Nesta edição e durante as próximas duas semanas, falaremos com as bandas musicais do concelho de Chaves para perceber como é que estas estão a lidar com as consequências da Covid-19. As bandas desta semana são a Banda Municipal Flaviense “Os Pardais” e a Banda Musical de Loivos.

Banda Musical de Loivos

O setor da cultura foi um dos que mais sofreu com o aparecimento do novo coronavírus (Covid-19). A atual crise pandémica obrigou ao cancelamento de concertos, festivais, festas e romarias, e os músicos, outros artistas, e todas as pessoas ligadas ao mundo do espetáculo ficaram com muita incerteza quanto ao seu futuro, pois sem as atuações a entrada de dinheiro nos seus cofres torna-se muito difícil.

A Banda Municipal Flaviense “Os Pardais” é uma das seis bandas existentes no concelho de Chaves. Com 95 anos de existência, comemorados no passado mês de janeiro, esta banda tem agora vivido dias muito cinzentos devido à Covid-19.

“Estamos com bastante receio devido às questões monetárias, porque a época de verão é a que sustenta praticamente o ano todo. E estamos apreensivos também pelo facto de os músicos estarem menos ativos durante este tempo. Não estão totalmente parados porque estão a realizar-se alguns exercícios online, mas existe aquele receio se os mais velhos vão voltar e se os mais novos não vão perder o gosto de continuar na banda. Outra das nossas preocupações prende-se também com os meninos que estão a começar a aprender solfejo e este é um bocadinho mais complicado de dar online, porque são coisas que se têm de aprender e corrigir presencialmente”, explicou Gina Jesus, presidente da direção da banda.

A Banda Municipal Flaviense “Os Pardais” presta formação aos seus músicos. Uma vez que tiveram obrigatoriamente de deixar de dar estas aulas presencialmente, a opção foi aderir às aulas online. Uma vez que se trata de uma banda onde dominam os instrumentos de sopro, o regresso destas aulas ao modo presencial está mais dificultado.

“Ainda há pouco tempo vimos uma orquestra a atuar, mas eram apenas instrumentos de corda, o que faz com que eles possam estar de máscara e estejam afastados. Mas na questão dos instrumentos de sopro é um bocadinho mais complicado”, explicou Gina Jesus.

Apesar de haver uma grande vontade de voltar a realizar concertos com todos os 36 elementos que compõem a banda, as decisões serão tomadas pela Direção-Geral da Saúde e pelo Governo. Serão estes que decidirão quando é que poderá voltar a haver concertos e quantos músicos poderão atuar ao mesmo tempo. Até lá, aponta Gina Jesus, “tem de ser um dia de cada vez e vamos tentando ser positivos”.

A mesma preocupação é partilhada pela Banda Musical de Loivos. Por isso, esta tem procurado algumas alternativas para tentar contornar esta situação. “Estamos a ver se conseguimos arranjar alguns apoios a nível de empresas, patrocinadores, e esperamos que as festas para o ano se mantenham, que, para já, é o que está a acontecer. Temos já alguns parceiros, algumas empresas que nos ajudam, empresas essas que este ano mantiveram os patrocínios apesar de não estarmos a fazer serviços. Estamo-nos a preparar para ver se conseguimos sair e começar a preparar algumas coisas a nível particular, estamos a ver se conseguimos fazer alguns concertos de angariação de fundos. Estamos a preparar-nos para ir a concurso de bandas que se irá realizar em novembro ou em dezembro também na expectativa de lá irmos buscar algum dinheiro através dos prémios. E depois estamos atentos a alguns projetos que temos, e estamos a mandar algumas candidaturas a apoios”, referiu Pedro Batista, presidente da direção.

Pedro Batista revelou ainda que a Banda Musical de Loivos, que conta já com 194 anos de existência e tem, neste momento, mais de seis dezenas de músicos, está “a tentar montar um projeto para que, quando nos deixarem fazer o desconfinamento, possamos regressar em força e com o apoio de uma instituição de peso”.

Tal como a Banda Municipal Flaviense “Os Pardais”, também a Banda Musical de Loivos teve de optar pelas aulas de formação online, e também os ensaios têm sido feitos através da internet. “Temos feito uns vídeos online com os músicos a tocar em casa, e vai sair o grosso brevemente. Eles continuam a estudar em casa, continuam a trabalhar. Quando pudermos iremos começar os ensaios com elementos mais reduzidos. Vamos também começar com as aulas da nossa escola de música. Durante o mês de maio andamos a preparar as coisas para em junho começarmos já presencialmente a fazer as coisas todas”, explicou.

As festas e romarias foram, por ordem do episcopado, canceladas até ao próximo dia 30 de setembro, existindo a esperança que, continuando tudo a correr no bom sentido como tem sido até agora, a Direção-Geral da Saúde possa vir a tomar a decisão de deixar as bandas saírem à rua mais cedo. Contudo, as expectativas do presidente da direção da Banda Musical de Loivos, há seis anos no comando, não são as melhores: “Sinceramente as minhas expectativas é que seja só lá para novembro. Gostaria que em setembro já se conseguisse fazer alguma coisa. Não acredito, mas estamos a tentar ver. Se isto correr bem, até pode ser que já em finais de agosto, inícios de setembro possamos fazer alguma coisa a nível particular, porque a nível de festas estas já estão canceladas. Até porque é assim: quem faz as festas precisa de angariar dinheiro. Algumas comissões que estavam na expectativa de as poderem fazer acabaram por cancelá-las porque não conseguiram angariar fundos”.

Câmara Municipal de Chaves tem disponibilizado apoios

Grosso modo, são as festas e romarias de verão que fazem entrar a maior parte do dinheiro nos cofres das bandas. Ora, com o cancelamento destas, urge procurar incentivos financeiros para ajudar as bandas a subsistir.

De acordo com Francisco Melo, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Chaves, os apoios às bandas já foram autorizados pelo município, e a maioria destas já os está a receber: “Atribuímos cerca de cinco mil euros de apoio a cada banda do concelho, que depois as bandas, normalmente, por conta desse apoio, nos faziam uns concertos. Depois, fizemos um programa que tem um orçamento de cerca de 27 mil euros para apoiar estas bandas nas despesas com a formação dos seus músicos”.

Para além dos apoios referidos, existe ainda um outro atribuído às bandas “à vez, não todas no mesmo ano”, segundo explica o também vice-presidente da autarquia flaviense, para a substituição dos instrumentos.

Durante o verão, o município de Chaves tem pensada a realização de pequenos ensambles, isto é, concertos com poucos elementos das seis bandas do concelho.

Relativamente às despesas associadas à Covid-19, tais como máscaras e detergentes, existe um apoio, por parte do Governo, que poderá chegar aos cinco mil euros, no entanto, de acordo com Francisco Melo, apenas as bandas com a contabilidade organizada poderão recorrer ao mesmo.

Maura Teixeira

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