Cem anos depois do seu desaparecimento, um grupo de vidaguenses decidiu homenagear Eugénia Campilho Montalvão dedicando-lhe um livro sobre a sua vida e obra e ainda um roteiro com os principais pontos por onde a Justa, como é conhecida na vila termal, passou.

Floripo Salvador, João Silva, Júlio Silva e Paulo Santos são os autores do livro que retrata os principais aspetos da vida de Eugénia de Jesus de Morais Campilho Montalvão, uma ilustre vidaguense que embora tenha nascido no seio de uma família abastada nunca deixou de praticar o bem e de ajudar aqueles que mais necessitavam. O seu cariz solidário valeu-lhe inclusive a alcunha de Justa ou de Santa e ainda hoje muitos devotos recorrem a ela em momentos de maior aflição.

É “uma figura muita amada nesta nossa vila de Vidago, uma pessoa muito querida e cujo exemplo deve ser seguido e adotado por todos”, disse Paulo Santos, no sábado à tarde, dia 18, na cerimónia de apresentação do roteiro e do livro intitulado “1º Centenário da Morte de Eugénia Campilho Montalvão – A Justa”.

O roteiro, com o nome “Percurso de uma vida”, é constituído por cinco locais: a casa onde nasceu a “Santa” Eugénia Campilho, um dos locais de culto religioso da vila de Vidago, a capelinha de São Simão, a capela onde Eugénia Campilho costumava rezar e que foi batizada com o seu nome e outro dos pontos permite ainda observar o local onde a vidaguense passava os seus dias e ajudava os mais carenciados. Segundo contou Paulo Santos era neste ponto que se encontrava uma nogueira que, diz a lenda, chorou no dia em que a Justa desapareceu. Por fim, o quinto e último ponto de interesse diz respeito ao local onde Eugénia Campilho se encontra sepultada, na Capela do Alto do Côto.

Para além de ser um dos coautores do livro, Paulo Santos e o pai, Germano Santos, foram os responsáveis por apresentar a proposta ao Orçamento Participativo (OP) promovido pela Câmara de Chaves, iniciativa que venceu, no ano passado, com 83% dos votos, na componente “Promoção e Dinamização – Projetos de Âmbito Cultural e Desportivo”.

Para o presidente da Câmara de Chaves os habitantes de Vidago são exemplo de uma comunidade com sentido de união.

“A comunidade de Vidago tem sabido interpretar muito bem este instrumento [o OP](…) Tem sabido, enquanto comunidade, identificar áreas de intervenção ou de valorização cultural, social, de interesse coletivo. E tem-no feito de uma forma excecional porque penso que já venceu três ou quatro orçamentos participativos. Portanto, isso diz bem da coesão, da vontade coletiva, da identidade gregária que aqui se identifica”, referiu Nuno Vaz.

Presente na apresentação, Rui Branco, presidente da União das Freguesias de Vidago, Arcossó, Selhariz e Vilarinho das Paranheiras, salientou o trabalho desenvolvido no setor do turismo, sendo o roteiro “Percurso de uma vida” uma mais-valia.

“Vidago está na moda e a união de freguesias é isso que tem trabalhado. Eugénia Campilho, durante o tempo que pôde ajudar, contribuiu e muito para que isso acontecesse. Às vezes à revelia do resto da família, mas de facto marcou uma geração e um tempo em Vidago”, destacou o autarca.

Ao longo deste ano serão ainda organizadas outras iniciativas no âmbito do centenário da “Santa” Eugénia, sendo que uma delas passa pela inauguração do seu busto.

Cátia Portela

 

 

 

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