A Associação dos Agricultores e Pastores do Norte promoveu pelo segundo ano consecutivo um dia inteiramente dedicado ao convívio entre os pastores da região.

O Mercado da Feira do Gado, em Chaves, acolheu na segunda-feira, dia 10, cerca de oito dezenas de pastores, familiares e amigos para comemorar o Dia do Pastor. Segundo explicou Daniel Serralheiro, engenheiro técnico da Associação dos Agricultores e Pastores do Norte (APT) e da Federação Nacional dos Baldios, este dia tem como objetivo dinamizar o setor agropecuário, em especial a atividade pastorícia da região, e, ao mesmo tempo, demonstrar que a associação continua presente e a lutar pelos direitos dos criadores de gado e dos agricultores.

Devido à excelente adesão dos pastores transmontanos ao evento, o responsável adiantou que o objetivo é incluir a celebração do Dia do Pastor nas atividades apoiadas pela Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT).

“A Associação dos Agricultores e Pastores do Norte não abrange só o concelho de Chaves. E neste momento só a autarquia flaviense é que nos apoia na realização desta iniciativa. No fim do verão pretendemos reunir com os responsáveis da CIMAT para que promova a articulação desta iniciativa junto dos restantes municípios, e seja assim possível organizar o Dia do Pastor em todos os concelhos do Alto Tâmega”, referiu Daniel Serralheiro.

Futuramente, o responsável da APT pretende ainda alargar este dia aos agricultores. Neste contexto, as próximas edições do Dia do Pastor contarão com um espaço com várias ovelhas da raça autóctone da região, Churra Galega Bragançana, e com diversos produtos agrícolas.

“Queremos também envolver as escolas para que as crianças conheçam o mundo rural, que participem na tosquia das ovelhas e em outras atividades típicas”, revelou o engenheiro técnico.

No concelho de Chaves existem dez criadores de ovinos da raça Churra Galega Bragançana registados, no entanto, Daniel Serralheiro acredita que existam perto de 60 pastores. Já ao nível dos agricultores, por ano são pedidos cerca de 600 subsídios para apoiar este setor, no valor de um milhão de euros.

“O mundo rural é o início de tudo. Se começar a ficar com menos gente, fica desertificado, as aldeias acabam-se e vai ser cada vez mais difícil viver nas cidades. No ano passado conseguimos que fosse atribuído, pela primeira vez, uma verba para apoiar os criadores de animais. A associação já andava a reclamar este apoio há 10 ou 15 anos, mas só com a entrada deste executivo municipal é que foi possível”, disse Daniel Serralheiro, acrescentando que “o estatuto familiar da agricultura será a próxima luta em Bruxelas”.

Paula Chaves, vereadora da autarquia flaviense, disse estar sempre disponível para apoiar o mundo rural e olha com satisfação para a intenção da APT de alargar o evento a todo o Alto Tâmega.

“Este é um dia de festa, de alegria que nós abraçamos e que apoiamos desde a primeira hora. E são vários os apoios que damos, não só a esta iniciativa, como também para a feira do gado e para a produção pecuária”, frisou a responsável.

Na opinião da vereadora, ser pastor não é fácil, é uma profissão bastante cansativa, mas que também tem as suas vantagens, como estar em contacto com a natureza e com os animais

Em dia de festa, houve muita animação, com música à mistura, e boa disposição entre todos. A iniciativa contou ainda com a exposição de 40 ovinos. Para além das boas recordações deste dia, os pastores levaram para casa uma caneca alusiva ao evento oferecido pela associação.

De referir que estão abertas até dia 30 deste mês as candidaturas para o apoio à pecuária. A documentação necessária deve ser entregue na Câmara de Chaves. Para além deste apoio, a vereadora do município revelou que a autarquia está a “estudar” a atribuição de um apoio financeiro às explorações de pocilgas. A criação de um cabaz com produtos agrícolas de Chaves é outra das iniciativas que o município pretende pôr em prática, tendo como produto central o presunto.

Cátia Portela

 

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