Estão a decorrer as inscrições para o Concurso de Ideias do Alto Tâmega, um projeto direcionado para pessoas que pretendam transformar as mesmas em projetos que possam ser instanciados no território. Ramiro Gonçalves, primeiro secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT), em entrevista ao jornal A Voz de Chaves, explicou todo o processo desta iniciativa que pretende, com o crescimento económico do Alto Tâmega, fixar e atrair pessoas na região.

Jornal A Voz de Chaves: O que é o Concurso de Ideias do Alto Tâmega?

Ramiro Gonçalves: O Concurso de Ideias do Alto Tâmega é um projeto que foi desenhado com o objetivo de podermos desafiar os cidadãos e os diferentes atores da região, a apresentar ideias que possam ser consubstanciadas em projetos a instanciar no Alto Tâmega. O projeto destina-se a podermos, de alguma forma, perceber que ideias existem no Alto Tâmega e como podemos ajudar as mesmas a percorrerem o difícil caminho de se transformarem em verdadeiros projetos de negócio. O concurso está dividido em duas etapas. Temos uma primeira etapa que decorre até dia 7 de setembro, onde aquilo que pretendemos é que todas as pessoas se sintam motivadas a apresentar ideias, de forma simples e pouco formal. Mais tarde procuraremos através de um processo de capacitação que as melhores ideias se possam transformar em bons projetos e que estes possam constituir candidaturas para futuros suportes a avisos de financiamento que venham a surgir.

Como será feita a seleção dos candidatos?

A seleção vai ser feita de acordo com o regulamento aprovado, onde as ideias alinhadas com os elementos para a estratégia da região, apresentados no passado dia 28 de junho possam vir a ser majoradas. O processo de candidatura é muito simples. Temos no nosso site, em www.cimat.pt, o formulário que é necessário ser preenchido até dia 7 de setembro. Nesta fase o que nós procuramos é que cada uma das pessoas se sinta motivada a concorrer de uma forma direta e simples. A 7 de setembro iremos analisar todas as ideias que nos forem sendo submetidas, e um júri vai poder identificar as melhores tendo em linha de conta o potencial que as mesmas possam ter para se constituírem em projetos. O resultado dessa primeira fase de seriação conduzirá a um processo de capacitação, trabalharemos essas ideias para que elas, formalmente, se constituam como ideias com potencial. Posteriormente procederemos à identificação das três melhores ideias do Alto Tâmega que serão apresentadas junto de investidores em sessão pública. A CIM do Alto Tâmega fez uma opção em não atribuir nenhum valor monetário diretamente a cada uma das melhores ideias, mas indiretamente iremos investir nas mesmas para que estas consigam constituir-se em bons projetos e, mais tarde estes possam a vir a ser financiados. Por exemplo, imaginemos que nós temos uma ideia que merece ser apoiada com capacitação e imaginemos que essa ideia precisa que alguém se desloque ao exterior do país para poder conhecer boas práticas, a CIM estará disponível para financiar a deslocação da pessoa para esse local para poder ganhar competências, e para mais tarde poder instanciar melhor a ideia que tem no território.
Os resultados finais do concurso irão ser apresentados na Gala do Empreendedorismo e das Empresas do Alto Tâmega a realizar no final do ano, na qual tentaremos que também possam estar presentes pessoas que porventura poderão apoiar os projetos apresentados. No inicio de 2019 iremos realizar a segunda edição deste concurso, sendo nosso objetivo que a realização do Concurso de Ideias ocorra todos os anos.

Quem se pode inscrever neste projeto?

Qualquer pessoa que tenha uma ideia passível de ser transformada num projeto e que tenha a ambição de se fixar no território. O único requisito que existe, à partida, é que as pessoas tenham uma ideia que possa ser instanciada no território, ideia essa que será majorada se a mesma estiver alinhada com uma das três dimensões que o Alto Tâmega decidiu como sendo os três principais clusters de atuação: Turismo, Saúde, Água e Bem-Estar; Agroalimentar, Produtos Endógenos e Agroflorestal; e se estiver dentro do cluster da Indústria Extrativa, incluindo o desafio do lítio. No entanto todas as ideias serão aceites e avaliadas, mas estas terão alguma vantagem porque estarão mais alinhadas com aquilo que foram os elementos estratégicos definidos para o nosso território.

Quais as entidades envolvidas neste projeto?

Este é um projeto da CIM do Alto Tâmega e da Associação de Municípios do Alto Tâmega. Está em articulação com um conjunto de iniciativas que estamos a levar a cabo no que diz respeito à promoção do empreendedorismo na região, em articulação com a ADRAT – Associação de Desenvolvimento da Região do Alto Tâmega. Aquilo que se procura aqui fazer é juntar o máximo de forças possíveis das diferentes entidades, e conseguir identificar ideias que não têm oportunidade de se tornar visíveis no território. Ou seja, nós temos consciência na CIM que existem muitas mais ideias do que aquelas que nós normalmente temos conhecimento. E também temos consciência que existem mais atores do que aqueles que participam nos eventos onde nós normalmente disseminamos este tipo de conteúdos. Portanto, a tentativa deste concurso é uma tentativa de abertura da Comunidade Intermunicipal para todos os cidadãos procurando que não fique nenhuma boa ideia no território sem poder ser apoiada sobretudo naquela perspetiva de que o melhor apoio que podemos dar às ideias é ajudar a que elas se transformem em projetos de negócio. Ficaremos muito satisfeitos se conseguirmos, em primeiro lugar, identificá-las, dar a oportunidade às pessoas para as poderem mostrar, e, em segundo, se pudermos ajudar as melhores a poderem fazer o percurso para que se transformem em iniciativas de negócio que possam, porventura, ser financiados por diferentes sistemas de incentivos que a região tem ao seu dispor. Porque a região já tem um conjunto de verbas destinadas a apoiar negócios, irá ter, no futuro, um volume ainda maior dessas verbas, mas é preciso que apareçam boas ideias para que estas se transformem em bons projetos e possam ser financiados, sob pena, se isso não acontecer, de podermos chegar ao momento em que tenhamos verbas mas não tenhamos projetos suficientemente bons e que contribuam de facto para a melhoria dos indicadores da região e que todos nós desejamos.

Como conseguir ultrapassar este desafio?

A maior dificuldade é disseminar as iniciativas, ou seja, envolver todas as pessoas, sobretudo as que, por norma, não têm acesso a informação, que não conhecem as dinâmicas que o território tem, e que têm dificuldade em concretizar as suas ideias. No Alto Tâmega somos cerca de 88 mil pessoas, temos assim de conseguir produzir um conjunto de ideias significativo que depois possa ser alvo de apoio, quer ao nível da capacitação, quer ao nível do sistema de incentivos e com isto gerar mais valor para a região. Se fizermos bem este trabalho, estamos a contribuir para que a economia da região melhore, e, se a economia da região melhorar, mais pessoas se vão fixar e outras vão ser atraídas para o território. Não existe nenhuma dúvida sobre isso porque há toda uma perspetiva de competitividade na região que é absolutamente crítica de poder ser despoletadora desses movimentos. Se não conseguirmos que a economia da região melhore, apoiando os melhores projetos, temos consciência de que será mais difícil fixar e atrair pessoas.

Maura Teixeira

 

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