Nas últimas duas edições falámos com quatro das seis bandas musicais do concelho de Chaves para entender como é que estas estão a lidar com a crise pandémica provocada pelo novo coronavírus. Para concluir, nesta edição estivemos à conversa com as bandas musicais da Torre de Ervededo e de Vila Verde da Raia.

Banda Musical de Vila Verde da Raia

A Covid-19 veio trazer sérios problemas em muitos setores, e o setor da cultura foi um dos que mais sofreu, com o cancelamento de espetáculos, festivais, concertos, festas e romarias.

São estas últimas duas, que ocorrem com maior frequência durante os meses de verão, que fazem com que as bandas musicais consigam abarcar com as suas despesas. Com o cancelamento destes eventos, pelo menos até ao mês de setembro, as contas complicam-se.

“A nossa banda tem sido autossuficiente até ao momento, ou seja, as festas e romarias permitem construir para o ano seguinte o fundo de maneio para suprir os custos associados a esta atividade. Contudo, antecipamos dificuldades muito em breve pela falta das receitas de 2020”, destaca Paulo Oliveira, presidente da direção da Banda Musical da Torre de Ervededo.

Mas não são só os problemas financeiros que preocupam a direção desta banda, que existe desde 1987: “Outra grande dificuldade que sentimos nesta altura é a de não conseguirmos continuar o trabalho de conjunto com os nossos músicos, e de perdermos, desta forma, alguma da motivação e energia. Apesar de toda a tecnologia de apoio [internet], a arte musical requer ensaios e alinhamento conjunto, e, sobretudo, um objetivo comum: estar a trabalhar para preparar uma época, um concerto importante. Nesta altura de grande incerteza, estamos com dificuldade em perceber a melhor forma de continuarmos a nossa missão”.

Para tentar contornar esta situação problemática, esta banda tem vindo a analisar algumas formas de otimizar os seus custos, “de forma a acompanhar o decréscimo de receitas e a relançar os nossos patrocinadores e benfeitores no sentido de angariar apoios financeiros”.

Quando questionada acerca de um contacto por parte da Câmara Municipal de Chaves, a resposta é positiva. “A Câmara Municipal de Chaves iniciou o contacto mostrando-se prestável e atenta e querendo entender a situação atual da nossa Associação. Há desde já o compromisso de manter os protocolos de cooperação atuais e o pagamento dos serviços previstos na agenda do Município para 2020, sendo esta uma forma de apoio imediato que muito agradecemos”, refere Paulo Oliveira.

A Banda Musical da Torre de Ervededo espera poder retomar as suas atividades de preparação do próximo ano já a partir de setembro.

Também para a Banda Musical de Vila Verde da Raia, que conta já com 159 anos de existência, as maiores dificuldades sentidas são a nível financeiro, existindo neste momento estruturas que sem esse dinheiro não podem ser concluídas.

Não tendo, durante os últimos meses, optado por alternativas, uma vez que devido à pandemia deve existir um distanciamento social, esperam que agora, nesta fase de desconfinamento, os ensaios possam ser retomados por naipes, ou seja, grupos pequenos de músicos, e com as devidas precauções. Também durante estes meses as aulas de formação, tanto presenciais, como online, estiveram suspensas.

Contrariamente à Banda Musical da Torre de Ervededo, esta coletividade afirma ainda não ter recebido nenhum contacto da Câmara Municipal de Chaves, nem da sua junta de freguesia.

“No ver da banda era necessário haver um apoio financeiro para nos ajudar nas despesas mensais, e também haver verbas para podermos trabalhar a nível de ensaios, visto que as festividades estão todas canceladas”, destaca Marco Santos, presidente da direção da Banda Musical de Vila Verde da Raia.

Para o presidente da direção deste grupo, as expectativas não são as melhores: “Achamos que as bandas vão passar uma fase muito difícil devido à falta de verbas, e algumas vão mesmo correr o risco de fechar portas”.

Maura Teixeira

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