Os alunos regressam esta quarta-feira, dia 16, às escolas para o início do novo ano letivo em plena pandemia da covid-19, que obrigou estabelecimentos escolares a reorganizarem-se e a adotar um conjunto de regras e medidas de segurança para evitar o contágio do vírus. Os diretores das escolas de Chaves consideram que será um ano diferente, mas estão confiantes com a retoma das aulas presenciais.

Desde o uso obrigatório de máscaras e desinfeção das mãos à entrada da escola e das salas de aula, passando pela definição de circuitos de circulação e higienização constante dos espaços, até à criação de locais para alunos poderem realizar as refeições, são as várias mudanças que as crianças e jovens vão encontrar neste primeiro dia de aulas, e por isso, os diretores de turma vão aproveitar a habitual receção aos pais para explicar as novas regras de segurança definidas pela Direção-Geral da Saúde e pelo Ministério da Educação. Em alguns agrupamentos, os encarregados de educação dos alunos que já frequentam as escolas poderão assistir à sessão de apresentação por videoconferência.

As novas regras preveem, por exemplo, que os alunos tenham aulas sempre na mesma sala, que tenham lugares fixos, com as secretárias a uma distância de pelo menos um metro, e que os espaços sejam arejados sempre que possível. As idas à casa de banho vão ser controladas de forma a que se evitem concentrações e serão organizados intervalos mais longos, com horários desfasados entre as turmas, haverá zonas limitadas para cada turma e as atividades de lazer que normalmente eram realizadas entre as crianças e jovens, por exemplo jogos de futebol, não vão poder acontecer.

Na Escola Dr. Júlio Martins, que integra o Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, as aulas vão funcionar por turnos, havendo aulas da parte da manhã para os alunos do secundário e da parte da tarde para os estudantes do 7º, 8º e 9º ano. Neste agrupamento, uma das maiores dificuldades prende-se com 1º ciclo, cujas salas de aulas são constituídas por mesas duplas. Joaquim Tomaz, diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins, lembra que o Governo não autorizou a que as turmas fossem desdobradas e que neste caso será “impossível” ter todos os alunos separados de acordo com as normas da Direção-Geral de Saúde.

Contudo, o responsável defende que o regime de aulas presenciais é o único sistema que dá garantia para a criação de maior igualdade entre todos os alunos, uma vez que o ensino à distância necessita de ferramentas digitais que os alunos mais carenciados muitas vezes não possuem.

Cantinas funcionam por turnos e será permitido sistema de take away

O número de alunos nos bares também será vigiado para evitar aglomerações e os alunos vão ser incentivados a trazer para a escola o lanche preparado de casa. Na Escola Fernão de Magalhães o diretor do agrupamento, Mário Carneiro, explicou que o bar foi reorganizado e que só é permitida a permanência no local a um número reduzido de alunos. Além disso, o bar não contará com o habitual número de mesas, tendo sido retiradas algumas delas com o objetivo de respeitar a distância entre alunos.

Segundo o mesmo responsável, o serviço de refeitório funcionará por turnos, com horários alargados para cada turno, sendo devidamente limpo e todas as superfícies desinfetadas no final de cada utilização.

Além de poderem realizar a sua refeição no refeitório, os alunos do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins vão poder levar para casa a comida preparada na escola.

Apesar das várias mudanças no funcionamento das escolas devido à pandemia do novo coronavírus, Mário Carneiro acredita que foram tomadas todas as medidas de segurança e higiene para minimizar o contágio da covid-19 e que será um ano letivo positivo. Além disso, o diretor do agrupamento, considera que é importante haver “trabalho de equipa”, não só dentro das escolas, mas também fora delas para que os alunos estejam sensibilizados para os novos comportamentos que devem adotar, e por isso, lembra, que também os pais e encarregados de educação devem ter um papel fundamental neste processo de sensibilização.

