Aposta no setor primário, captar investimento e atratividade turística são os pilares para combater a desertificação implementados pela autarquia de Valpaços. Amílcar Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Valpaços, em entrevista, deixa uma palavra de “esperança” face aos desafios do futuro, depositando confiança na “garra e entusiasmo” dos valpacenses.

A Voz de Chaves: Na terça-feira, dia 6 de novembro, decorreu o Feriado Municipal em Valpaços. Qual a mensagem mais importante que pretendeu passar aos valpacenses neste dia festivo?
Amílcar Almeida: O mais importante é passar uma palavra de esperança aos valpacenses. A autarquia está empenhadíssima no sentido de contrariar os estudos que são feitos em torno de todo o Interior, sobretudo o problema demográfico que existe em todo o Interior do país. Lamentavelmente, temos ouvido dizer que o nosso país vai perder muita gente, que no ano de 2050 muito provavelmente seremos só cerca de oito milhões de pessoas…
Quero, pois, deixar uma palavra de esperança aos valpacenses porque nós somos gente de garra, gente de entusiasmo, trabalhadora, hospitaleira e temos de saber aproveitar as potencialidades deste território e conseguir dar a volta a toda essa questão. Não me falta vontade, determinação, entrega e gostaria que a população do meu concelho visse em mim um fator no sentido de, conjuntamente com eles, podermos ultrapassar barreiras de forma a vencer as dificuldades que se avizinham. Quero acreditar que nós estamos a saber ultrapassá-las.

Quais as potencialidades deste território?
Desde que assumimos os destinos da autarquia, definimos como prioridade fundamental a aposta no setor primário, atendendo a importância que este setor representa na economia do concelho de Valpaços. Sabemos que são muitas as potencialidades em determinados produtos, nomeadamente na castanha, no vinho, no azeite, nos frutos secos, e, de facto, faltava algo que levasse esses produtos aos melhores mercados.

Tem sido conseguido?
De facto, verificámos que tem sido um sucesso no que respeita à promoção, divulgação e mesmo à comercialização dos nossos produtos. Hoje estamos em condições de dizer que temos um naipe de produtos capazes de fazer inveja a muitos outros concelhos. À nossa dimensão, somos provavelmente o concelho mais rico. Para isso, entendemos que era fundamental criar uma marca própria. Hoje os nossos produtos saem com a marca “Valpaços – a Essência Natural”. Com isso conquistámos mercados, não tivemos medo de participar nos maiores certames a nível nacional e internacional.

Diz-se que o problema demográfico resulta em larga medida pela fixação das pessoas e isto consegue-se criando empregabilidade. Além do setor primário, que outras medidas poderão ser tomadas?
Nesse sentido, a Câmara Municipal tem vindo a fazer um trabalho, diria eu, notável junto de entidades para criar postos de trabalho. Posso dar-lhe conta de que brevemente serão criados 21 postos de trabalho aqui em Valpaços, numa linha de embalamento de produtos para o mercado europeu. Mais uma vez, o setor primário está a dar cartas neste sentido. Mas, acima de tudo, queremos tornar-nos num concelho mais atrativo para que quem nos visita fique com vontade de voltar e encontre motivos para poder pernoitar por alguns dias no concelho de Valpaços.

Está aberto um concurso para instalação de painéis solares em Valpaços. Em que consiste esse projeto?
Será um projeto que visa a produção de energia elétrica, com a colocação de 135 mil a 150 mil painéis foto voltaicos. Estes painéis serão instalados em terrenos do município, de 82 hectares, mas nesta fase serão utilizados já 42 hectares. A entrega das propostas termina muito brevemente, será já neste mês de novembro, pois não podemos entregar um projeto diretamente a uma determinada empresa. Temos de criar um caderno de encargos, uma série de cláusulas, para que as empresas possam obedecer e concorrer apresentando a sua proposta.
São 42 hectares que vão ser ocupados e que vão poder vender energia mais barata, vão criar empregabilidade, vão também poder fazer algumas obras por nós elencadas, e vão pagar uma renda.

Qual a localização?
Será na zona da Terra Quente. Valpaços tem uma exposição solar já considerável e, portanto, o espaço em causa é um espaço muito benéfico para essa produção de energia.
Ficará na zona do Cabeço, portanto, à saída para Vilarandelo. É um espaço fragoso que foi adquirido pelo meu antecessor. E posso dizer que ao longo dos 30 anos a Câmara Municipal irá receber em rendas mais de um milhão e 800 mil euros e vai ainda ver concretizadas obras no valor de cerca de 400 mil euros. Ou seja, esse projeto irá beneficiar o concelho de Valpaços em mais de dois milhões de euros.

