Caty e Tasaka deram os primeiros passos no futsal em Chaves e têm em comum o facto da necessidade de continuar a estudar lhes ter levado a voos mais altos. Tasaka participou este ano no terceiro mundial universitário, pelo qual já foi campeão mundial e joga há seis épocas no MODICUS, da primeira divisão. Caty participou pela primeira vez num mundial universitário feminino, sagrando-se vice-campeã mundial  e vai jogar esta época nos Restauradores Avintenses, equipa campeã nacional em 2008/2009. Agora, os estudos e o futuro profissional poderão ser entraves à evolução nas suas carreiras.

São já nove os  anos de Catarina Pinheiro no futsal. Começou muito nova no Hóquei Flaviense, onde esteve três épocas, passou depois dois anos na AD Flaviense, uma época no Alves Roçadas e Diogo Cão, antes de “dar o salto” do distrito de Vila Real  para o Maria da Fonte, da AF Braga, na época passada.
Esta temporada vai jogar nos Restauradores Avintenses, equipa que foi campeã nacional na época de 2008/2009.
De Vila Real para campeonatos distritais mais competitivos, Caty, como é conhecida no futsal, explica que “já tinha ganho tudo em Vila Real”. “Como jogadora sentia a necessidade de evoluir, de experimentar outras realidades diferentes, pois tacticamente ainda se nota muito a diferença entre os distritos”, conta a atleta
Esta vontade de querer sempre mais acompanha a atleta, pois numa modalidade com poucos apoios tem de partir da vontade das jogadoras a vontade de evoluir. “Jogamos todas por amor à camisola. Se evoluímos é porque gostamos e queremos mais, vem de nós, porque ninguém nos “obriga” a evoluir”, conta Catarina, explicando que pessoalmente sente “uma necessidade grande de  evoluir”. “Por isso é que mudei para o campeonato de Braga e agora para o Porto, e notei que evoluí bastante”, confessa.
“É urgente um campeonato nacional e uma selecção nacional”, afirma Catarina Pinheiro. Quanto ao campeonato, a jogadora propõe a criação de uma competição por zonas, para evitar o que diz ser “uma injustiça” que acontece quando de várias equipas de um distrito apenas uma se pode apurar para a Taça Nacional, a fase final do campeonato feminino onde se decide a campeã. “Se as equipas se habituarem à mesma coisa não evoluem, as equipas têm de se dispor a mais”, avisa Caty, explicando que se fosse criada uma competição nacional, mesmo dividida por zonas, mais apoios e publicidade apareceriam.
Estudante universitária, do  curso de Anatomia Patológica,  Citológica e Tanatológica no Instituto Superior de Ciências da Saúde do Norte, Caty foi este ano ao Campeonato Mundial Universitário, onde a selecção nacional feminina se sagrou pela segunda vez vice-campeã mundial. “O objectivo era sermos campeãs do mundo, mas o Brasil é muito mais evoluído, tem jogadoras profissionais  da selecção principal”, conta Caty, referindo que hà grande  necessidade de uma selecção nacional. Conforme explica, não havendo selecção, muitas jogadores “trocam o futsal pelo futebol 11” e  muitas vezes perdem o “nível de motivação”, pelo facto de muitas jogadoras de futsal já não terem mais para alcançar.
A atleta flaviense  considera que uma selecção traria mais motivação às jogadoras e reclama pela igualdade quer em relação ao futebol feminino quer em comparação com o masculino. “Porque não há uma selecção de futsal quando existem tantas jogadoras?”, questiona Catarina, não percebendo porque existe no futebol feminino além da selecção principal uma equipa de sub-19. “Se há qualidade, se há trabalho, não se justifica que não haja igualdade”, atira Caty, que até já fez treinos em futebol 11, na selecção sub-19, mas afirma preferir o futsal. “No futsal é preciso ser-se inteligente. No futebol 11 considero o jogo mais fraco, quer técnico, quer tacticamente”, explica.
Não deixando de acompanhar o futsal em Vila Real, Catarina Pinheiro vê com bons olhos o crescimento que o futsal feminino tem tido. “A qualidade aumentou muito. As equipas cada vez mais se preocupam em serem organizadas e em crescerem”, refere. Quanto ao futuro, Caty estará sempre dependente do seu percurso profissional. “Os estudos estão em primeiro lugar, mas o futsal dá sempre para conciliar. Posteriormente vai depender da situação profissional”, admite, explicando que a possibilidade de fazer Erasmus este ano pela universidade será bom profissionalmente, mas mau para a carreira no seu novo clube.
Os Restauradores Avintenses têm aspirações ao título nacional e Catarina explica que se está a inserir bem no grupo. “Os Restauradores têm uma “marca” no futsal feminino. Das equipas que conheço é das que trabalha melhor em futsal e o treinador André Teixeira dirigiu-me o convite. É mais perto para mim e têm objectivos mais altos”, revela.
“Se tiver que parar, vou ter que parar”, afirma Caty com tristeza, dando o exemplo de que no Brasil   formação desportiva e académica andam de mãos dadas  e dão a possibilidade às atletas de uma coisa não se sobrepor à outra

Daniel Tasaka é guarda-redes da equipa do MODICUS, formação recém – promovida à primeira divisão nacional de futsal, e faz parte da selecção nacional de futsal universitário, tendo já participado em três mundiais desta categoria, sagrando-se mesmo campeão mundial universitário em 2008.