Outra das adaptações realizadas tem a ver com a entrada e saída dos alunos dos estabelecimentos escolares, sendo que na Escola Fernão de Magalhães a porta de acesso à lapa será utilizada pelos alunos do 2º e do 3º ciclo, já a “porta principal”, de acesso à Rua de Santo António, é destinada aos alunos do secundário e na escola só poderão entrar os estudantes e o pessoal docente e não docente.

Na mesma escola, só serão permitidas duas turmas nas aulas de educação física, que serão realizadas em locais distintos, os alunos terão de utilizar calçado próprio para as atividades físicas e como medida de precaução serão colocados tapetes à entrada do pavilhão para os alunos desinfetarem as sapatilhas sempre que o utilizarem. As aulas de educação física, no Agrupamentos de Escolas Dr. Júlio Martins, acontecem, por norma, no final de cada turno, de forma a que os alunos consigam tomar banho em casa e não se juntem, assim, nos balneários.

Já nas aulas de informática, cada aluno terá o seu computador para trabalhar e os teclados foram “plastificados” para que sejam mais facilmente desinfetados no final de cada utilização. As escolas estão ainda preparadas com um plano de contingência e com uma sala equipada caso haja algum aluno suspeito de estar infetado. Caso se detete algum caso suspeito, o aluno é encaminhado para esta sala, o encarregado de educação é informado assim como as entidades de saúde responsáveis.

Rede de transportes escolares é apontada como solução para o transporte dos alunos das aldeias

O transporte de alunos das aldeias é uma das preocupações dos diretores das escolas do concelho. As crianças e jovens que vivem nas aldeias apenas têm transporte duas vezes por dia, um da parte da manhã e outro da parte da tarde. Para além das crianças e jovens, estes autocarros transportam o público em geral, com lotação limitada a dois terços.

Apesar do esforço financeiro da Câmara de Chaves para garantir o transporte destes alunos, Paula Barros, diretora do Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo, considera que deveria ser concertada entre todas as entidades competentes uma solução que satisfizesse melhor as necessidades dos alunos. Neste caso, a criação de uma rede de transportes escolares, tendo em conta os horários dos estudantes, seria uma das hipóteses apontadas por Paula Barros, embora reconheça que o investimento a fazer fosse bastante elevado, mas, na sua opinião, necessário.

O arranque do novo ano letivo no Agrupamento de Escolas Dr. António Granjo também se prevê tranquilo e com todas as normas e medidas de segurança da DGS adotadas. Em cada escola deste agrupamento foram criados espaços para os alunos almoçarem e não terem assim de se deslocar à escola sede, de autocarro, como era habitual. Paula Barros explica que o objetivo é promover o distanciamento social dos alunos e que o transporte destes, que acontecia em duas escolas do agrupamento, poderia por em causa essa situação. Além disso, acrescenta, é mais fácil para evitar as cadeias de contágio.

Neste agrupamento haverá uma turma que irá ter aulas em regime misto, uma situação excecional que está prevista nas medidas divulgadas pelo Ministério da Educação no âmbito da pandemia do novo coronavírus. Este regime combina aulas presenciais com sessões síncronas.

Para a diretora do agrupamento o apoio de todos os intervenientes neste processo é determinante para o sucesso deste novo ano letivo e todos devem estar disponíveis para colaborar em rede, partilhando toda a informação relevante.

Numa altura em que o número de casos de infeção por covid-19 tem aumentado no concelho de Chaves, ultrapassando neste momento a barreira dos 30 casos ativos, o diretor do Agrupamento de Escolas Dr. Júlio Martins admite que o futuro é incerto e lembra que o início das aulas é sempre um momento que movimenta muita gente, desde alunos, pais, encarregados de educação, funcionários e professores, e que por isso o risco de proliferação do vírus poderá aumentar. No entanto, “não podemos entrar em pânico” e “ir gerindo, de forma responsável e ponderada, cada situação”, com a colaboração de todos os agentes. Só assim, acrescenta, será possível evitar a propagação do vírus e o encerramento das escolas, que seria, na opinião deste docente, um grande prejuízo para a educação e preparação das crianças.

Cátia Portela

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