Fortes indícios indicam que Luís Vaz de Camões tem origem flaviense.

A verdadeira origem do poeta é uma incógnita, não se sabendo sequer ao certo o ano do seu nascimento, mas crê-se que tenha sido por volta de 1524 ou 1525. Sabe-se que terá partido do Norte de Portugal com a sua família e passado por Coimbra e Constância até chegar a Lisboa, e por isso estes locais reclamam o seu nascimento. Contudo, alguns estudiosos referem que o mais provável é que tenha sido mesmo no Norte do país que o poeta viu o mundo pela primeira vez, passando ainda alguns anos da sua infância.
A sua família, de origem galega, ter-se-á estabelecido na aldeia de Vilar de Nantes, localizada nos arredores da cidade de Chaves, persistindo ainda nos dias de hoje a casa que era dos seus avós paternos, onde se supõe que o poeta terá nascido, e cuja pomba, símbolo desta família, é ainda bem visível numa das paredes exteriores.
“Houve já estudos feitos por José Hermano Saraiva e por outros académicos, nos finais da década de 60, que mostraram que havia realmente raízes da família de Camões no concelho de Chaves, nomeadamente os avós paternos. A história diz que eles viveram cá durante muito tempo. Depois há académicos que dizem que terá nascido em Constançia, em Coimbra ou em Lisboa. Mas, por exemplo, em Constançia não há referências a tantos familiares de Camões como há aqui em Chaves. Também se diz que Camões andou a estudar em Coimbra, mas o facto é que até hoje ainda não arranjaram nenhum registo de matrícula, nenhuma classificação, nem uma prova de frequência numa aula. Não há elementos nenhuns. Infelizmente ninguém conseguiu achar a sua cédula de nascimento, o que seria fantástico pois acabaria com todas as dúvidas. Ora a nossa ideia é que se os avós paternos estavam cá é possível que nos momentos de dificuldade de uma família, que é quando há o nascimento de um filho, se recorra ao apoio dos familiares mais próximos. E nessa medida Camões pode ter realmente nascido em Vilar de Nantes”, explicou Francisco Melo, vereador responsável pelo pelouro da Cultura na Câmara Municipal de Chaves, em declarações ao jornal A Voz de Chaves, no passado dia 11 de fevereiro.
Mas não é apenas pelos registos familiares que se julga que Camões poderá ter origem flaviense. Francisco Melo contou que “há pouco tempo esteve aqui um académico de Coimbra especializado na área da flora, que disse que várias das referências à natureza existentes na obra de Camões são coincidentes com a flora existente aqui na zona”.
De forma a apresentar e discutir todos os factos que levam a crer que Camões pode ter nascido no concelho flaviense, a autarquia, em colaboração com o Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos da Universidade de Coimbra (CIEC), realizará, nos dias 6 e 7 de março, no auditório do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, um encontro temático com o título “Obra, vida e mito: Camões por Chaves”. Neste evento, cuja entrada é gratuita mas sujeita a inscrição
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estará presente José Carlos Seabra Pereira, coordenador do CIEC, realizando-se a assinatura de um protocolo entre a Câmara Municipal de Chaves e este centro de estudos. A moderação dos vários painéis será realizada pelos três diretores dos agrupamentos escolares do concelho, e também por Maria Isabel Viçoso, presidente do Grupo Cultural Aquae Flaviae que já havia editado uma revista onde são retratadas as origens deste que é um dos maiores poetas portugueses e com grande influência no resto do mundo. “Aspetos da biografia de Camões”, “A memória popular de Camões em Chaves”, e “Letras e concertos de mil cores: uma versão d’Os Lusíadas para toda a família” são apenas alguns dos temas que irão ser apresentados neste encontro.
“Vamos ter também uma análise a um cancioneiro tradicional de Inácio Pizarro Morais Sarmento, um flaviense que escreveu livros de cavalaria que nós temos na nossa biblioteca. Achamos que este autor está um pouco esquecido e nos queremos relembrá-lo e mostrar que Chaves teve sempre grande gente nas letras”, referiu Francisco Melo.
Deste encontro farão ainda parte dois momentos musicais: um pela Escola de Bailado de Chaves, e o outro será o concerto Cantus d’Alma, que terá lugar no auditório do Centro Cultural de Chaves.

Autarquia pretende criar rota literária camoniana

Com o objetivo de valorizar o território nacional no que diz respeito aos nossos escritores, é em parceria com o CIEC que a autarquia flaviense pretende criar uma rota literária sobre Camões. “Em Espanha, por exemplo, existe a Rota de Cervantes, na qual os apreciadores deste escritor podem visitar todos os locais por onde ele passou. O percurso literário de Camões é fantástico, pois começa aqui no topo do país, em Chaves, e depois vai por Constançia, Coimbra, Lisboa, ultrapassando aí as fronteiras do nosso país, em direção a Ceuta, Goa, Moçambique, viaja por aquela zona toda de barco e regressa novamente a Lisboa cerca de dez anos antes da sua morte”, destacou o vereador flaviense, que acrescenta que o facto de esta ser uma rota “com laços internacionais” irá envolver um maior número de pessoas, portuguesas e estrangeiras, sendo um itinerário “da globalização”.
Existem outros municípios interessados na questão desta rota, e a autarquia de Chaves pretende dar então o primeiro passo para se começarem a congregar esforços para que esta rota literária de Camões possa ser desenhada no nosso país, partindo então das origens flavienses que o poeta poderá ter, “e que essa rota seja divulgada a partir do próprio Instituto Camões, podendo Chaves fazer parte destes roteiros da criação literária e artística”, concluiu o vereador da Cultura flaviense.

Maura Teixeira

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