Após dois atos eleitorais, sem a apresentação de listas de candidatura aos órgãos sociais, a Santa Casa da Misericórdia de Chaves irá ser gerida por uma Comissão Administrativa, a qual será designada pelo Bispo de Vila Real, sob proposta do presidente da Assembleia Geral, Padre Hélder Sá.

A Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Chaves terminou o seu mandato em dezembro de 2018, tendo sido convocado o respetivo ato eleitoral para 17 de dezembro, ao qual não se apresentou qualquer candidatura.

Para 8 de fevereiro do corrente ano foi convocado novo ato leitoral, ao qual também não houve qualquer candidatura, pelo que cabe, agora, ao Bispo de Vila Real a nomeação de uma Comissão Administrativa, sob proposta do presidente da Assembleia Geral, o Pe. Helder Sá, cujo mandato é de seis meses.

“Cumpri o meu dever de cidadão”

O Provedor, João Miranda Rua, ainda em funções até que seja nomeada a Comissão Administrativa, questionado pela “A Voz de Chaves”, referiu não estar disponível para um novo mandato de quatro anos por motivos de ordem pessoal e que, enquanto membro da Irmandade e, no âmbito da sua missão de cidadania, “cumpri a minha missão de quatro anos aos serviço de tão nobre causa, como é a da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, instituição com mais de cinco séculos de existência”.

Não deixando de lado a possibilidade de integrar a Comissão Administrativa, cuja duração em funções será de seis meses, referiu não entender a falta de participação da Irmandade e da comunidade flaviense, uma vez que “no ato eleitoral de há quatro anos até houve duas listas e a situação da Santa Casa melhorou significativamente, neste período, em organização e diminuição do passivo, mas obviamente ainda é preocupante”.

Em 2012 iniciou um novo ciclo

Na verdade, referiu João Miranda Rua, “depois de um longo período de 30 anos de crescimento e gestão menos rigorosa, a Santa Casa, em finais de 2011, registava um passivo superior a cinco milhões de euros e uma instituição estruturalmente desorganizada e à beira da falência”.

Em 2012, com nova Mesa Administrativa, “deu-se início a um novo ciclo, com a missão de assegurar o funcionamento possível da Misericórdia e percorrer até aos dias de hoje um longo e difícil caminho com vista à sua recuperação”, referiu João Miranda Rua.

Neste último período de quatro anos, “foram ainda pagos dois meses de salários em atraso e, ao longo do mandato, em função das disponibilidades de tesouraria, foi-se diminuindo a dívida aos trabalhadores. Foram ainda liquidadas dívidas anteriores a fornecedores, bem como à Segurança Social”.

Também, para além da diminuição do passivo, foram implementados novos métodos de governação, assentes na responsabilização e envolvimento dos trabalhadores, contemplando “a otimização dos recursos humanos, contenção de despesas e definição de estratégias que assegurem a sustentabilidade financeira da Santa Casa”, concluiu João Miranda Rua.

Paulo Chaves

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