Depois de Montalegre e Boticas, também o concelho de Chaves surgiu no interesse de uma empresa australiana para prospeção e pesquisa de vários minerais, de entre eles o lítio.

Recentemente, a empresa australiana Fortescue Metals Group Exploration Pty Ltd. (FMG) requereu, junto da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a atribuição de prospeção e pesquisa de depósitos minerais de lítio, estanho, tungsténio, ouro, prata, chumbo, zinco, cobre e outros depósitos minerais ferrosos e minerais metálicos associados numa área denominada “Mariola” da qual fazem parte os concelhos de Chaves, Valpaços e Mirandela, resultando numa área total de 493 km2. Este pedido veio na sequência do conhecimento da existência destes minerais na zona.

No caso concreto da cidade de Chaves, este pedido de prospeção engloba 31 freguesias do concelho.
Após este pedido foi aberta uma fase de inquérito, que está ainda a decorrer, na qual todos os interessados, públicos e particulares, se podem pronunciar. A Câmara Municipal de Chaves, sendo uma das maiores interessadas neste assunto, já se pronunciou.

Em declarações ao jornal A Voz de Chaves, no passado dia 12 de junho, Nuno Vaz, presidente da Câmara Municipal de Chaves, explicou: “Neste momento estamos a falar de um pedido de prospeção. Ou seja, na prática, aquilo que esta empresa pretende fazer no território é saber se estes minerais existem em quantidade que lhes permita avaliar a possibilidade da sua possível extração. Na nossa perspetiva, aquilo que a empresa pretende é fazer a prospeção de lítio. No caso concreto de Chaves este pedido abrange um elevado número de freguesias e foi relativamente a isso que o executivo municipal, em reunião de Câmara ontem (11 de junho), se pronunciou”.

O autarca afirmou que neste momento a Câmara não tem de emitir qualquer parecer, seja positivo ou negativo, contudo, assegurou que foi já feito um “conjunto de considerações e de propostas à DGEG que para nós são fundamentais para salvaguardar os nossos recursos naturais, em particular a água termal, mas também recursos arqueológicos, patrimoniais e ecológicos. O que entendemos é que a proposta feita por esta empresa é desadequada porque abrange um espaço desmesurado do território. Por outro lado, na avaliação técnica que foi feita pelo nosso engenheiro de minas, esta proposta da forma como foi feita e apresentada tem de ser censurada e tem de ser desaprovada por nós, pois, para além de ser um espaço muito significativo, existem também grandes reservas relativamente àquilo que são os impactos negativos resultantes, não da prospeção, mas de uma possível extração”.

Assim, o executivo municipal propôs a correção relativamente às áreas de intervenção, de forma a salvaguardar um conjunto de áreas de elevada importância para o território “designadas à concessão das águas de Chaves, à barragem das Nogueirinhas, à concessão de Vilarelho da Raia, e também à exploração de Vidago”.

Nuno Vaz referiu ainda que antes da realização da prospeção será exigido um estudo para serem conhecidos os impactos negativos que poderão resultar da mesma, principalmente a nível hidrológico, sendo a água considerado o “recurso maior” do concelho flaviense. “Se isto não for feito, entendemos que uma iniciativa desta natureza deve ser objeto de oposição, quer das entidades públicas, quer dos cidadãos”, declarou.

Lítio não será tão rentável quanto as Termas

Quando questionado acerca das vantagens que uma possível extração de lítio poderia trazer para o concelho, Nuno Vaz foi muito assertivo: “Eu identifico duas maiores vantagens. A primeira seria para os proprietários que pudessem vender os terrenos para ser realizada a prospeção. E neste contexto também queremos pedir aos senhores presidentes de Junta que informem a população para que todos em conjunto tenhamos a consciência que qualquer iniciativa de prospeção só avançará rápido se houver alguém que venda terrenos. A outra das vantagens está relacionada com os postos de trabalho que esta atividade poderia gerar. No entanto, na nossa opinião o impacto económico seria bastante limitado e muito menor do que aquilo que resulta do aproveitamento termal que já temos para efeitos de saúde, bem-estar e geotérmicos. E entendendo nós que somos um concelho turístico, é importante que a paisagem seja também preservada para que isso seja um valor que ganhe relevância para quem nos quer visitar”.

O autarca flaviense disse ainda que será feita uma sessão de esclarecimento onde a população, para além de ser informada, poderá participar ativamente.
De referir que Portugal é o sexto maior país com reservas de lítio a nível mundial.

Maura Teixeira

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