A Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega está a preparar uma unidade hoteleira para receber profissionais de saúde que necessitem de ficar em isolamento e está a tentar criar um centro de análises clínicas para possíveis casos de infeção do novo Coronavírus.

Estes são alguns dos temas que estarão sexta-feira em cima da mesa na reunião da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT) sobre as medidas a implementar na região de contenção da Covid-19.  

O presidente da CIMAT, Orlando Alves, disse estar prevista a utilização de uma unidade hoteleira em Chaves “para acomodar os profissionais de saúde” e a criação de um centro de diagnóstico, estando a tentar encontrar parcerias com clínicas privadas a fim de lhes serem fornecidos os testes para testar a população do Alto Tâmega. 

O objetivo “é andarmos um pouco à frente do vírus, porque só assim é que podemos controlá-lo”, explicou o dirigente da CIMAT.

Orlando Alves referiu ainda que irão ser adotadas outras medidas, mas que “carecem ainda de uma análise aprofundada, nomeadamente no que diz respeito ao impacto financeiro” nos municípios.

Na terça-feira, a Lusa divulgou que o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro foi excluído da “rede de laboratórios para o diagnóstico de Covid-19”. Segundo disse o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos, ao não ser possível realizar testes localmente, os mesmos teriam de ser enviados para o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), demorando 72 horas no mínimo a obter o resultado, ao contrário das 24 horas que demoraria no centro hospitalar.

O presidente da CIMAT considerou “absurdo” e “contraproducente” essa situação e lembrou que “concentrar tudo em Lisboa e no Porto é continuarmos a tocar a música de sempre”.

“A música que nos levou à desertificação, que levou ao envelhecimento e que levou aos desequilíbrios territoriais que se veem no nosso país e que são extraordinariamente perigosos”.

O responsável considera que “o Governo está a dar um sinal errado às populações do interior”.

Sobre a pandemia, o atual dirigente da CIMAT pediu às pessoas para ficarem “em casa, consumir os produtos da horta, daqueles que a tenham, ou consumir os produtos que eventualmente possam ter nos congeladores, saindo apenas para aquilo que é estritamente necessário” e deixou uma saudação a todos os “altos tameguenses, que têm dado mostras de cidadania e dever cívico extraordinário, e a todos aqueles que estão no terreno a trabalhar, a expor-se ao risco, para que esta pandemia não se alastre”.

Orlando Alves, que é também presidente da Câmara de Montalegre, referiu que foi preciso ir para o terreno e lançar avisos aos emigrantes que não estavam a cumprir a quarentena obrigatória.

“Se estamos preocupados com os idosos que estão instalados em casa, sem retaguarda e apoio familiar, se estamos preocupados com a população que está institucionalizada em lares, por favor já chega, isto já são problemas que bastem, que a população esteja confinada à sua habitação e que não se criem mais problemas porque estes já são muitos e corremos o risco de ao multiplicar não termos condições para de facto debelar esta crise”.

O presidente da Câmara de Montalegre mostrou ainda a sua preocupação perante o agravamento da crise económica com a chegada desta pandemia.

“No meu entender, esta crise vai ter que nos pôr todos a pensar, porque amanhã pode vir outra bem pior, e nesta missão nobre de construção do futuro em que todos temos de estar empenhados é bom que os governantes do mundo inteiro percebam, e particularmente a Europa, que está neste momento abandonada pelos Estados Unidos e também pela Inglaterra e que entregou, praticamente, toda a sua cadeia de produção com a deslocalização de empresas para a China, de onde normalmente vêm todos os males e de onde haverão de vir males bem piores, que não nos podemos expor dessa maneira” (…) “nós não podemos colocar a economia do mundo inteiro nas mãos dos chineses, não estou a  ser sectário, devemos ter relações com todos, mas num país onde não existe a democracia, onde impera o autoritarismo, a manipulação da informação e o secretismo não pode ser o parceiro onde o mundo ocidental coloque todas as suas esperanças e com ele faça todo o tipo de casamentos”.

Para o autarca, uma das consequências positivas que deverá ser analisada, e ter reflexos nas populações do interior, tem a ver com as pessoas que “abandonaram o mundo rural à procura de melhores condições de vida” e que agora regressam às suas origens.

Cátia Portela

 

 

 

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