No início da época contavam com um orçamento, mas a meio do campeonato surge uma nova despesa. Equipas que treinam em Vilarandelo estão descontentes com aumentos dos preços por utilização do pavilhão.

São quatro as equipas de futsal a competir no campeonato distrital que actualmente jogam e treinam no pavilhão escolar de Vilarandelo. Duas da terra e ainda as equipas de Futsal Sénior Masculino de Bouçoaes e Lebução. Estas duas estão contra o aumento dos preços de utilização por hora, que passaram de 10€ para 17,50€.

O Lebução pôs mesmo em causa, devido “à despesa acrescida inesperada”, a desistência da competição e teve de dispensar o treinador. “Todos sabem as dificuldades destes clubes. Propusémo-nos a objectivos no início da época, mediante aquilo que sabíamos que iam ser as nossas despesas com pavilhão, transporte, GNR, árbitros, etc. Depois e sem aviso prévio aumentam o preço do pavilhão em 75%. Não é justo”, referiu Daniel Teixeira, dirigente do clube de Lebução. O ex-jogador, que agora é treinador, por terem de dispensar Álvaro Santos, acha a situação “inaceitável”. “Temos praticamente as mesmas condições que tínhamos antes, pagamos o mesmo que se paga para treinar em Valpaços e não há benefícios”, considerou Daniel, que acusa a situação de ilegal: “como associação temos de ter tudo discriminado com recibos, mas esses 7,50€ a mais são para os funcionários e não nos passam recibo disso. A escola passa os de 10 Euros, mas é conivente com esta situação. Além de dirigente sou empresário e também tenho de ter tudo em dia e legal. Não é justo porque se fizermos contas ao que pagam as quatro equipas durante uma época é muito dinheiro”.

Equipas temem não conseguir acabar a época

Sérgio Fidalgo, também dirigente/jogador na equipa de Lebução, partilha da mesma opinião. “Em vez de três vezes por semana, durante hora e meia, treinamos duas, durante uma hora, mas é só fazer contas. Nas semanas que jogamos em casa são mais 30 euros do que o que estávamos à espera só para o funcionário, e se multiplicarmos pelas quatro equipas… dispensamos treinador e temíamos não conseguir acabar a época. Essa hipótese foi posta de lado, graças a uma ajuda da Junta de Freguesia de Lebução, garantida esta semana”.

A equipa equacionou treinar no pavilhão de Chaves, sabendo de antemão que é muito mais barato, mas já não havia vaga.

Também a equipa de Bouçoaes está a passar por sérias dificuldades. António Taveira, presidente da associação e também da junta de freguesia já expressou a sua indignação na última assembleia municipal. “Se continuar assim vai ser muito difícil acabar a época, quanto mais competir no próximo ano”, referiu o dirigente, acrescentando “de 7,50€ passou para 10€ e depois para 17,50€. Não entendo o aumento nem porque é que se o funcionário já tem que lá estar e está a receber um ordenado, nós temos de pagar ainda. É uma situação incomportável, que vai acabar com as equipas de futsal do concelho”.

Da parte do Agrupamento de Escolas de Valpaços, Paulo Marta, director de instalações desportivas do Agrupamento de Escolas de Valpaços, defende que “não houve um aumento, mas sim um controlo efectivo do uso do pavilhão”. A medida é justificada pelo reordenamento da rede escolar, que obrigou à centralização de serviços. Assim, tanto pagam os utilizadores do pavilhão da secundária, como da preparatória, como de Vilarandelo. A escola é como se fosse só uma e portanto temos de uniformizar os serviços”, esclareceu. Por sua vez, Paulo Marta defende que era preciso “devolver dignidade ao pavilhão de Vilarandelo, havendo um reforço da higiene e segurança das instalações”. Sobre os funcionários, o director explicou que “são imprescindíveis para que haja um controlo efectivo e responsabilidade em abrir, manter e fechar o pavilhão, ainda que não estejam dispostos a colectar” para prestar esse “serviço mínimo”.

Paulo Marta adiantou ainda que o agrupamento disponibilizou o pavilhão para que os clubes possam realizar torneios ou outras actividades, afim de serem angariados fundos para fazer face às despesas.

Cátia Mata

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