Durante estas semanas temos tentado perceber quais as maiores dificuldades que as seis bandas musicais do concelho de Chaves enfrentam devido à Covid-19 e o que tem sido feito por estas para tentar contornar a situação resultante desta crise pandémica. Na última edição saíram a Banda Municipal Flaviense “Os Pardais” e a Banda Musical de Loivos. Para esta edição estivemos à conversa com as bandas musicais de Outeiro Seco e de Rebordondo.

Banda Musical de Outeiro Seco

É certo que, a nível mundial, vários setores sofreram uma enorme quebra a nível económico, e o setor da cultura foi um dos que mais sofreu. Concertos, festivais, festas, romarias e outros espetáculos foram cancelados, pelo menos até ao mês de setembro. Ora, para coletividades, como é o caso das bandas musicais de Outeiro Seco e de Rebordondo, que sobrevivem em grande parte pelos concertos, festas e romarias que fazem durante os meses de verão, as dificuldades financeiras adensaram-se devido à Covid-19 e resistir é agora a palavra de ordem.

“Estamos muito tristes por não podermos fazer aquilo em que nos empenhamos, ano após ano, que é animar e dar brilho a todas as atividades populares que contam connosco”, começa por referir Arsénio Pinto, vice-presidente da Banda Musical de Outeiro Seco, em declarações ao jornal A Voz de Chaves.

Para além de haver dificuldades em pagar alguns custos fixos, que se refletem em quantias elevadas, que vão sendo liquidados graças a alguns apoios, esta banda lamenta não ter dinheiro para poder “apostar em formas de motivar os nossos elementos, dar-lhes formação. Esse extra era o que íamos conseguindo durante o período de verão”.

Acreditando e apostando muito na formação dos seus músicos, cujas aulas presenciais tiveram de ser suspensas, bem como os ensaios, não se sabendo ainda ao certo quando é que estes poderão ser retomados, o vice-presidente desta banda, que conta com largos anos de história, destaca que seria importante que lhes fossem dados apoios no sentido de ajudar na formação, nos instrumentos musicais e na sua manutenção, nos materiais de apoio, na organização de encontros de músicos, e no transporte da banda e dos seus alunos pois é durante o verão que o dinheiro para suportar estes custos é angariado, e este ano, sem a realização de concertos, tudo se tornou muito mais difícil.

Da parte dos elementos desta banda existe “boa vontade e boa disposição, e o desejo de retomar a nossa atividade logo que possível”, destacou.

Também a Banda Musical de Rebordondo se vê a braços com problemas financeiros e não só, pois, como referiu o seu presidente, Belarmino Alves Ventura, para além do cancelamento dos espetáculos nos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro, e não estando preparados para uma pandemia, esta banda atravessa igualmente sérias dificuldades também ao nível do ensino: “A Banda Musical de Rebordondo tem uma escola de música que ficou impossibilitada de realizar qualquer atividade, o que fez com que alunos/músicos perdessem algum interesse e desmotivação na aprendizagem musical”.

Tal como os ensaios, também as aulas de formação têm decorrido online, não havendo ainda uma previsão de quando estas poderão voltar a ser lecionadas presencialmente.

Para tentar contornar as dificuldades financeiras que neste momento atravessa, a Banda Musical de Rebordondo tem recorrido a várias instituições ou particulares, contudo, para o presidente desta banda que conta já com 317 anos de existência, e que tem, neste momento, 49 elementos, é preciso muito mais: “Primeiramente, deveriam ser criadas condições de auxílio às Bandas Filarmónicas, sendo concedido apoio financeiro por parte das entidades municipais/governamentais. As bandas filarmónicas são sociedades que promovem a cultura, o ensino, e, ao mesmo tempo, um meio de escape para as populações. Com os problemas gerados pela pandemia que atravessamos, algumas delas podem chegar à extinção, criando problemas como a falta de oportunidades culturais para as populações, que já por si sofrem do problema da desertificação e despovoamento. Além disso, devia ser dada alguma formação às entidades no sentido de criar estratégias de prevenção, minimização de riscos de contágio da Covid-19, pois, apesar de já existiram vários tipos de formação, o enquadramento não é adequado aos trabalhos musicais. Em conjunto com o nosso maestro e alguns músicos, a direção da Banda Musical de Rebordondo tem tentado procurar este tipo de formação, participando em algumas ações”.

Apesar do cenário negro que estão a viver, “as expectativas são que possamos voltar ao ativo o mais rapidamente possível e que tudo fique bem brevemente. A Banda Musical de Rebordondo tem um projeto para realizar a gravação de um CD áudio, no final deste ano ou início do próximo. Por isso, esperamos que isto fique bem o mais breve possível para podermos voltar ao ativo e, ao mesmo tempo, podermos levar a nossa música a todos aqueles que nos acompanham”, concluiu o presidente da direção e músico ativo nesta banda.

Os dois grupos afirmam não terem sido contactados ainda pela Câmara Municipal de Chaves relativamente a esta situação concreta, no entanto, o município disponibiliza, ao longo de todo o ano, vários tipos de apoios monetários, como, por exemplo, um programa orçado em cerca de 27 mil euros para apoiar estas bandas nas despesas com a formação dos seus músicos, bem como o dinheiro pago referente à realização de concertos.

Existe ainda um apoio financeiro suportado pelo Estado, que pode chegar aos cinco mil euros, para as despesas associadas à Covid-19, como máscaras e detergentes. Contudo, apenas podem recorrer a esses apoios as bandas musicais que tiverem a contabilidade organizada.

Durante o verão, o município de Chaves tem pensada a realização de pequenos ensambles, isto é, concertos com poucos elementos das seis bandas do concelho.

Maura Teixeira

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