Os comerciantes de Verín continuam à espera de voltar a receber os habituais clientes portugueses, mas compreendem as restrições de circulação entre os dois países porque “o vírus não tem fronteiras”.

“O ideal era poder ter a fronteira entre Espanha e Portugal aberta, mas sabemos que é necessário cuidado e contenção, pois o vírus ainda anda por cá e não tem fronteiras”, destaca o médico dentista em Verín, António Justo Garcia.

Instalado na localidade espanhola da região de Ourense, na Galiza, a cerca de 27 km de Chaves, o proprietário de uma clínica dentária explica que tem diversos clientes portugueses que deixou de poder atender.

“Mesmo enviando um documento, com o dia e hora da consulta, e até a explicação para o tratamento, os clientes portugueses não conseguem passar a fronteira”, realça.

Em Verín, tal como em muitas localidades ibéricas, o regresso à normalidade faz-se sentir, quer com um trânsito automóvel já regular, quer com os comércios a reabrirem, embora alguns ainda procedam nesta fase a limpezas e alterações para voltar a receber clientes.

Perto da clínica dentária, na praça da Merced, reabriu na segunda-feira o café ali instalado, embora apenas possa servir os clientes na esplanada. Ao contrário de Portugal, já é possível aos consumidores sentarem-se nas mesas, desde que estejam instaladas ao ar livre.

“As pessoas têm muita vontade de regressar à normalidade, de verem os seus amigos, de tomarem uma cerveja, mas ao mesmo tempo têm medo, de serem contaminados ou de estar em grandes aglomerados”, explica a proprietária do café A Merced, Manoli Perez.

Ao fim de semana, em dias de feira ou em dias de festividades, os portugueses costumam frequentar a praça e o café, algo que “já não acontece há dois meses”.

“A não ser os que vivem ou trabalham cá, enquanto as fronteiras estiverem fechadas sabemos que não teremos clientes de Portugal”, sublinha.

Na esplanada do café está, curiosamente, uma cliente portuguesa, natural de Guimarães, no distrito de Braga, mas radicada há 27 anos em Verín, reformada após uma vida de trabalho como cuidadora de idosos.

“Tenho dupla nacionalidade e posso entrar e sair dos dois país, mas com medo do vírus desde fevereiro que não vou à minha terra e por cá deixamos de ver muitos portugueses”, aponta.

Não muito longe da praça, está instalado há 27 anos o oculista Jesus Óptico, que se habituou a receber clientes portugueses.

Antes da pandemia, entre 30 a 40% dos clientes eram oriundos de Portugal, não apenas de Chaves, mas também de concelhos próximos como Vila Pouca de Aguiar ou Valpaços, refere o proprietário, Jesus Postigo.

“Perdemos toda a clientela portuguesa. É uma tristeza mas tem que ser e esperamos que tudo acabe bem e que fiquemos todos bem”, atira, lembrando que as pessoas serão as mesmas no final da pandemia e que irá voltar a receber os clientes.

Jesus Postigo, além de ter uma ligação “afetiva” com os clientes portugueses é ainda um visitante frequente de Portugal, seja para “passar o tempo livre, ir a um restaurante ou às compras”.

“No final de tudo isto tudo voltará à mesma, com diferentes hábitos, mas com a mesma ligação que sempre houve entre Verín e Chaves”, garante.

Para o diretor executivo da Eurocidade Chaves-Verín, Pablo Rivera, o fecho das fronteiras “está a dificultar gravemente a população transfronteiriça”, pela existência de pessoas que “partilham serviços nos dois lados da fronteira”.

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