certas novidades tecnológicas e certos pormenores técnicos do radioamadorismo. Além disso, a nossa associação tem um protocolo assinado com a Protecção Civil e, em caso de necessidade, as Autoridades podem pedir auxílio à ARAT e nós colocamos ao serviço da comunidade todos os nossos emissores, inclusive os pessoais, ou seja, em caso de necessidade extrema eu sou obrigado a ceder o meu equipamento para o bem da comunidade.

 

O que é o radioamadorismo?

O radioamadorismo pode ser considerado como um hobby científico praticado em quase todos os países do mundo por pessoas habilitadas e licenciadas por autoridades, para a intercomunicação e estudos técnicos, sem motivo de lucro (quando opera, um radioamador não pode fazer nenhum tipo de publicidade). Assim como outros hobbies, o radioamadorismo possui legislação nacional e internacional que regulamenta as condições de uso e as frequências de rádio destinadas à actividade, e que obrigatoriamente deve ser seguida pelos seus praticantes, os radioamadores.
Historicamente é possível afirmar que o radioamadorismo começou juntamente com as primeiras emissões de rádio no final do século XIX. Como ainda não existiam fábricas de rádios até então, mas a curiosidade na comunicação à distância era crescente, diversas pessoas começaram a montar os seus próprios equipamentos e antenas de forma caseira a título de experimentos e deu-se então o início desse hobby que se tornou conhecido mundialmente. Com o crescimento de atividades nas frequências de rádio, o senado norte-americano publicou a 13 de agosto de 1912 o Radio Act 3, a primeira lei que regulamenta as comunicações de rádio no país. No mesmo ano, Irving Vermilya, 1ZE, tornou-se o primeiro radioamador licenciado nos Estados Unidos.

Radioamadorismo em Portugal

Em Portugal há hoje cerca de 6.500 radioamadores licenciados, embora muitos deles apenas com actividades esporádicas, divididos em 3 classes de Radioamadores 1, 2 e 3. Estas distinguem-se pelo indicativo de chamada e o detentor de cada licença tem mais ou menos permissão de uso de frequências e potência consoante a sua classe. Estas classes são atribuídas mediante um exame que é pedido pelo interessado à ANACOM, autoridade nacional que tutela as comunicações.
Os exames consistem em questões de electrónica, rádio-electricidade e legislação.

Contributos dos radioamadores

Os radioamadores têm ao longo das últimas décadas sido protagonistas de acções de assombroso humanismo. Em certos países anglófonos um dos termos utilizados para designá-los é mesmo “ ham radio “, que vem da expressão “ help all man “ (ajudar todos os homens) à qual se acrescentaria… sem olhar a quem.
De facto, por possuírem meios de comunicações quase infalíveis, muitos destes homens e mulheres têm tido papéis de mérito reconhecidos pelas suas comunidades em casos de crise ou catástrofe natural. Alguns radioamadores já salvaram vidas através da gestão de comunicações de emergência, e outros salvaram vidas dando a conhecer à opinião pública relatos de situações de crise e atentados aos Direitos Humanos retractados por colegas que transmitem pedidos de socorro a partir de zonas em guerra.

 

Por Andreia Gonçalves

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