Referiu, que “queremos um concelho mais atrativo para que quem nos visita”. O Turismo e a atratividade turística são áreas que merecem a atenção da autarquia?
Certamente. Temos uma série de candidaturas aprovadas no âmbito do Portugal 2020 que vamos iniciar este ano, desde ecovias, ciclovias, recuperação das praias fluviais, enfim, uma série de mais-valias que de facto permitem que Valpaços comece a despertar também para a atração do turismo, é isso que nos falta. Sabendo, de antemão, que estamos ladeados por Chaves e Mirandela, mas posso dizer-lhe que hoje já somos procurados em agências de viagens por pessoas que vêm passar o dia aqui, que almoçam, que vêm visitar a Casa do Vinho, a Loja Interativa de Turismo, que vão visitar as nossas adegas, o nosso santuário… Esta é mesmo uma mais-valia que estamos a despertar e que é fundamental, não só no que respeita à parte económica, mas, acima de tudo, para trazer gente ao concelho e potenciais investidores num futuro próximo.

São cada vez mais notórios os laços entre os vários concelhos da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Tâmega. Acredita que os concelhos unidos podem ser mais fortes?
Sim. De facto o Alto Tâmega tem uma marca própria, e nós queremos criar essa marca. Costumo dizer que o Alto Tâmega tem o dom de nenhum dos municípios fazer sombra aos demais. Repare que as potencialidades únicas e ímpares de cada concelho em nada interferem com os demais. Isto é, um é rico no granito, outro na castanha, no azeite e no vinho, outro no fumeiro e nas carnes, outro nas águas, outro no turismo, nos pastéis e no termalismo, ou seja, temos um leque de produtos capazes de poderem ser apresentados no sentido de poderem potenciar esta região. E, portanto, se nós queremos fazê-lo temos de pensar numa política, numa estratégia de forças comuns no sentido de valorizar este território para que quem nos visita não fique somente por Chaves, por Valpaços, por Boticas, Vila Pouca de Aguiar, Montalegre ou Ribeira de Pena, queremos que percorra todos os territórios porque em cada um deles vai encontrar diferenças, mas, acima de tudo, gente hospitaleira, gente capaz, gente com uma rica gastronomia, e, acima de tudo, com belas paisagens, com produtos únicos capazes de fazer inveja a qualquer outro concelho de outra CIM.

Contudo, as vias intermunicipais não são as melhores…
Algumas ainda não são as melhores. Como se sabe este quadro comunitário não prevê a melhoria das acessibilidades. Até nós almejávamos um melhor acesso para Chaves com portas abertas para a rotunda de Vila Verde da Raia, isto é, encontrando um caminho para a Europa, a escassos quilómetros de Chaves, e também da A24. Um outro acesso que gostaríamos de ver concretizado era um acesso mais rápido a Vila Pouca de Aguiar e à A7. Isto porque é importantíssimo que o setor primário de Valpaços esteja bem servido com vias. Muita da nossa castanha, por exemplo, utiliza essa via de Vila Pouca de Aguiar para chegar rapidamente ao porto de Leixões e daí ser exportada para outros países.
Parece que o próximo quadro comunitário, o 2021-2030, vai já comportar as melhorias de acessibilidade. Na CIM do Alto Tâmega estamos a fazer um estudo no sentido de que cada município faça constar as suas reais necessidades para que possamos ainda ter uma voz ativa e interventiva no que respeita ao próximo quadro comunitário 2030. Posso dar-lhe conta que nós, Valpaços, apresentámos as duas vias que já referi como sendo fundamentais para o progresso. No que diz respeito à nossa ligação a Mirandela estamos muito bem servidos. Portanto, precisamos de estar servidos para a Europa. A nossa posição seria um acesso mais rápido até São Lourenço, passando depois aí nas traseiras da freguesia com ligação à rotunda de Vila Verde da Raia. Essa seria a nossa prioridade, bem como a via que liga até Vila Pouca de Aguiar. Pretendemos um acesso mais rápido, eliminando muitas curvas de forma a encurtar distâncias.

E a ferrovia? Poderá a vir a ser uma realidade no Alto Tâmega?
Nós, enquanto CIM, estamos a lutar para que a ferrovia Porto-Zamora possa passar no território do Alto Tâmega. Isto seria fundamental e importantíssimo, independentemente de onde quer que passe, pois iria contribuir para a valorização desse território e, certamente, uma mais-valia importante.

Paulo Chaves

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