Antes de chegar  onde está hoje, Tasaka começou a dar os primeiros passos neste desporto em Chaves. Iniciando no futebol 11, onde fez a formação na AD Flaviense, Tasaka experimentou defender em futsal e nunca mais largou esta modalidade. “Mudei essencialmente porque não me identifiquei com o futebol 11 e como tinha o meu primo, que também era guarda-redes do Chaves Futsal, ele propôs-me ir fazer uns treinos, eu gostei deles, eles gostaram de mim e enveredei por essa opção”, conta o guarda-redes de 25 anos, que na altura saiu da cidade flaviense para entrar na universidade e prosseguir a sua carreira em futsal, jogando pelo Instituto Politécnico do Porto  no Campeonato Nacional Universitário, onde obteve dois segundos lugares e um terceiro. Tasaka está agora na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, onde participou no CNU na temporada passada, fazendo um terceiro lugar.

Há seis anos no MODICUS, equipa de Sandim, Vila Nova de Gaia, Tasaka não esquece as suas origens. “Foi essencial, uma vez que foi onde iniciei e onde  cresci para o futsal. Lembro-me perfeitamente da equipa e do grande grupo que nós tínhamos, foi um dos factores que  fez crescer a paixão pelo futsal”, lembra.

O guarda-redes de futsal vê com bons olhos o crescimento que a modalidade está a ter em todo o país, incluindo no distrito de Vila Real. “Agora existem muitas mais equipas das que as que existiam quando estava em Vila Real. É bom saber que o futsal está a evoluir e que a região está a acompanhar o desenvolvimento do futsal nacional”, afirma, confessando que continua a acompanhar o futsal na região, onde “a maioria dos amigos” joga.

Apesar do crescimento desta modalidade, Tasaka alerta para “um grande défice de técnicos qualificados”, não só no escalão sénior mas também nos escalões de formação. “Acho que isso já está a ser combatido porque cada vez mais as pessoas se interessam pelo futsal”, afirma o guarda-redes, explicando que é bom que actualmente exista “uma opção viável” para os adolescentes, que normalmente optam em primeiro lugar pelo futebol 11.

A subida de equipas do Interior aos escalões mais altos do futsal português deixam Tasaka satisfeito. “Apesar das dificuldades financeiras, tem havido um grande crescimento no futsal do Interior. Não é oficialmente a minha terra natal, mas é como se fosse e eu gosto muito de ver isto a acontecer”, confessa.

Mais uma vez, Daniel Tasaka foi chamado à selecção nacional universitária, onde participou este ano no Campeonato Mundial Universitário na Sérvia. O objectivo era defender o título mundial conquistado em 2008 e para Tasaka esta participação “ficou aquém das expectativas”. “Íamos defender o título de campeões do mundo e não correu tão bem como esperávamos”, explica. Portugal acabou por ficar pelo quartos-de-final, depois de perder 1-0 com a Rússia, equipa que chegou à final, acabando derrotada pelo Brasil. A selecção nacional acabou em 7º lugar. Para o guarda-redes do MODICUS, a maior diferença de Portugal para os outros países é a nível físico. “Existem uma grande diferença que se nota a nível físico. Eles são todos mais possantes e mais fortes. Mas acho que em termos de conhecimentos de jogo nós estamos à frente deles”, conta.

Além das três participações na selecção universitária, Tasaka já foi chamado à selecção principal de Portugal, em 2007, mas mantém-se cauteloso sobre a sua carreira. “Para já as minhas expectativas não passam muito mais disto, porque estou a estudar e o meu objectivo é acabar o curso, mas finalizando-o é obvio que trabalharei sempre por mais, por chegar mais longe”, admite Daniel Tasaka, explicando que não pensa em fazer do futsal uma carreira. “Para já não faço ideia de fazer carreira de jogador de futsal, estou a estudar para me inserir no mercado de trabalho. O futsal para já é um acréscimo, tudo o que vier a mais é bom”.

Sempre dependente do futuro profissional, Tasaka demonstra ainda grande vontade em voltar a jogar na sua terra. “Vai depender do meu futuro profissional, mas uma grande vontade minha sempre foi voltar a Chaves porque é como se fosse a minha terra natal e tenho grandes amizades e um grande passado”, confessa.

Diogo Caldas – dcaldas12@gmail.com

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